• 2023-03-31 17:15:54
  • Bruno A.

As 10 cidades favoritas do nosso editor ✍️

Para este artigo, o nosso excelso editor revela-nos quais as suas 10 cidades favoritas. Uma série de escolhas surpreendentes, pautadas por alguns locais muito pouco habituais onde o Bruno teve a oportunidade de passar temporadas mais prolongadas. Vem connosco e atreve-te a descobrir alguns destinos fora-da-caixa que podes querer adicionar à tua lista de sítios a visitar.

Fui recentemente desafiado pelo João a partilhar com os nossos leitores algumas das minhas melhores experiências em viagem, numa espécie de countdown de países preferidos, pratos predilectos ou sítios mais impactantes. Assim sendo, e como tiro de partida, irei começar pelas minhas 10 cidades favoritas!

Embora não as consiga especificar, o número de cidades estrangeiras visitadas deverá seguramente andar pelas centenas, por isso tenho que admitir que não foi nada fácil conseguir destacar apenas uma dezena. Posto isto, e antes de iniciarmos a contagem, quero apenas ressalvar que os leitores mais desatentos poderão achar esta lista… estranha! Aliás, arriscaria dizer que pelo menos metade destas cidades não figurará no imaginário da esmagadora maioria dos que irão ler este texto. Porém, a minha escolha tem na realidade uma razão de ser bastante válida, e que vai para além de me querer armar em hipster!

Acontece que, naturalmente, tendemos a desenvolver uma maior relação de pertença e afinidade com um local, quanto mais tempo passarmos no mesmo. E felizmente, ao longo dos últimos anos, tenho tido o privilégio de passar temporadas de 1 ou 2 meses em várias cidades diferentes. Essa é a razão pela qual na minha lista figuram locais como Varsóvia ou Tirana, mas não Paris, Roma ou Budapeste. Não porque ache que as primeiras tenham mais para ver ou visitar que as últimas, mas porque, tendo passado mais tempo por essas bandas, acabaram por me tocar no coração.

“Disclaimers” à parte, e sem mais demoras, convido-vos então a juntarem-se a mim numa epopeia digital pelas minhas 10 cidades favoritas:

10. Tirana, Albânia

Tirana é movimento. É ruas cheias e animadas. É a cultura do “Xhiro” depois de um dia de trabalho. É multidões que se juntam aos milhares para ver um torneio de futebol em que a sua nação não está sequer representada. Tirana é cor. Nas fachadas dos blocos outrora cinzentos, nas roupas irreverentes e nas flores que adornam as ruas só porque sim. Tirana é tradição e progresso. É Islão e minissaias. É lojinhas de rua e cheiro a erva. É o som do adhan às 21 e da house music às 23. Tirana é calor. O literal, claro, que teima em desafiar os 40° no pico do Verão, mas acima de tudo o das pessoas. O calor que emana dos sorrisos mais velhos ou do movimento do braço que vai ao peito a cada “Faleminderit”.

Tirana é café. Muito café. A cada dez passos uma nova esplanada completamente cheia, seja qual for a hora do dia. É americanos às 3as, lattes às 4as e espressos quando falta o trocado. É a manhã a passar lenta enquanto a vida corre lá fora. Tirana é História. E também histórias, mais vezes difíceis que fáceis. São bunkers no centro e na periferia, monumentos em ruínas e um eterno sofrimento pelo povo irmão Kosovar que ergue a bandeira albanesa como se fosse sua.

Se me perguntassem antes dessa viagem de 5 meses pelos Balcãs em 2021 qual seria a cidade que recolheria as minhas menores expectativas, Tirana estaria sem dúvida no topo da lista. Agora, não vejo a hora de lá voltar.

9. Varsóvia, Polónia

Não entendo os que preferem Cracóvia. Mesmo enquanto visitante, já há uns bons anos, lembro-me de ficar com a impressão de que Varsóvia estava uns furos acima, apesar de não ser, nem de perto nem de longe, tão bonita ou turística. Essa impressão tornou-se permanente no final de 2020, quando tive a oportunidade de passar 1 mês em cada uma destas cidades.

Cracóvia, é certo, tem o look… mas Varsóvia tem o carácter! Enquanto capital, é uma cidade bastante mais avançada, vanguardista e progressista que qualquer outra que possas encontrar no Sul. Para além disso, enquanto cidade universitária, é um polo de atracção para muitos jovens, tradicionalmente com mentes mais abertas que as gerações mais velhas. Num país com o histórico da Polónia, isso causa um certo impacto. Aliás, precisamente quando lá estive, Varsóvia viu as maiores manifestações polacas desde a queda do Comunismo, como forma de protesto contra as novas medidas de proibição do aborto, mesmo em casos de deficiência ou morte do feto. Ver meio milhão de pessoas a marchar pelas ruas, confesso, deixou-me um quentinho no peito.

Para além disso, a capital polaca tem uns museus absolutamente fenomenais, especialmente para quem, como eu, tem um fascínio enorme por tudo o que esteja relacionado com a Segunda Guerra Mundial, como o POLIN ou o Museu da Revolta de Varsóvia. Se isso não te convencer, podes sempre explorar a magnífica Cidade Velha, o quarteirão histórico que foi propositadamente arrasado pelos Nazis durante a WWII, e posteriormente reconstruído com recurso a quadros e pinturas com vários séculos.

8. Nova Iorque, USA

Todos temos direito à nossa opinião, e a minha é de que quem não tem um mínimo fascínio (nem uma nesguinha) por Nova Iorque, é porque viveu toda a sua vida debaixo de uma pedra. Pensem nisso. Nova Iorque está presente nos filmes e séries a que assistimos, nas músicas que ouvimos e nos jornais que lemos. Se os mais antigos sabem precisamente onde estavam no 25 de Abril, para a minha geração, o ponto de referência é o 11 de Setembro.

Se isso faz de Nova Iorque a mais bela, espectacular ou organizada cidade do planeta? Nem por isso. Mas enquanto Meca da finança, cultura e entretenimento, é um local extremamente difícil de bater. Para além disso, é uma cidade de imigrantes, onde é absolutamente impossível – pelo menos à primeira vista – detectar quem nasceu ou cresceu ali. Um verdadeiro caldeirão de culturas, etnias e dialectos. Talvez esse seja, simultaneamente, o trunfo e a maldição de Nova Iorque. Uma cidade que é de todos, mas pertence a ninguém.

Em relação a coisas para ver e fazer, outro aspecto bastante fixe de Nova Iorque é a quantidade de atracções e cultura gratuitas. Queres visitar o Museu de História Natural? Pagas o que queres (nem que seja 1 dólar). Queres ver a Estátua da Liberdade ao perto? Podes apanhar o ferry gratuito para Staten Island. Gostavas de assistir a gravações do SNL, Daily Show ou Late Show? Também gratuito, embora tenhas que reservar o teu lugar com antecedência. Os voos e, acima de tudo, o alojamento, podem ser bastante caros, mas depois de lá estares, é perfeitamente possível desfrutar de NYC sem rebentar com a carteira!

7. Cairo, Egipto

O Cairo é o patinho-feito do Egipto. Apesar do país receber milhões de turistas todos os anos, a maioria da malta faz a visita da praxe às Pirâmides de Gizé e logo se mete ao caminho rumo ao sul, onde estão praticamente todos os túmulos e locais arqueológicos, ou rumo à costa, para aproveitar as praias e as águas quentinhas do Mar Vermelho.

Eu entendo. O Cairo é duro, caótico e, não raras vezes, visceral. É uma cidade que assalta os sentidos com o seu trânsito infernal, ruas barulhentas, cheiros intensos e níveis de poluição alarmantes. É uma cidade sem meio termo – ou se odeia, ou se adora. No entanto, existem poucas cidades mundo com tanta para ver e fazer. Das pirâmides secundárias de Saqqara e Dahshur à imponente Cidadela, passando pelo Cairo Islâmico, pelo Bazar, pelas mesquitas mamluks monumentais e até mesmo pelo quarteirão copta, há aqui material suficiente para te manter ocupado durante 1 mês inteirinho! Falo por experiência própria – afinal, depois de apanhar covid, acabei por ficar “preso” no Cairo durante mais 3 semanas que os 4 dias inicialmente previstos.

Para uma verdadeira experiência fora-da-caixa, recomendo vivamente uma visita à Cidade dos Mortos, onde a população vive no meio das campas, e a Manshiyat Nasser, também conhecida como a Trash Town. Este é o local onde vem parar todo o lixo de uma cidade de 14 milhões de habitantes, sendo a própria população local a “fazer desaparecer” todos os resíduos. De longe, o maior choque cultural da minha vida.

6. Bangkok, Tailândia

Se há cidade onde tenho pena de ainda não ter podido regressar para uma estadia mais prolongada, essa cidade é a capital tailandesa. À semelhança do Cairo, também Bangkok sofre da síndrome do patinho-feio, sendo claramente um destino bem mais difícil de tolerar do que as praias pristinas da costa ou as cidades-encantadas e bem mais relaxadas do norte.

No entanto, e em termos de apelo Ocidental, Bangkok está anos-luz à frente da capital egípcia. Seja pela simpatia dos locais (esta é, afinal, a “Terra dos Sorrisos”), pela cultural da comida de rua ou, simplesmente, pelo exotismo de uma realidade, cultura e arquitectura tão distintas daquilo a que estamos habituados, Bangkok permanece um destino verdadeiramente global, sendo a cidade mais visitada do mundo nos anos pré-covid.

Em Bangkok, é absolutamente obrigatória uma visita ao Palácio Real, ao Templo do Buda Inclinado e à Yaowarat Road, a principal via da Chinatown e o epicentro da street food na cidade. Para além disso, deverás ainda reservar tempo para visitar um dos vários mercados flutuantes vizinhos e fazer uma day trip até à cidade de Ayutthaya, cujas ruínas arqueológicas e templos me deixaram mais impressionado que os de Angkor Wat, no vizinho Camboja.

5. Damascus, Síria

Embora não seja algo de que propriamente me orgulhe, admito que sou um daqueles gajos chatos que leva sempre a viagem preparada ao pormenor. Tudo planeadinho – o que visitar, quando visitar, como visitar. Em resultado, e embora fique muitas vezes maravilhado, é rara a ocasião em que seja verdadeiramente surpreendido. Damascus, a capital da Síria, foi frutífera nessas situações.

Uma vez que, para visitar o país, é obrigatório contratar os serviços de uma agência de tours com um programa pré-definido (caso contrário, nada de visto), não pesquisei absolutamente nada sobre a Síria. Nessa viagem, propus-me a ser surpreendido. E se houve lugares que corresponderam exactamente à minha pré-concepção de uma Síria totalmente delapidada pela guerra, como Homs ou Aleppo, já a capital Damascus deitou totalmente por terra as minhas expectativas.

Que cidade, meus caros! A mais antiga do mundo, com um dos centros históricos mais bonitos, atmosféricos e autênticos que já vi. Naquele vasto e muralhado quarteirão, tudo ainda é cru, da lojinha que só vende zaatar (o melhor do Médio Oriente, diz-se) aos artesãos de rua que ainda comercializam aquilo que vão fabricando com as próprias mãos e a ajuda de algumas técnicas milenares. Visualmente, a cidade parece parada no tempo, mas assim que cai a noite, as ruas transfiguram-se. Por alguma razão, pensava em Damascus como um local extremamente religioso e conservador, porém, na escala do progressismo árabe, está muito mais próxima do paraíso liberal de Beirute que do moderado conservadorismo da Jordânia. As roupas e costumes são ocidentais, uma boa franja das mulheres não usa sequer hijab e todos os cafés e restaurantes estão completamente apinhados de jovens a fumar shisha. Se aterrasse lá por engano e ninguém me dissesse que estava na Síria, nunca desconfiaria que aquela é a capital de um país em guerra.

4. Tbilisi, Geórgia

Ah, Tbilisi! Passei mais de 2 meses na capital Georgiana em 2021 e posso dizer que será uma das mais completas do planeta. Situada numa verdadeira confluência de civilizações, é possível encontrar de tudo um pouco por aqui. No mesmo quarteirão, tens catedrais ortodoxas, mesquitas e sinagogas. Ao percorrer a Avenida Rustaveli, é impossível não reparar na estrambólica e fascinante mistura de estilos. Um teatro parisiense, um prédio soviético, um tribunal monumental a fazer lembrar NYC e um hotel espelhado, que nem parece o mesmo sítio decrépito onde os refugiados de Abkhazia encontravam abrigo nos anos 90.

No subsolo da cidade, escondem-se inúmeras fontes naturais de água quente que fazem funcionar o quarteirão de Abanotubani, onde podes encontrar dezenas de casas termais, vigiadas pela imponente Fortaleza de Narikala. No entanto, a minha actividade favorita em Tbilisi era mesmo entrar indiscriminadamente nos prédios mais antigos. Passo a explicar: o centro de Tbilisi era uma zona nobre e a população local vivia confortavelmente há muitas gerações (as desigualdades eram gritantes). Como tal, todas as casas eram verdadeiros palácios. Acontece que, quando a União Soviética foi formada, todos os espaços foram expropriados e passaram a pertencer ao governo. Uma vez que Tbilisi foi inundada de migrantes vindos da província em busca de trabalho, o governo decidiu dividir estes palácios em várias casas. Até hoje, a população da baixa continua a viver em locais com pátios partilhados que, originalmente, eram enormes casas senhoriais. Quando entras no hall de cada prédio, nunca sabes bem o que vais encontrar. Na maioria, claro, as pinturas exuberantes e cornucópias coloridas já desapareceram, mas continua a ser possível encontrar verdadeiros tesourinhos. É só tocar à campainha!

Sinceramente, espanta-me como é que Tbilisi não é (ainda) uma das cidades mais visitadas do mundo, porque existem muito poucos sítios com tanto para oferecer. Para além disso, a comida georgiana é deliciosa e os preços tão simpáticos quanto as pessoas. Vai para Tbilisi. JÁ! Antes que todos os outros a encontrem.

3. Belgrado, Sérvia

Antes de mais – um alerta! Tenho plena noção que o meu amor por Belgrado pode ser puramente circunstancial… mas até regressar e tirar as teimas, será sempre uma das minhas cidades favoritas do mundo! Digamos que achei boa ideia fazer um périplo pelos Balcãs bem no início de 2021, quando a Europa estava a experienciar uma das vagas mais forte de contágios pandémicos. Como tal, a maioria dos sítios não tinha a mesma vida ou abertura habitual. Até quer cheguei a Belgrado! Digamos apenas que os Sérvios (gente tão tola e emotiva quanto hospitaleira) não se dão bem com restrições e ordens governamentais. Foi aqui que, ao fim de quase 1 ano e meio, tive a experiência de um regresso ao “mundo normal”.

Depois, há tudo o resto. Costumo dizer a brincar que Belgrado é o tipo de cidade que deve ter ficado a uma vitória numa qualquer batalha importante de se tornar um Viena ou uma Paris. Porém não houve vitória, e por isso é um sítio bruto e vivido. Uma cidade enorme, onde a beleza se esconde maioritariamente nos pormenores, se conseguires ver para além dos prédios monocromáticos e paredes grafitadas. Para lá do quarteirão de Skadarlija e da Rua Knez Mihailova, Belgrado não é instagramável ou flashy. No entanto, foi lá que assisti ao pôr-do-sol mais inacreditável da minha vida, de bebida na mão na Fortaleza Kalemegdan.

Quando ficares cansado da azáfama da baixa e de ter que estar constantemente a subir e a descer colinas (Belgrado está nos antípodas de Amesterdão nesse sentido), então podes apanhar o autocarro para o subúrbio de Zemun. Um pequeno cantinho outrora pertencente ao Império Austro-Húngaro, este é provavelmente o sítio mais bonitinho da capital Sérvia.

2. Istambul, Turquia

Quem não gosta de Istambul, não gosta de viajar. Ponto. Eternizada enquanto Constantinopla, foi possivelmente a primeira cidade onde me senti verdadeiramente num mundo à parte. Dizem que não há amor como o primeiro, e Istambul permanecerá, talvez por isso, para sempre no pódio das cidades mais fascinantes da minha lista crescente de destinos favoritos. Mais de 15 milhões de pessoas numa cidade, ali caberia o meu país. A junção entre a Europa e a Ásia, e um panorama absolutamente novo (em termos culturais e religiosos) – com as mesquitas, o adhan, o movimento frenético nas ruas – mas ainda assim familiar o suficiente para me sentir confortável. Como é que um local pode ser tão diferente, e tão familiar? Talvez uma cidade megalómana não tenha que ser moderna, e talvez possamos ter muitos mundos dentro das fronteiras de Istambul.

O cheiro do peixe grelhado a ser servido no pão, as lojinhas de baklava, comer milho grelhado e castanhas assadas, percorrer as ruas, ver passar o elétrico, assistir à confusão organizada dos mercados. A primeira vez que lá fui, fez-me sentir num mundo novo. Agora, sempre que lá vou, faz-me sentir em casa. Já não é, certamente, o destino mais exótico, estranho, incomum da minha lista. Mas é talvez a cidade mais simpática para a primeira vez. A primeira vez que queiras fugir da rede de segurança da Europa, a primeira vez que queiras ouvir o adhan invadir as ruas, a primeira vez em contacto com religiões diferentes, a primeira vez (e única) entre um continente e o outro.

Istambul terá sempre uma magia muito própria. Como aquela pessoa que admiras ao longe. Uma pessoa que te parece interessante, misteriosa, fora do comum. Sentes-te a gravitar rumo ao seu magnetismo e carisma. E depois, subitamente, formas uma amizade. E todo aquele mistério simplesmente desvanece, para dar lugar ao conforto e à familiaridade. Afinal, é só mais um sítio onde posso ser feliz. É a cidade onde queres que as escalas durem mais horas, para poderes ir aos sítios do costume. Vale a pena visitar Istambul. Mas, mais do que isso, vale a pena revisitar uma e outra vez.

1.Buenos Aires, Argentina

E finalmente, em primeiro lugar, temos a inebriante capital Argentina. Uma cidade tão complexa que até o nome é poético. Curioso que esta se tenha revelado a minha cidade favorita, porque de todos os continentes onde já estive, a América do Sul é – a alguma distância – o meu menos predilecto (embora a experiência seja, admito, limitada).

Tive a oportunidade de passar um mês inteirinho em Buenos Aires e posso dizer que nunca fiquei sem nada para fazer. É uma cidade com uma aura bastante própria, a fazer lembrar aquelas famílias nobres cujas finanças caíram em desgraça, mas que se recusam a adaptar o estilo de vida. A economia argentina está um caco, com uma inflacção que ultrapassou os 100% face aos níveis de 2019, mas as fachadas parisienses da baixa continuam tão majestosas como sempre. As cafetarias clássicas, onde ainda se serve de uniforme e avental, permanecem cheias, com as senhoras reformadas a meterem a conversa em dia enquanto tomam o seu café con leche acompanhado de duas medias lunas. Estádios? Lotados. Restaurantes? Lotados. Eventos culturais e artísticos? Lotados. Livrarias (juro que nunca vi tantas)? Lotadas. A vida é dura para os Porteños (cidadãos de BA), mas há sempre espaço no orçamento, por mais apertado que seja, para um convívio e um sorriso.

A verdade é que não consigo colocar em palavras o meu amor por Buenos Aires. Dos bairros finos de Palermo e Recoleta às favelas perigosíssimas em Flores e Villa Lugano, Buenos Aires é um parque de diversões a céu aberto e um local onde é preciso conheceres os teus limites. Uma capital onde podes ir ver uma milonga de tango pela manhã, saltar no meio das bancadas mais atmosféricas do mundo à tarde e ainda assistir a um espectáculo numa das óperas mais bonitas do mundo (por 9€!!) à noite. É uma metrópole verdadeiramente intoxicante, onde podes, na mesma rua, encontrar o belo e o feio, o sagrado e o profano, o bem e o mal.

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