Seja por uma questão de isolamento, orçamento ou dificuldade para garantir visto, deixamos-te uma pequena lista com 10 dos destinos mais difíceis de visitar no mundo. De ilhas recônditas em pleno Pacífico a ditaduras completamente lunáticas, temos aqui selecções para todos os gostos. Em comum, só uma coisa: conseguir entrar é uma verdadeira dor de cabeça!
Ah, a boa, velha Europa. Tomamo-la por garantida, aconchegando com agrado, bem juntinho ao coração, a ideia de que cidades como Paris, Roma ou Amesterdão está já ali ao virar da esquina, a apenas umas horas de distância. Mas e quando a conveniência chateia e damos pelo corpo a pedir mais? A pedir desconforto, pestanas queimadas e planeamento extremo. No fundo, a pedir desafio.
É para essas situações que servem artigos como este! Convém ressalvar que podíamos facilmente fazer uma lista com 100 dos destinos mais remotos e difíceis de visitar do mundo, tal é a variedade absolutamente ridícula de tesouros escondidos por esse planeta fora. No entanto, decidimos ficar-nos por 10 exemplares. Seja por uma questão de isolamento, orçamento ou dificuldade para garantir visto, aqui o difícil é mesmo conseguir entrar nestes países/territórios.
Nota: por uma questão de segurança e coerência, decidi incluir apenas destinos que tenham algum tipo de apelo turístico (caso contrário seria uma lista de 10 aldeias aleatórias nos confins da Mongólia) e que sejam possíveis de visitar em relativa segurança, razão pela qual não incluí – por mais extraordinárias que sejam – as regiões do norte do Mali, do interior da DRC ou da Sibéria (entre outras).

Como menções honrosas, deixo-vos três destinos que podiam muito bem estar entre os (in)felizes contemplados com um lugar na nossa lista. Em comum, o facto de serem destinos com péssima imagem – muitas vezes associadas a risco de terrorismo – e de serem (ou terem sido, até há bem pouco tempo), governados por déspotas da pior espécie.
No entanto, e haja orçamento para isso, visitar qualquer um destes enfants terribles do turismo não é problema, uma vez que existem várias empresas de tours inteiramente dedicadas a este tipo de destinos mais intrépidos. Em contrapartida, sem tour não há absolutamente hipótese alguma de te ser concedido nenhum tipo de visto turístico. A seu favor, têm também o facto de não serem destinos tão remotos ou isolados quanto isso, estando relativamente próximos da Europa ou, no caso da Coreia do Norte, ligados à China por via aérea e ferroviária.
Considerado o arquipélago habitado mais remoto do planeta, as ilhas de Tristão da Cunha são um território britânico situado em pleno Atlântico Sul, a meio caminho entre a África do Sul e a Argentina. No entanto, e apesar do seu isolamento e dimensão reduzida, o arquipélago foi agraciado pela UNESCO com duas distinções para Património da Humanidade, muito à conta da sua beleza natural intocada e paisagens extraordinárias sobre o mar.
No entanto, e se quiseres riscar este destino da tua lista, o problema é mesmo conseguir lá chegar. Para isso, terás que voar até à longínqua Cidade do Cabo, na África do Sul, e depois apanhar um barco que pode demorar 5/6 dias até desembarcar em Tristão da Cunha. Pormenor importante: por ano, apenas saem cerca de 3/4 barcos para passageiros, pelo que é necessário esperar vários meses até a próxima embarcação repetir a viagem. Uma verdadeira epopeia!

De seguida, um destino que vai fazer com que a viagem até Tristão da Cunha pareça tão fácil como apanhar o metro até a Baixa! Verdade seja dita, e no que toca a locais remotos, seria possível fazer uma lista só com ilhas do Pacífico. Este oceano é de tal forma massivo, que se fosse possível viajar entre Sydney e Brisbane no sentido este, quase metade do percurso seria passado a sobrevoar o Pacífico (quase tanto tempo como atravessar América do Sul, Atlântico, África e Índico). Como tal, não surpreende que num corpo de água tão ridiculamente extenso seja possível encontrar destinos extremamente isolados.
Assim, para conseguires chegar à Ilha Pitcairn, onde vivem apenas 56 pessoas (todas descendentes de um grupo de marinheiros cuja embarcação deu à costa em 1789), terás que viver uma verdadeira tormenta! Para começar, é preciso conseguir chegar à já remota Taiti, a maior ilha da Polinésia Francesa. Depois, segue-se um voo interno de mais de 3 horas até às Ilhas Gambier, que fazem parte do mesmo território ultramarino francês. No entanto, o Aeroporto Totetegie não fica na principal ilha do grupo – Mangareva – pelo que é necessário apanhar um barco até lá. Chegado a Rikitea, principal cidade de Mangareva, resta-te a última etapa da viagem até Pitcairn… uma travessia de 32 horas a bordo de um navio-cargueiro, que só parte uma única vez a cada trimestre!
Imagem: Visit Pitcairn Island

De dois locais isolados pela força da distância e dos oceanos, passamos a uma das nações mais bizarras do planeta, onde o isolamento é, acima de tudo, social e histórico. Falamos do fabuloso Turquemenistão – terra onde os carros pretos são proibidos e onde são inaugurados monumentos de homenagem ao cão do eterno presidente! Uma verdadeira Coreia do Norte da Ásia Central.
Embora existam voos regulares e as fronteiras com Irão e Uzbequistão estejam abertas (bem como a fronteira marítima do Mar Cáspio), conseguir visto de forma independente para entrar neste destino pode ser um verdadeiro desafio! Actualmente, e para conseguires um visto turístico “normal”, a única esperança passa por contratares um tour privado, o que acaba por te tirar alguma liberdade e encarecer substancialmente a experiência. No entanto, sem tour não tens acesso à carta-convite obrigatória para o pedido de visto. Para contornar a situação, muitos viajantes optavam por recorrer ao “visto de trânsito”, um documento que podes pedir em qualquer embaixada turcomena (€78). No entanto, é o embaixador que decide qual o período que te é conferido, podendo o mesmo oscilar entre os 3 e os 7 dias. Pormenor importante: sendo este um visto de trânsito, o teu destino de saída tem obrigatoriamente que diferir do de origem! Isto significa que se voares para o Turquemenistão vindo de Istambul, terás que sair por terra para o Irão ou Uzbequistão, ou voar novamente com destino a uma cidade diferente.
Pequenos sacrifícios para quem queira conhecer uma das cidades mais estranhas do planeta (Ashgabat), testemunhar o fenómeno do “Portão do Inferno” na Cratera de Darvaza, ou visitar as ruínas da lendária cidade Persa de Merv.

Seguramente um dos destinos turísticos mais subestimados do planeta, a Etiópia é um verdadeiro tesouro à espera de ser descoberto. Aliás, a sua civilização é tão antiga que, quando os europeus lá chegaram, a Etiópia já tinha a sua própria organização social e império, o que ajuda a explicar o facto de este ser o único país de África que nunca foi colonizado. É por isso que tantas bandeiras africanas têm as cores amarela, verde e vermelha, precisamente em homenagem à resistência etíope, que acabou por se transformar num símbolo do pan-africanismo.
Para quem tenha a sorte de visitar o país, uma das paragens obrigatórias (para além de Lalibela e do Vale do Omo) é a Depressão de Danakil, situada bem no norte do país. Este deserto, considerado o local mais quente do mundo, é um sítio absolutamente fascinante, onde as paisagens vulcânicas, os lagos de sal e os geysers borbulhantes parecem saídos de um outro planeta, totalmente desprovido de vida. Tudo parece inóspito, mas foi precisamente nesta região que foram encontradas as ossadas de Lucy, os vestígios humanos mais antigos alguma vez escavados, que se estima terem mais de 3 milhões de anos!
Contudo, a tarefa de lá chegar está longe de ser fácil, envolvendo um voo interno até Semera, seguido de uma viagem de várias horas de 4×4 pelo deserto. Para isso, terás invariavelmente que recorrer a um tour, a não ser que conheças alguém em Semera que tenha um veículo com tracção às 4 rodas e que te possa levar lá. Especialmente na sequência dos conflitos na zona do Tigray, o acesso a esta região remota ficou ainda mais difícil, uma vez que anteriormente era possível voar directamente até Mekele e começar a visita a partir daí (hoje em dia, Mekele está off-limits). Começando em Semera, não só a distância pelo deserto é maior, como isso acabará por se traduzir em mais custos no teu tour. A título de exemplo, uma visita de dois dias pode facilmente chegar aos €274 por pessoa.

Da Etiópia, passamos agora ao seu vizinho de cima: a misteriosa nação da Eritreia! Contrariamente a todas as expectativas, esta é uma nação bastante suis generis, no sentido em que não existe mais nenhuma com as mesmas características. Afinal, a pequena nação africana foi colonizada pelos italianos, deixando uma herança cultural e arquitectónica extremamente interessante. Passeando pela capital de Asmara, as ruas empoeiradas e em terra batida são percorridas por montes de Fiat’s dos anos 50, todos os cafés servem expressos e capuccinos italianos em máquinas super antigas e podes, provavelmente, encontrar as melhores pizzas, pastas e lasanhas de toda a África. Até alguns cinemas, pelo menos na capital, mantêm o mesmo estilo de rodagem de há 70 anos, com a mesma estrutura e equipamentos. Asmara é, no fundo, um local que parece ter parado no tempo e um verdadeiro paraíso para saudosistas do século XX. Um pouco como Cuba, mas no Corno de África!
O grande problema, à semelhança de alguns outros destinos na nossa lista, é que a Eritreia é liderada por um grupo de paranóicos, pelo que conseguir um visto independente é missão quase impossível. A alternativa, uma vez mais, passa por recorrer a uma empresa de tours, já que que as autoridades locais não têm qualquer interesse em que turistas estrangeiros possam percorrer o país a sós.

Embora já seja possível visitar a zona sul do Yemen continental, com a sempre aborrecida obrigatoriedade de estares acompanhado de um guia, a verdade é que, técnica e factualmente, o país continua em plena guerra civil. No entanto, o caso muda de figura quando falamos da ilha de Socotra, que apesar de pertencer ao país, vive numa realidade à parte, com poucos ou nenhuns sinais do conflito.
No entanto, conseguir entrar em Socotra pode drenar qualquer carteira. Para começar, e mesmo estando o território em relativa paz, aplica-se a mesma regra que encontras no continente: sem guia/tour, não há visto para ninguém! Depois, há todos os preparativos para lá chegares. Actualmente, existem apenas duas rotas aéreas internacionais para Socotra, uma desde o Cairo com a Yemenia (€1032 ida-e-volta, com escala em Aden); e outra desde Abu Dhabi com a Air Arabia (€785 ida-e-volta, directo). Para além destes voos apenas terem lugar 1x por semana e tenderem a esgotar com bastante facilidade, não é possível comprar bilhetes online, sendo sempre obrigatória a compra em pessoa num balcão destas companhias, mediante apresentação de cópia do visto tratado pela empresa de tours. Se quiseres mesmo poupar uns trocos, existe um cargueiro de cimento que (supostamente) parte todas as semanas desde Salalah, no Omã. A duração da viagem pode chegar aos 4 dias, não existe garantia de datas de partida/regresso, não há refeições (nem água) a bordo e as condições são horríveis. No entanto, a passagem no navio custa 100 USD, o que já ameniza o estouro (entre €1369 e €2009) que terás que pagar pelo tour!

Inevitavelmente, já todos ouvimos falar desta misteriosa terra perdida no meio das montanhas. Seja pelas suas paisagens remotas, pela cultura e práticas antigas ou pela famosa medida de medir o Índice de Felicidade Interna Bruta (em oposição ao PIB), muitos viajantes têm vindo a desenvolver um certo fascínio pelo Butão. Na verdade, a apesar de não se verificar a repressão de outras paragens, este não deixa de ser um dos países mais fechados do mundo, permanecendo quase tudo um intacto mistério.
De modo a limitar as influências estrangeiras e a disrupção do modo de vida local, as autoridades locais fazem questão de tornar toda a experiência de visitar o Butão extremamente cara, obrigando os viajantes a fazer-se acompanhar de um guia devidamente credenciado pelo governo. É esse guia/agência que irá tratar do processo do visto, submetendo antecipadamente um itinerário seleccionado pelo viajante (bem como os restantes documentos necessários) num portal do governo, seguido do pagamento de uma modesta taxa de €37. Menos modestos são os valores dos tours. Embora os preços possam variar de acordo com o roteiro e alojamentos escolhidos, o governo estipulou aquilo a que chamam de “Minimum Daily Package” (algo como “Pacote Mínimo Diário”), e que decreta que o valor mínimo que um viajante deve pagar por dia é de €228 (€183 durante a época baixa de Junho – Agosto). É certo que este valor inclui todas as deslocações, refeições, actividades culturais e alojamento, mas não deixa de ser manifestamente alto. Para além disso, este é o valor mínimo diário de referência, pelo que o mais provável seja que encontres tours a preços ainda mais elevados!
Para piorar a situação, os próprios voos tendem a ser bastante dispendiosos. Uma vez que apenas duas companhias aéreas butanesas (uma pública e outra privada) estão autorizadas a viajar de/para o país, a concorrência é inexistente, permitindo às transportadoras cobrar os preços que bem entenderem pelas passagens. Como nota final, resta mencionar que é apenas possível voar para o Butão a partir de 5 países estrangeiros. São eles: Índia, Nepal, Bangladesh, Tailândia e Singapura.

Embora também governado por um lunático, o Azerbaijão é, pelo menos, um país relativamente acessível. Existem inúmeros voos para Baku (alguns deles até com transportadoras low-cost), o visto fica em conta (25 USD) e pode facilmente ser obtido online, e não há qualquer obrigatoriedade de contratação de guias ou tours. À beira de todos os outros destinos nesta lista, parece um verdadeiro paraíso! No entanto, e para desconhecimento de muitos, existe um território azeri – chamado Nakhchivan – que está completamente separado do resto do continente. Embora, por si só, isto não fosse um problema, a questão não é o facto de estarem separados… mas sim, o que os separa! Olhando para o mapa, é fácil perceber o problema. Afinal, entre o exclave e o resto do país existe uma faixa de território da Arménia, o inimigo mortal do Azerbaijão. Face ao exposto, não é possível a estrangeiros viajar por terra entre Nakhchivan e Baku, uma vez que a rota possível obriga a um desvio pelo Irão (que não te deixará entrar sem visto).
Assim, a única alternativa passa por voar entre os dois pontos. Felizmente, a Azerbaijan Airlines organiza vários voos diários, com os preços fixados em cerca de €32 (€64 ida-e-volta) para cidadãos estrangeiros. De qualquer das formas, não deixa de ser mais um voo para apanhar, um horário para cumprir, uma passagem para comprar. Para além disso, e uma vez que o turismo é virtualmente inexistente em Nakhchivan, existe apenas meia dúzia de hotéis em todo o território, a maioria deles aparentemente sem renovações desde o tempo da União Soviética (mas com preços ocidentais), e não existem transportes colectivos até às zonas mais recônditas, onde podes encontrar as principais atracções. A solução passa por encontrares um táxi e pagares preço de estrangeiro, adicionando mais algumas lecas ao teu orçamento. Um pequeno preço a pagar pela oportunidade de visitar o Machu Picchu do Cáucaso!
Felizmente para quem quer visitar, este vosso estimado editor tem algumas dicas, visto ter lá estado há muito pouco tempo: Nakhchivan, o canto mais obscuro do Cáucaso 🇦🇿

A última fronteira, o fim do mundo. Especialmente popular entre viajantes que já tiveram a oportunidade de visitar o planeta inteiro, a Antártida é um daqueles miminhos reservados a quem já fez de tudo e esteve em todo o lado. Uma espécie de última peça do puzzle. Ah, convém acrescentar, esta é uma experiência reservada a quem tenha dinheiro… muito dinheiro! Afinal, a única forma de visitar a Antártida passa por te juntares a uma expedição marítima, e mesmo nas versões mais curtas (6/7 dias) os preços começam nos €4600 por pessoa! Para versões mais longas ou luxuosas, o céu é o limite, existindo pacotes que esbatem a linha dos 20.000 USD. A isto, há ainda que juntar o custo dos voos até Punta Arenas (Chile) ou Ushuaia (Argentina), de onde partem as embarcações.
Quanto a estas expedições, costumam incluir todas as refeições durante o período estipulado, o acompanhamento de guias/palestrantes e todas as deslocações que façam parte do programa. No caso do roteiro “express”, para poupar as 48 horas de uma das deslocações marítimas ao longo da Passagem de Drake, estão incluídos também os voos (ida OU volta) entre Punta Arenas e a Ilha King George, situada a apenas 120km da costa da Antártida. Este voo tem a duração de cerca de 2 horas.

Finalmente, fechamos com aquele que será, porventura, o destino mais popular da nossa lista. Afinal, quantos de nós já não viram a emblemática imagem de uma fila de estátuas monolíticas alinhadas junto ao mar? Seja pela riqueza natural, pela herança cultural do povo Rapa Nui – na qual se incluem os Moai (as estátuas) – ou apenas por pura curiosidade, a verdade é que a isolada e remota Ilha da Páscoa é um destino estranhamente popular.
Infelizmente, conseguir lá chegar não é pêra doce. Não só terás que conseguir chegar a Santiago do Chile, o que por si só será provavelmente bastante caro, como ainda te esperará mais um voo de 5 horas até à famosa Ilha. Por esse segundo voo, os preços (ida-e-volta) podem oscilar entre os 700€ e os 1200€, embora, com alguma sorte e flexibilidade, seja possível ocasionalmente encontrar ligações na casa dos 400€. No entanto, os custos não se ficam por aí. Entre comida (cerca 20 USD por refeição, se não quiseres andar exclusivamente a empanadas), deslocações terrestres (aluguer de carro a >100 USD por dia ou múltiplos táxis/tours privados), alojamento (>100 USD por noite num quarto duplo de média gama), entradas em parques nacionais (80 USD) e acompanhamento obrigatório de guia para certas actividades (40 USD por dia, por pessoa), é sempre a somar!
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