Códigos Aeroportuários da IATA – O que são, para que servem e como são atribuídos
Códigos como LIS, OPO e FAO estão presentes nas plataformas de reserva, cartões de embarque, talões de bagagem e sistemas informáticos de todo o mundo, os códigos aeroportuários são um elemento fundamental da aviação moderna. Mas quem os criou? Para que servem? E quais os critérios a que devem obedecer? Todas as respostas neste artigo!
Se já marcaste um voo, despachaste uma mala ou seguiste qualquer tipo de voo online em plataformas como a Flightradar24, então já terás inevitavelmente visto e consultado pelo menos um código aeroportuário. Aqui em Portugal, por exemplo, os principais aeroportos do continente têm como códigos LIS (para Lisboa), OPO (para o Porto) e FAO (para Faro). No entanto, isto não esclarece a informação acerca de quem ao certo cria estes códigos, o que significam e a razão pela qual alguns códigos parecem óbvios, ao passo que outros soam totalmente aleatórios (como SGN para a cidade de Ho Chi Minh, no Vietname).
Pois bem, foi precisamente a pensar nisso que criámos este artigo, já que os códigos aeroportuários são um elemento absolutamente fundamental na operação logística e de segurança da aviação moderna, providenciando uma forma standardizada de identificar aeroportos/destinos e simplificando a comunicação entre companhias, aeroportos, passageiros, agências, sistemas de controlo de bagagens e – não menos importante – controladores de tráfego aéreo. Ora, vamos então saber mais sobre este tema!
O que são os códigos de aeroporto?

Numa abordagem muito simples, são códigos geográficos de identificação atribuídos a cada aeroporto do planeta. Para teres uma ideia da dimensão do directório, estima-se que existam cerca de 11.300 códigos únicos só no registo da IATA, podendo ser atribuídos não só a aeroportos, mas também a heliportos e estações de autocarros e comboios.
Verdade seja dita, o termo “código de aeroporto” não é necessariamente estanque, já que existem diferentes sistemas com diferentes nomenclaturas. Ainda assim, o mais habitual é o código de aeroporto da IATA – a International Air Transport Association – que é habitualmente formado por três letras para cada destino. Os exemplos portugueses (e vietnamita) dados acima, por exemplo, dizem respeito a nomenclaturas da IATA, à semelhança de outras designações conhecidas a nível internacional, como LHR (London Heathrow), JFK (New York John F. Kennedy), CDG (Paris Charles de Gaulle) ou DXB (Dubai International Airport).
Estes são os códigos que são utilizados e divulgados de forma extensiva na generalidade dos sistemas com os quais os passageiros interagem. Essa é a razão pela qual consegues quase sempre encontrar as três letrinhas mágicas nos sistemas de reserva, nos cartões de embarque, nas etiquetas de bagagem ou nos placares informativos de chegadas e partidas nos aeroportos, servindo como uma espécie de crachá identificativo.
Para que servem os códigos de aeroporto?

Tal como já referimos, a grande vantagem da utilização de códigos aeroportuários passa pela homogeneização de todo o sistema de comunicações. Para além disso, ajuda (e muito) a simplificar os processos. Por exemplo, e pegando novamente no exemplo do Aeroporto JFK, seria muito mais trabalhoso e ineficiente se todos os placares, bilhetes, etiquetas ou ecrãs fossem obrigados a conter na íntegra a designação “John F. Kennedy International Airport, New York”. Com o código JFK, a informação passar a ser muito mais fácil de exibir, transmitir e reconhecer.
Evidentemente, esse método de descomplicar e uniformizar a informação acaba depois por servir o seu propósito em diferentes áreas do sector, ajudando, por exemplo, a que seja mais fácil para o passageiro identificar os aeroportos de partida e chegada no momento da reserva; ou facilitando a monitorização e rastreamento dos sistemas automáticos de bagagens. Ao mesmo tempo, os códigos IATA são ainda utilizados pelas companhias para organizarem a informação relativa a horários, rotas, reservas e a toda uma série de dados operacionais. No fundo, são uma forma de reduzir a ambiguidade e de evitar confusões entre aeroportos diferentes, especialmente quando têm nomes parecidos ou estão situados na mesma cidade.
Como é que os códigos de aeroporto são escolhidos?

Embora em muitos casos o código derive do nome da cidade ou do aeroporto servido, não existe uma regra específica e rígida para a criação destas nomenclaturas por parte da IATA. No entanto, é recomendado que sejam utilizadas as primeiras três letras do nome da cidade ou do aeroporto, tal como acontece de forma evidente em LIS (Lisboa), BOS (Boston) ou FRA (Frankfurt). No entanto, existem igualmente códigos que, à primeira vista, não podiam ser mais contraintuitivos, já que resultam de designações antigas associadas à cidade ou ao próprio aeroporto.
Um bom exemplo, conforme referimos na introdução, é o do Aeroporto de Ho Chi Minh, que tem como código “SGN”. Embora estranho numa primeira impressão, convém lembrar que a cidade se chamou Saigon até 1976, e que é precisamente daí que surge o código – consequência do facto de o sistema IATA já existir há décadas! Outro caso semelhante é o do Aeroporto Chicago O’Hare, que manteve o código ORD que tinha sido originalmente atribuído quando a infraestrutura se chamava Aeroporto Orchard Field.
Entre outros códigos céleres que não parecem adequar-se aos nomes da cidade/aeroporto, vale a pena mencionar CAN (Guangzhou, atribuído quando a cidade se chamava Canton), YYZ (Toronto, mas originalmente construído em Malton, uma localidade designada em código morse como “YZ”) ou AGP (Málaga, mas os códigos MAL e MLG já tinham sido reclamados por outros aeroportos. Existem mesmo muitos casos deste tipo!
Porque é que algumas cidades têm diferentes códigos de aeroporto?

Bom, esta é fácil… porque têm diferentes aeroportos! Lembra-te que cada aeroporto precisa de ter a sua própria designação IATA, por isso os códigos serão diferentes mesmo que partilhem a mesma cidade. Nestes casos, os códigos baseiam-se normalmente no nome dos aeroportos.
Se olharmos para Londres, a megacidade é servida por nada menos que 5 aeroportos e todos eles têm o seu próprio código único: Heathrow (LHR), Gatwick (LGW), Stansted (STN), Luton (LTN) e London City (LCY). O mesmo se aplica a Nova York e aos seus aeroportos John F. Kennedy (JFK), LaGuardia (LGA) e Newark (EWR); Paris com Charles de Gaulle (CDG), Orly (ORY), Beauvais (BVA) e Châlons Vatry (XCR); ou Tokyo com Haneda (HNR), Narita (NRT) ou Ibaraki (IBR).
Para além de toda a componente operacional, estes códigos são fundamentais para que o passageiro perceba exactamente qual o aeroporto de partida ou destino quando está a comprar um voo! Ainda assim, não são raros os casos de cidadãos que se deslocam para o aeroporto errado da mesma cidade, ou que aterram num local diferente daquele que tinham planeado.
É possível mudar o código de um aeroporto?

Sim, mas não é recomendável. É certo que, tecnicamente, seria possível alterar um código IATA para torná-lo mais evidente, mas fazê-lo resultaria numa gigantesca e desnecessária dor de cabeça logística. É que depois de um código ficar integrado nos sistemas de reserva, nas infraestruturas, nas placas informativas e nas operações de bagagens, avançar com a mudança será sempre um processo caro e complexo, o que acaba por entrar em rota de colisão com a simplificação que o sistema promete.
Ainda assim, um aeroporto poderá receber um novo código em caso de mudança de nome ou se o código existente tiver que ser forçosamente atribuído a outro local por razões de força maior. Mas se é comum? Nem por isso! Aliás, os códigos IATA são precisamente conhecidos por serem notavelmente estáveis, com códigos relativos a nomes antigos de cidades e aeroportos a serem mantidos por uma questão prática de conveniência.
Seja como for, um dos casos “recentes” mais emblemáticos é o do Aeroporto Don Mueang, em Bangkok, que alterou o seu código em 2007 para “DMK” depois da abertura do novo Aeroporto Suvarnabhumi, que se tornou o principal aeroporto da capital Tailandesa e ficou assim com o código “BKK” que lhe pertencia.
Os códigos têm todos só 3 letras?

Não.
Alternativamente, existem ainda os códigos ICAO, atribuídos pela International Civil Aviation Organization e que são possivelmente os segundos mais conhecidos e utilizados. Ao contrário da IATA, a ICAO costuma utilizar 4 letras e os seus códigos são mais orientados para pilotos, controladores de tráfego aéreo e outros profissionais de sectores específicos da aviação. Em alguns casos, o código ICAO adiciona apenas um “K” no início da designação da IATA (por exemplo, o JFK passa a KJFK), mas noutros assume formas totalmente diferentes e inesperadas (como London Heathrow, que passa a EGLL), devido às regras de nomenclatura estabelecidos pela organização.
Seja como, a IATA é o standard habitual dos códigos aeroportuários, especialmente para passageiros, pelo que irás quase sempre deparar-te com o código de 3 letras ao invés do de 4.
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