Como encontrar voos baratos – Tudo que precisas de saber ✈️🌎

  • 20.01.2023 12:34
  • João
passaporte

Quando fui convidado a trabalhar em part-time time Fly4free – no dia em que estava na Alemanha para ver um Dortmund – FC Porto para a Liga Europa (Um dos primeiros jogos do Marega, Varela a lateral direito…Enfim, era impossível esquecer) – pouco sabia sobre este tema, tirando mesmo o básico. Ainda hoje não faço ideia como é que fiquei com o trabalho. Na verdade tinha-me interessado pelo assunto poucos meses antes e divertia-me a procurar opções interessantes para viagens de fim de semana, que fossem acessíveis para um estudante universitário que, tal como muitos, vivia entre o default completo e a falência técnica. Mais de 7 anos depois como profissional a full-time, aqui vão alguns dos fatores a ter em conta no momento de procurar e reservar um voo:
Artigo completo no destaque “Voos Baratos ✈️”

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O que é um voo “barato”?

Quem diria que as aulas de Epistemologia um dia iam dar jeito…Muitas vezes perguntam-nos coisas do tipo: “Sabem de alguma opção barata para ir de X a Y?”, “sabem de hotéis baratos em Y”. Depois de um palavrão entre suspiros, normalmente respondemos algo do género “depende do que for barato para si” e acrescento um smile ☺ para esconder a dor.

Mas afinal o que é barato? Um voo a €40 ida e volta para Madrid pode ser barato mas também pode ser caro. Dirá você, caro e estimado leitor: “barato é ter um preço abaixo da média”. Eu respondo: “obrigadinho, ir ler o dicionário Priberam online também eu”.

De um modo geral pode ser assim, mas neste caso é mais complexo do que isso. Há inúmeras variáveis em interação para definir se uma oferta é boa, má, ou se mais vale ir a pé. Ou seja, para dizer se um voo é “barato”, tem de se olhar (muito) para além do preço que se paga para ir do Aeroporto A para o Aeroporto B. Na opinião de quem lhe escreve, há 8 fatores principais a ter em conta:

Como encontrar voos baratos – Fatores que deves ter em conta:

1 – Voos: diretos ou com escalas

Esta é, talvez a mais óbvia de todos. Voos diretos, pela comodidade que oferecem, são automaticamente mais procurados, o que significa que as companhias aéreas os colocam obviamente a um preço mais elevado. É perfeitamente normal que um voo direto Lisboa – Cancun – Lisboa na TAP custe €500 e um voo Madrid – Cancun – Madrid, com escalas na nossa capital custe €300.

Isto significa que, para diminuir automaticamente um preço de uma determinada rota, devemos ter também em conta os voos com escalas e pouparemos algum dinheiro, perdendo apenas algumas horas de viagem.

Isto em companhias “legacy” (não low-cost), como a TAP, Iberia, Lufthansa, etc. No que toca às companhias low-cost (excepto a Vueling e a Transavia), que operam apenas voos diretos e, simplificando, não oferecem voos de conexão, o problema não se põe.

2 – Época Baixa vs Época Alta

Como filho de uma professora, é um fator particularmente importante cada vez que quero ir a algum lado com a minha mãezinha.

Sim, mãe, se me estás a ler, os voos para a Grécia em Agosto (quando tu e milhões de outros professores, crianças e, por consequência, os seus pais, tem férias) vão estar muito mais caros do que em Março ou Abril. Sim mãe, se quiseres ir às Maldivas em Fevereiro, durante a interrupção de Carnaval, também vai ser bastante mais caro do que ir em Maio. Porquê? Porque há mais procura para esse destino, a chamada época alta. Esta procura não é só baseada nas férias escolares mas, por exemplo, na questão da meteorologia, que também é extremamente importante.

No caso de países tropicais, como as Maldivas ou Tailândia, essa procura prende-se também com ser um destino quente no Inverno da Europa e da América do Norte e por época seca do país coincidir com esse mesmo inverno, tornando-se um destino extremamente atrativo nesta altura para quem procura sol, calor e praia.

A solução? Para quem tem férias fixas, não há grande coisa a fazer. Para quem tem mais facilidade em “manobrar” a alocação das férias: Apostar na shoulder season, ou, traduzindo, época intermédia. O que é que isto significa? Pegando no exemplo da Grécia: Quem quem puder viajar as primeiras 3 semanas de Junho ou as 3 últimas de Setembro irá provavelmente apanhar multidões mais pequenas e melhores preços de voos e hotel e temperaturas bastante semelhantes aos meses de Julho e Agosto.

Também salientar que, muitas vezes existem datas ou períodos mais restritos e específicos que também têm grande influência. Por exemplo, o mês de Dezembro para voos para a Lapónia ou a altura do Carnaval para o o Rio de Janeiro.

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3 – Flexibilidade

Relacionado com o ponto acima, temos a questão da flexibilidade.

Voar em Agosto é, em média, bastante mais caro que voar em Novembro. Voos às Sextas, Sábados e Domingos são geralmente caros do que voar à semana. Nós sabemos disso, o estimado leitor já saberá isso, e não foi para isto que aqui veio. Se por acaso não sabia, olhe, informação grátis.

Também sabemos que, por vezes, é só possível ter férias em determinados período, tal como a minha mãezinha, no exemplo acima.

O que o estimado leitor não se lembra muitas vezes é que, dependendo do dia em que marca as suas férias, pode poupar bastantes Euros, que pode depois usar para comer marisco até ficar num estado comatoso, independentemente de ser Agosto ou Novembro.

Porquê? Vamos lá explicar:

Imagine-se que o Senhor João, do Porto, quer ir uma semana para Tenerife. Por uma questão prática, vamos definir a data alvo ali no finalzinho de Setembro – início de Outubro. O senhor João decidiu então marcar férias de 27 de Setembro a 4 de Outubro, para ainda vir passar o feriado a casa. Boa escolha.

O senhor João vai ao site da Ryanair e descobre que nessas datas não há voos para Tenerife. Nas companhias aéreas “tradicionais” repara que, para as datas que quer e com ligações decentes, a melhor opção é a TAP, com escala em Lisboa, por €171:

 

No entanto, fica mais triste quando repara que, se tivesse investigado isto bem a fundo antes de marcar as suas férias, tinha conseguido um voo direto na Ryanair e poupado cerca de €120 (pese embora a questão da bagagem, que iremos explorar mais à frente) apenas ajustando as suas datas um dia: de 26 de Setembro a 3 de Outubro.

Não sejam como o senhor João. Caso tenham flexibilidade e pretendam viajar dentro da Europa, investiguem sempre se um destino é servido pelas low-cost e quais são os dias em que efetua os voos e planeiem as vossas férias / escapadinhas com essa informação em mente. A maioria das low cost não operam voos diários para a grande maioria das suas rotas mais “interessantes”. E mesmo nas não-low cost pode acontecer o mesmo.

“Guardar” um dia de férias para um fim de semana prolongado também é uma excelente ideia. Como os voos à Segunda Feira são, usualmente, (bem) mais baratos que ao Domingo, até pode acontecer que, pela diferença de valores dos voos, uma escapadinha de 3 noites fique mesmo mais barata que uma de 2, e possibilidade de usar esse “Joker” pode ser muito interessante.

4 – Quando comprar um voo

Aqui vamos nós…

Não há uma semana nem um dia mágico. Não há. Non. No. Nein.

Essas conclusões são usualmente retiradas do contexto e são resultado de uma avaliação estatística demasiado simplista, com contas de um taberneiro mau a matemática e já levemente embriagado. Terças-Feiras (usualmente apontado como o dia mágico) não são o melhor dia para nada a não ser para ver o Porto na Liga dos Campeões. Isto se o jogo não for numa Quarta.

Sim, há um período, relativamente longo, em que os voos estão ao seu preço mais baixo. Nas companhias  tradicionais, entre uns 3-8 meses.  Se quer voar na altura do Natal, Páscoa, Ano Novo, etc, adicione mais 1 mês a estes períodos. Nas low cost usualmente acontece entre 2-6 meses antes da viagem, sendo que é muito mais imprevisível e é possível encontrar bons preços, em em algumas rotas com apenas semanas de antecedência. Vai depender da rota e da procura que a mesma tenha.

Uma coisa importante é de ressalvar é que, num período de 3-8 meses não vai haver um ponto em que os valores estão mais baixos mas, provavelmente, 2 ou até 3 vezes, dependendo de inúmeros fatores imprevisíveis.

Como vê o estimado leitor, não é propriamente exatidão militar. Dentro disto, quem disser que sabe a semana em que vão ser mais baratos tem informação interna ou é vidente.

Outra coisa: por vezes esperar demasiado para comprar um voo ao preço mais baixo possível acaba por ter o resultado inverso. Se o estimado leitor verificar que o preço é comportável para a sua carteira, avance. Principalmente quando estamos a falar de voos low cost, é possível que na tentativa de poupar mais €5 corra o risco significativo de acabar a pagar mais €20, dada a crescente imprevisibilidade na variação das tarifas pós-covid.

O que aconselhamos é ir monitorizado os preços dentro destes intervalos, primeiro semanalmente e depois bi-semanalmente, para ter uma ideia das flutuações possíveis, que garantirá uma melhor noção dos preços para a rota que interessa. Pode usar ferramentas como o Google Flights, Skyscanner ou outras e colocar alertas de descidas de preço.

Dito isto há algumas datas “fixas” que são sempre interessantes. Por exemplo, no caso da TAP, as promoções de aniversário costumam ser bastante boas, tal como na Ibéria no Dia dos Namorados, principalmente os descontos em vale.

5 – Horários dos voos

Não são só os as datas e antecedência que influenciam o preço de uma viagem. Os horários dos voos também. Principalmente no caso em destinos que são servidos por voos com múltiplas frequências diárias para destinos bastante procurados. Por exemplo, voos para os Açores e Madeira.

Partindo do princípio básico que já sabemos que voos às Sextas e Domingos são usualmente mais caros, reparemos neste exemplo:

A Dona Lucinda, lisboeta de gema, quer ir passar o fim de semana de 15-17 de outubro à Madeira. Boa escolha. A Dona Lucinda sai do seu trabalho às 16:30 de sexta-feira e volta a entrar às 09:00 de segunda. O horário de voos ideal para a Dona Lucinda seria um voo às 18:30-19:00 e o retorno, no dia 17, no mesmo horário ou até um pouco mais tarde.

Nós sabemos isso e a Dona Lucinda sabe disso. Quem mais sabe isso? As companhias aéreas, que vão aplicar um premium a horários mais favoráveis às milhares de Donas Lucindas deste mundo, e a toda a população ativa que tem um trabalho “das 9 às 5”.

Opção mais barata:

Opção mais conveniente para a maioria das pessoas, nas mesmas datas:

Como contornar isto? Bem, em princípio estes voos nas faixas horárias a partir das 17-18 de Sexta e no mesmo período no Domingo serão sempre mais caros. Nos casos em que o estimado leitor encontrar este tipo de voos ao mesmo preço dos outros ou mesmo apenas até 20-25% superiores, marque imediatamente. Não ficarão mais baratos e são os primeiros a esgotar as tarifas mais baixas.

6 – Aeroporto de destino / retorno e acessibilidades:

Às vezes o preço dos voos não é tudo. Porque é preciso chegar efetivamente ao destino e os Aeroportos podem distar dezenas de quilómetros da sua cidade de referência. Em cidades que têm dois ou mais aeroportos, interessa também comparar não só a tarifa de voar de X para Y mas também quanto é que custa o transporte do aeroporto para o nosso hotel e vice-versa e o tempo que demora.

Pode acontecer que por vezes um voo de €20 para o Aeroporto Y da Cidade X acabe por implicar mais €30 para ir voltar do aeroporto para o centro da cidade e um voo de €30 para o Aeroporto Z da mesma cidade acabe por implicar apenas mais €5.

Destinos como os aeroportos de Paris Beauvais, Bruxelas Charleroi ou Frankfurt Hahn, servidos pela Ryanair são, talvez, os exemplos mais gritantes desta situação.

Um truque? Quando um aeroporto servido pela Ryanair tem dois nomes, esquece o primeiro e centra-te no último, que dá uma pista muito mais exata sobre a sua localização 😀

7 – Bagagem e lugares marcados:

Por vezes, voar em low-cost pode ser mais caro do que numa “legacy”. Como? Basta precisar de uma mala de cabine ou marcar lugares.

Como o estimado leitor saberá, low costs como a Easyjet, Ryanair ou Wizz Air apenas permitem o transporte de um item de cabine que possa ser colocado sobre o banco da frente. Quem quiser levar um “trolley” ou outro volume de maiores dimensões ou escolher o seu lugar no avião terá de pagar um extra.

Há uma honrada exceções entre estas companhias que continua a permitir uma mala de cabine de dimensões normais: a Transavia,

Por vezes, a adição destes “extras” torna a viagem mais cara quando comparada com voos numa TAP, Iberia, Air France ou KLM, que oferecem seleção gratuita de lugares no momento do check in e incluem já uma mala de cabine.

8 – Não ficar “preso” ao Aeroporto mais perto:

A Dona Lucinda, adorava ir à Sardenha, para morenar naquelas praias soberbas. Problema. Não há voos diretos de Lisboa. E os que há com escala ficam acima de €300 ida e volta.

A Dona Lucinda, esperta como é, indaga-se: “E a partir do Porto?”. Com uma viagem de 3 horas de autocarro, consegue poupar mais de €250.

Portugal é um país pequeno, e faz todo o sentido quem está no Porto ver opções alternativas a partir de Lisboa, Vigo ou Santiago de Compostela, e quem está em Lisboa ver opções alternativas a partir de Porto e Faro. Quem está em Faro poderá não só ver os preços a partir de Lisboa, como de Sevilha, que é um aeroporto com uma disponibilidade de rotas low-cost muito grande.

Como encontrar voos baratos – As ferramentas que deves usar

De longe, De Férias.pt 🙂

Vá, agora a sério:

Para além do De Férias.pt(que são hiper mega espetaculares, claro), e tendo de ter em conta tudo que escrevemos anteriormente, a nossa ferramenta de eleição é o Google Flights, que compara os preços de todas as companhias aéreas a voar a rota que escolher. Há quem aconselhe o Skyscanner, mas achamos que a sua interface o torna um pouco “meh”. Pessoalmente não somos grandes fãs.

As principais vantagens do Google Flights são a interface limpa, a capacidade de personalização, exatidão, intuitividade e, principalmente, a rapidez.

Também pode utilizar o histórico para fazer a monitorização de preços e ter mais ou menos uma noção dos valores.

Nota: Esta variação não tem em conta o contexto e tem de ter em atenção esse facto. O que é que isto significa? Que, por exemplo, ele poderá dizer que um voo para Barcelona no fim de semana do Carnaval está caro para a média, mas não está a considerar que é um voo num fim de semana com uma procura significativa. Tem sempre atenção ao contexto e à época em que vais viajar para tomar uma decisão.

O Kayak Explore é uma opção interessante para quem não tem destino definido e quer ter uma noção dos preços e das rotas:

Ah e quanto ao modo anónimo no browser, as VPN’s e as cookies: não temos evidência de que seja efetivamente eficaz e muitos dos relatos que existem podem ser explicados por outras situações.

Depois é, como nós, ir ganhando experiência, que é, na verdade, a única diferença que nos separa do estimado leitor. Não usamos algoritmos, nem softwares nem “hacks”. Todas as ofertas que publicamos são baseadas exclusivamente (ou quase exclusivamente), nas ferramentas acima.

Conclusão

Como poderá comprovar o nosso caro leitor, dizer se um voo acabou por barato ou caro, dependerá imenso do contexto, da conveniência, da flexibilidade, e da capacidade para vestir várias camadas de roupa – tornando-se uma fabulosa réplica do Homem da Michelin – e meter o resto numa mochila da escola, que vai ter de atafulhar debaixo de um assento e ficar sem espaço para as pernas. E da carteira de cada um, claro.

Considerar um voo barato ou caro dependerá, acima de tudo do seu caso concreto e da sua facilidade em lidar com as variáveis acima, e menos de uma tabela de valores pré estabelecida. O preço em si, é apenas uma das variáveis para definir se um voo foi “barato”. Isto é, a análise deve ser feita utilizando um ponto de vista qualitativo mais do que um ponto de vista puramente quantitativo.

Mas do que ter um preço baixo, o que se quer é um voo que responda ás necessidades.

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