• 2026-07-09 20:20:08
  • Bruno A.

Donos de clubes de praia enfurecidos após Governador da Puglia autorizar banhistas a levar comida para zonas concessionadas 🍹🥪⛱️

O Governador da Puglia publicou uma mensagem a relembrar os banhistas de que é ilegal proibir o consumo de alimentos trazidos de casa na praia, mesmo nas zonas concessionadas! A reacção dos operadores foi negativa, espoletando um debate aceso sobre a privatização da costa Italiana e a falta de controlo e transparência nos processos de licenciamento.

O sector turístico da região italiana da Puglia parece ter sido abalado nos últimos dias, após o governador da comunidade, Antonio Decaro, ter anunciado aos gerentes dos beach clubs locais que os visitantes têm todo o direito de se fazer acompanhar de comida proveniente do exterior. Naturalmente, a reacção não foi positiva, com reclamações de que esta decisão afecta negativamente os negócios e contribui para uma degradação da experiência global.

De acordo com o The Times, na origem da controvérsia está um vídeo publicado pelo próprio governador nas redes sociais, relembrando todos os turistas e visitantes de que ninguém os pode legalmente impedir de consumirem comida trazida de casa nas concessões privadas das praias, nem nos clubes. Adicionalmente, Decaro deixou ainda uma achega aos donos desses beach clubs, acusando-os de procurarem activamente (e ilegalmente) banir alimentos exteriores para incentivarem o consumo de alimentos vendidos no local.

Nessa comunicação, o autarca deixou bem claro que esta posição é ilegal, e que não passa de uma forma de ultimato para com os clientes, frisando ainda que a praia e o mar são recursos públicos e que não se podem tornar “um luxo”. De resto, a sua intervenção surge numa altura em que a opinião pública Italiana tem vindo a investigar e criticar os fortes aumentos dos custos nos clubes de praia do país, com alguns locais a cobrarem já €80/dia por um guarda-sol e duas espreguiçadeiras durante a época alta.

Em reacção, vários grupos de defesa do consumidor elogiaram a intervenção de Decaro, relembrando que a lei Italiana permite que os banhistas consumam os seus próprios alimentos na praia, mesmo nas secções geridas por operadores privados. Afinal – dizem – ainda que as concessões sejam privadas, as praias em si continuam a ser um bem/património público. Ao mesmo tempo, lançaram críticas a algumas práticas recorrentes por parte de alguns beach clubs, como expor sinais e placas a proibir o consumo de alimentos externos ou até mesmo instituir a inspecção de mochilas à entrada.

Já os operadores, discordam veemente da decisão e comunicação do governador, deixando o alerta de que encorajar este tipo de consumo em estilo de piquenique poderá colocar em risco a reputação da Puglia enquanto destino premium. De resto, um dos representantes da Assoturismo, a organização de operadores turísticos, chegou ao ponto de argumentar que alguns banhistas trazem refeições demasiado elaboradas de casa, o que cria lixo e odores desagradáveis, incomodando os restantes clientes.

Para além disso, e num argumento que parece bem mais cândido, o mesmo representante lá admitiu que a venda de comidas e bebidas representa uma parte importante do modelo de negócio, e que as receitas provenientes ajudam a cobrir custos relacionados com a manutenção das instalações e dos serviços. No fundo, e como em tudo na vida, o dinheiro (ou falta dele) acaba por ser o mais propulsor no que toca às reacções.

Independentemente do lado que tenha razão (moral ou legal), o que é certo é que este episódio representa mais uma acha para a fogueira que é a discussão recente sobre a elevada privatização da costa Italiana, já que se estima que aproximadamente 1/3 deste território esteja nas mãos de cerca de 30.000 operadores privados. Pior ainda, não parece existir qualquer ferramenta de controlo no que toca às atribuições de licenças ou à monitorização de potenciais práticas ilegais, levando a própria UE a actuar e a obrigar o país a introduzir concursos para todos os licenciamentos dos beach clubs até 2027!

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