Vários países do Médio Oriente fecharam parcial ou totalmente o seu espaço aéreo após ataques militares e lançamentos de mísseis, o que levou ao cancelamento ou desvio de milhares de voos. Companhias como Lufthansa e Turkish Airlines suspenderam temporariamente voos para destinos como Telavive, Beirute, Amã, Erbil, Teerão, Dubai, Abu Dhabi, Qatar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português desaconselha atualmente viagens para o Médio Oriente e recomenda aos portugueses que já estão na região que se mantenham em casa ou em local abrigado, sigam as instruções das autoridades locais e contactem as embaixadas em caso de necessidade.

Tens voo de ou para Portugal com escala no Médio Oriente?
Se o teu itinerário inclui uma escala em Dubai, Abu Dhabi, Doha ou noutro aeroporto da região, mesmo que o teu destino final seja na Ásia, África ou Oceania, estás potencialmente em risco de cancelamento ou reencaminhamento.
1. Cancela-se um trecho, cai o itinerário inteiro
Nos bilhetes com um único localizador (um só PNR), se um dos segmentos for cancelado – por exemplo Doha–Bangkok ou Dubai–Sydney – o sistema pode anular automaticamente o percurso completo. Isso pode acontecer mesmo que o voo Lisboa – Doha ainda apareça como “a operar”, porque a ligação deixou de ser possível por encerramento de espaço aéreo ou decisão operacional da companhia.
2. Reencaminhamento por hubs alternativos
As companhias estão a tentar reencaminhar passageiros por outros hubs europeus ou asiáticos, como Frankfurt, Paris, Londres, Madrid ou Istambul, contornando o espaço aéreo iraniano, iraquiano e israelita. No entanto, a capacidade é limitada, os tempos de voo aumentam e alguns voos estão a esgotar rapidamente.
3. Mudanças em cima da hora
Num cenário de conflito, decisões podem ser tomadas no próprio dia: alteração de horários, mudança de aeroportos de escala, atrasos significativos ou novos cancelamentos de última hora. É essencial acompanhá-los em tempo real. Uma ferramenta que pode ser importante é a app FlightRadar24

4. Atenção aos voos em código partilhado (codeshare)
Mesmo que tenhas comprado o bilhete a outra companhia (por exemplo, TAP, Air France ou British Airways), se um dos segmentos for operado por Emirates ou Etihad, podem aplicar-se as suspensões anunciadas por estas transportadoras nos voos para vários países do Médio Oriente.
Passo a passo: o que fazer se fores passageiro afetado pelos cancelamentos dos voos de/para o Médio Oriente
1. Confirmar o estado do voo (antes de sair de casa)
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Verifica sempre o estado do voo diretamente no site ou app da companhia aérea, na área “Gerir reserva” ou equivalente.
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Ativa notificações por SMS, e-mail ou app para receber alertas de atrasos e cancelamentos.
Regra de ouro: não vás para o aeroporto sem confirmação clara de que o voo está a operar.
2. Falar com a companhia aérea: reembolso ou nova rota
Se o teu voo de ou para Portugal for cancelado ou o itinerário deixar de ser possível, tens direitos ao abrigo do Regulamento CE 261/2004, sempre que:
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a partida é de um aeroporto da União Europeia (por exemplo Lisboa, Porto ou Faro), ou
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a companhia aérea é europeia e o destino é um aeroporto da UE.
Nestes casos, podes escolher entre:
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Reembolso integral do bilhete (segmentos não utilizados, e também os utilizados se o resto da viagem já não fizer sentido).
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Reencaminhamento para o destino final “logo que possível” ou em data posterior a teu pedido, sujeito a lugares disponíveis.
Porque se trata de uma circunstância extraordinária (guerra, encerramento de espaço aéreo), é muito provável que não tenhas direito à compensação em dinheiro até 600 €, mas manténs sempre direito a reembolso ou reencaminhamento.
Dica prática: quando contactares a companhia, pede logo duas opções claras – “reencaminhamento na primeira oportunidade, mesmo via outro hub” ou “reembolso integral”.
No caso de o teu voo não estar abrangido pelo regulamento Regulamento CE 261/2004, é possível que siga disposições legais locais para proteção e direitos dos passageiros, por isso deves perguntar sempre, quais são as tuas opções.
3. No caso de teres reservas de hotéis, atividades, etc, no teu destino final, contacta-os imediatamente.
Embora possam ser não reembolsáveis, há a possibilidade de, dada a situação, os hotéis / operadores serem compreensíveis e permitirem reembolsos ou, pelo menos, alterações de datas sem penalização.
4. Contactar o seguro de viagem
Se contrataste um seguro de viagem, é o momento de ler as letras pequenas:
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Alguns seguros incluem “perturbação de viagem” ou “instabilidade política” e podem cobrir custos extra de alojamento, novas emissões de bilhetes ou cancelamento da viagem.
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Em muitos casos, a apólice prolonga-se automaticamente até conseguires regressar, se o atraso/cancelamento for alheio à tua vontade.
Conselho essencial: guarda todos os comprovativos de hotéis, refeições, táxis, transportes, chamadas, para poderes reclamar depois junto da seguradora e, se aplicável, da companhia aérea.
5. Seguir os avisos do MNE e das autoridades locais
O MNE português desaconselha atualmente viagens ao Médio Orientee recomenda que portugueses na região permaneçam em casa, evitem deslocações desnecessárias e sigam à risca as instruções das autoridades locais.
Se já estás na região:
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Regista-te na app “Registo Viajante” do Portal das Comunidades e mantém o contacto atualizado.
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Em caso de emergência, contacta a embaixada ou consulado de Portugal mais próximo ou o Gabinete de Emergência Consular (+351 961 706 472 e +351 217 929 714 ou [email protected])cuja informação está, também, no Portal das Comunidades.
- No caso de não conseguires contactar as autoridades portuguesas e/ou estares num país sem representação consultar portuguesa, podes tentar entrar em contacto com as autoridades consulares de qualquer outro país da União Europeia.
6. Direito a assistência: refeições, hotel e transportes
Se ficares retido num aeroporto devido a cancelamento ou grande atraso e optares por ser reencaminhado, poderás ter direito a assistência por parte da companhia aérea:
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refeições e bebidas proporcionais ao tempo de espera,
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duas chamadas telefónicas, e-mails ou meios de comunicação,
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alojamento em hotel caso seja necessário pernoitar,
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transporte entre o aeroporto e o hotel.
Estes direitos aplicam-se mesmo em cenário de circunstâncias extraordinárias: a diferença é que pode não haver compensação monetária adicional, mas a assistência continua a ser obrigatória.
Já estás retido em Dubai, Doha ou outro hub?
Se já voaste e ficaste “preso” num hub do Golfo, aplica-se a mesma lógica, mas com ainda mais urgência.
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Enquanto existem restrições significativas de tráfego aéreo na região, a companhia que te transportou até ali é responsável por prestar assistência (hotel, refeições, transportes) enquanto esperas um novo voo de regresso ou reencaminhamento.
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Quando o tráfego aéreo for retomado, tens direito a ser colocado no próximo voo disponível para o teu destino final, caso exista disponibilidade, incluindo, se necessário, através de outras companhias, desde que faça parte do mesmo bilhete.
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Contacta o teu seguro de viagem para confirmar se tens cobertura extra por atraso prolongado ou necessidade de alterar a data de regresso.
Se a situação de segurança se agravar, segue sempre as orientações das autoridades locais e dos serviços consulares, mesmo que isso implique esperar por uma operação de repatriamento organizada pelo teu país.
Dicas para quem ainda não viajou, mas tem viagem marcada
Se estás em Portugal e tens viagem futura marcada com escala no Médio Oriente:
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Acompanha diariamente o estado dos voos e os alertas do MNE; as recomendações podem mudar de um dia para o outro.
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Considera, se possível, alterar voluntariamente a rota para um itinerário via hubs europeus ou noutras regiões, evitando a dependência de aeroportos que estão a ser diretamente afetados pelo conflito.
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Se o MNE desaconselhar formalmente viagens para o teu destino, fala com a agência de viagens ou operador turístico: muitos permitem remarcação ou crédito futuro sem penalização em contextos de segurança instável.
Política de reembolso e alterações das principais companhias aéreas do Médio Oriente