Tudo o que precisas de saber para visitar a China – guia de viagem, internet, apps de pagamento, transportes e muito mais! 🇨🇳

  • 20.01.2026 17:20
  • Bruno A.

Guia de viagem completo, ideal para quem procura que locais visitar e o que fazer na China. Inclui informações detalhadas sobre as apps de pagamento WeChat e Alipay, como ter acesso à internet sem restrições, transportes e como reservar hotéis, bem como um resumo dos melhores destinos para visitar na China.

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Um dos países mais culturalmente ricos e fascinantes que o nosso planeta tem para oferecer, a grandiosa República Popular da China é uma nação envolta em misticismo. Lar de mais de 1.4 mil milhões de pessoas de 56 grupos étnicos diferentes, a China estende-se ao longo de uns inacreditáveis quase 10 milhões de metros quadrados – das margens do Pacífico aos Himalaias, das estepes da Mongólia e da Ásia Central à ilha tropical de Hainan.

Sem surpresa, isto acaba por se reflectir num destino turístico extremamente diverso, pautado por metrópoles ultramodernas e megalómanas, cidades históricas, parques nacionais e monumentos conhecidos a nível mundial, com a lendária Grande Muralha da China à cabeça. Verdade seja dita, seriam precisas décadas para descobrir tudo aquilo que o país tem para oferecer, já que as autoridades fazem todos os esforços para preservar e reabilitar potenciais locais turísticos. Felizmente, o país parece estar a relaxar as suas regras de visto e a receber cada vez mais visitantes estrangeiros, abrindo assim a porta à necessidade deste guia de viagem!

Assim sendo, e se estás à procura de o que fazer na China, vieste ao sítio certo! Aqui descobrirás quais os destinos/cidades que não podes perder no país, bem como todas as restantes informações necessárias para preparares a tua aventura. Acompanha-nos neste guia de viagem da China e descobre como utilizar as apps WeChat e Alipay para fazer pagamentos, como ter acesso à internet sem restrições, como reservar hotéis, como te deslocares entre cidades e ainda quais os destinos que não quererás perder no Reino do Meio.

Guia de Viagem da China

Como chegar à China – Voos desde Portugal

Sem surpresa, dada a dimensão geográfica e populacional do país, a China conta com nada menos que 76 (!!!) aeroportos internacionais, sendo possível encontrar voos para o país a partir de vários pontos do globo. Seja como for, e para quem venha da Europa, o mais provável é aterrar numa das quatro cidades mais movimentadas do país: Beijing, Shanghai, Chongqing e Hong Kong.

Infelizmente, não existem actualmente voos directos de Portugal para nenhuma destas cidades chinesas. No entanto, é possível encontrar inúmeras rotas com escala no estrangeiro através de diferentes transportadoras. Embora o melhor seja sempre consultar plataformas como a Google Flights para monitorizar as melhores ligações, companhias como a Air France, KLM, SWISS, Lufthansa, British Airways, Finnair, Royal Air Maroc e Turkish Airlines costumam ter as melhores ofertas a partir de Porto e Lisboa, com voos para Beijing, Shanghai e Hong Kong a partir dos €550 (ida-e-volta).

Quantos dias são necessários para visitar a China?

Tendo em conta que a China é 2º país do mundo com mais locais designados Património da Humanidade pela UNESCO, este é um daqueles destinos onde seria possível passar meses (ou até anos) sem que ficasses sem coisas para fazer ou sítios para visitar. Falando por experiência própria, a quantidade de locais dignos de interesse e áreas cénicas chega a roçar o absurdo, já que cada cidade conta com várias áreas zonas turísticas onde podes facilmente passar um dia inteiro em cada. Para além disso, as distâncias são gigantescas!

A título de referência, este é o 4º maior país do mundo, e são mais de 6000 os quilómetros que terás que atravessar se quiseres viajar entre Kashgar, um dos pontos mais ocidentais da China, e Fuyuan, o mais ocidental. Posto isto, aplica-se a velha máxima de que “quanto mais, melhor”!

No entanto, para aqueles que possam não ter tanta disponibilidade de tempo e/ou orçamento, é recomendado que reserves pelo menos uma quinzena de férias para a tua visita à China. E mesmo assim, terás que ser altamente selectivo e aceitar que o Reino do Meio é uma daquelas nações para se visitar vezes e vezes sem conta – provavelmente o destino que mais merece um replay.

Posto isto, e embora no final possas ter acesso a vários roteiros de 2 semanas, com 15 dias poderás fazer o itinerário que te seja mais conveniente entre os destinos mais clássicos da China, como Beijing, Shanghai, Xian, Hong Kong, Macau, Zhangjiajie, Chongqing, Chengdu, Suzhou, Hangzhou, Pingyao, Datong, Xinjiang, Tibete, o Rio Li ou a Província de Yunnan – entre outros!

Melhor altura para visitar a China

Atendendo à dimensão da China e ao facto de que o pais contém regiões com vários tipos de clima distintos, a verdade é que é perfeitamente possível ter uma experiência confortável em todas as épocas e estações do ano. Para além disso, e mesmo em cidades onde faça frio durante o Inverno, as redes de transportes são excelentes e a maioria das atracções de cariz cultural, o que significa que as temperaturas são suportáveis e não irão afectar em demasia a tua experiência.

Para além disso, alguns destinos desfrutam de Invernos extremamente amenos, especialmente no sul, onde podes escapar ao frio e visitar algumas das cidades mais bonitas da China na Província de Yunnan, ou até mesmo ir a banhos na ilha de Hainan. Em suma, a China é tão grande que o melhor será olhar às condições de cada província ao invés das condições gerais do país.

Ainda assim, e de uma forma geral, a melhor altura para visitar a China será durante a shoulder-season, correspondente às estações de Outono e Primavera, quando as temperaturas são mais agradáveis e a probabilidade de chuva menor. Especialmente no Outono, as cores da China são particularmente encantadoras, fazendo dos meses de Setembro, Outubro e Novembro alguns dos mais populares entre turistas internos para apreciar a folhagem do país.

Posto isto, e mais importante que a melhor altura para visitar a China, é extremamente importante falar da melhor altura para NÃO VISITAR. Seguramente já terás lido isto em algum lado, mas vale a pena reiterar: ao planeares a tua viagem, evita a todo o custo que a mesma coincida com algum dos holidays Chineses. Estes são períodos que apanham feriados importantes e que os locais costumam aproveitar para tirar férias. Escusado será dizer que, num país com 1.4 mil milhões de pessoas, as multidões são avassaladoras, para além de fazerem disparar os preços do alojamento e dificultarem a obtenção de bilhetes de comboio.

Falando-vos do meu caso específico, que visitei Zhangjiajie durante um destes holidays, demorei 3h30 desde a entrada no parque até conseguir subir a uma das montanhas de teleférico. Fica o aviso!

Para que saibas o que evitar, aqui estão as datas dos feriados/holidays na China:

  • Ano Novo: 1 de Janeiro
  • Ano Novo Chinês: Período de 1 semana, a começar entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro (data varia)
  • Festival Qingming: Dia 4, 5 ou 6 de Abril (data varia)
  • Dia do Trabalhador: 1 a 5 de Maio
  • Festival do Barco do Dragão: Período de 3 dias, a começar entre o final de Maio e o final de Junho (data varia)
  • Dia Nacional: 1 a 8 de Outubro

Documentos necessários para visitar a China

Durante muitos e longos anos, visitar a China podia ser uma dor de cabeça logística. Para além de ser necessário efectuar o pedido de visto em pessoa na embaixada de Lisboa, todo o processo era bastante lento, detalhado e custoso. Felizmente, a política Chinesa para com visitantes estrangeiros parece finalmente ter dado uma volta de 180º, com cada vez mais países a serem adicionados a uma lista de nações cujos cidadãos estão agora isentos de visto.

Felizmente, Portugal é um desses países desde final de 2023, com o regime actual, que deveria expirar em Dezembro de 2025, a ser prolongado por mais 1 ano até 31 de Dezembro de 2026.

Para ser abrangido pelo regime de isenção, a tua viagem terá que se enquadrar dentro de um destes trâmites: negócios, turismo, visita familiar, intercâmbio e/ou trânsito. Importa ainda ressalvar que esta isenção é aplicável a todos e quaisquer portos de entradas abertos a cidadãos, sejam eles aéreos, terrestres ou marítimos. Para além disso, podes circular por toda a China sem limitações (à excepção do Tibete, onde precisas de um tour guiado), não ficando circunscrito a uma única cidade ou região, contrariamente à política de trânsito de 240 horas.

Se entrares na China sem visto, podes permanecer no país durante 30 dias consecutivos, sendo que podes usufruir do regime as vezes que bem entenderes até 31 de Dezembro de 2026 (podes sair e voltar a entrar para a contagem dos 30 dias começar de novo). Importa ainda reforçar que esta política é relativa à China Continental (Mainland China), e que por isso os territórios de Hong Kong e Macau mantêm os seus próprios programas de entrada/saída e controlos de fronteira, nos quais os portugueses também não precisam de visto. Numa nota final, o teu passaporte deverá ter uma validade mínima de 6 meses a contar da data de saída.

Descobre mais: Vais viajar e tens o Passaporte ou Cartão de Cidadão caducado ou perdido? Vê aqui o que podes fazer

É necessário adaptador de tomada para a China?

Sim e não. Oficialmente, na China utilizam-se 3 tipos de tomada: A, C e I; sendo que as tipo C são compatíveis com as portuguesas. Quase todos os quartos de hotel têm tomadas adaptadas a dispositivos com estas fichas, o que significa que podes utilizar e carregar os teus dispositivos. No entanto, se precisares de utilizar as áreas comuns ou de carregar o teu telemóvel (por exemplo) numa loja, restaurante ou qualquer outro espaço, podes ter o azar de encontrar apenas tomadas de tipo A ou I.

Nesse caso, será necessário utilizar um adaptador de tomada se viajares para a China, já que  estas tomadas elétricas não são compatíveis com as fichas dos nossos aparelhos electrónicos.  Para os viajantes mais regulares, pode valer a pena comprar um adaptador universal que permite ligar o teu dispositivo a múltiplos tipos de tomada. Por exemplo, este, vendido pela Amazon, pode ser uma boa opção.

Quanto a Hong Kong e Macau, as tomadas utilizadas são do tipo G, o que significa que aí irás mesmo precisar de um adaptador.

NOTA: já que falamos de dispositivos electrónicos, é extremamente importante referir que a lei Chinesa não permite power banks sem certificação local (chamada certificação 3C) em voos internos. Isto significa que, se contas apanhar um voo doméstico no país, a tua power bank europeia será confiscada.

Seguro de viagem para a China

Já diz o velho ditado que “os acidentes acontecem”. Especialmente num meio que nos é estranho ou pouco familiar, é importante estar devidamente preparado para qualquer contratempo que possa aparecer. Infelizmente, ainda não nos é possível controlar o futuro ou voltar atrás no tempo, pelo que a melhor solução no estrangeiro passa pela precaução e pela contratação de um bom seguro de viagem. E aí, recomendamos os seguros de viagem da Heymondo.

A título pessoal, posso confirmar que já me vi obrigado a activar o seguro da Heymondo mais do que uma vez (inclusive para um bebé pequeno) e a resposta dada pela equipa foi sempre bastante boa, colocando-me em contacto directo com um médico no espaço de 1 ou 2 horas. Curiosamente, uma dessas ocorrências teve precisamente lugar na China!

Se compararmos com o maior player do mercado português de seguros de viagem, e desde já salvaguardando a potencial existência de diferenças mínimas nas coberturas e limites, os preços da Heymondo são mais baixos que os da concorrência (comparando os mesmos destinos e mesmas datas). Para além disso, as apólices da Heymondo têm limites mais generosos de assistência médica, cobertura de bagagem, despesas odontológicas e equipamentos electrónicos. Se assim o pretenderes, podes ainda adicionar cobertura contra o cancelamento da viagem, permitindo recuperar o dinheiro caso não seja possível viajar (42 motivos para o cancelamento incluídos).

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Internet na China – VPN e eSIM para ultrapassar os bloqueios da Great Firewall

Se estás a planear a tua viagem à China, é extremamente importante que saibas que praticamente todo o conteúdo e plataformas que estás habituado a visitar na internet em Portugal está bloqueado no Reino do Meio – chamam-lhe a Great Firewall of China!

Isto inclui qualquer serviço da Google (motor de busca, gmail, maps, etc.), redes sociais (Facebook, Instagram, X/Twitter, TikTok, LinkedIn), YouTube ou quaisquer outras plataformas de mensagem e entretenimento (Telegram, Whatsapp, Reddit, Quora). No fundo, a internet como a conhecemos não está disponível na China, com os nativos a utilizarem as versões locais dos motores de busca e redes sociais.

Isto significa que, se não te preparares antecipadamente, não vais conseguir utilizar a internet para quase nada, mesmo com ligação wi-fi e rede móvel de alta qualidade em praticamente todo o lado. Felizmente, existem formas bastante simples de dar a volta ao assunto!

Melhor VPN para a China

Uma das formas mais consensuais e procuradas para ultrapassar os bloqueios de internet na China para por contratar uma VPN. De forma muito simplista e rápida, uma VPN é um serviço que “mascara” o teu IP, permitindo-te ligar à internet utilizado um servidor intermediário de outro país. Ou seja, se navegares na internet em Portugal e te ligares a uma VPN com servidor em Espanha, o serviço de internet irá assumir que é lá que estás.

Isto permite-te encriptar os teus dados pessoais, esconder o teu IP e – o mais importante neste caso – ultrapassar potenciais obstáculos e bloqueios que estejam em vigor no país em que estás fisicamente.

É certo que o facto de precisares de utilizar um servidor intermediário irá tornar a ligação um pouco mais lenta, mas mesmo assim será mais que suficiente para navegar na web, utilizar redes sociais, ver vídeos/filmes e até fazer chamadas por vídeo. Nesse ponto, é importante escolher servidores em países geograficamente próximos, para minimizar a potencial lentidão.

Posto isto, se estiveres na China e te ligares com uma VPN a um servidor de um país/território próximo sem restrições de internet, como Hong Kong, Taiwan, Japão, Coreia do Sul ou Singapura, então poderás ter acesso a todos os serviços que estás habituado a utilizar e com mínimo impacto na velocidade!

Quanto à melhor VPN a utilizar, aqui podes esquecer os líderes de mercado. Plataformas conhecidas, como a ExpressVPN, NordVPN ou Surfshark NÃO funcionam na China, já que a Great Firewall as consegue bloquear. No meu caso, recomendo vivamente a LetsVPN, a única VPN que utilizei e que funcionou sempre sem quaisquer falhas de ligação ao longo dos mais de 2 meses que passei na China Continental. Outras plataformas com boas reviews incluem a Astrill, a VeeeVPN e a Mullvad (utilizei esta, nem sempre funcionava).

A LetsVPN tem a versão regular e a versão platinum, sendo que a primeira apenas te permite ligar a um servidor de Hong Kong e a segunda a qualquer servidor de uma lista de mais de 30 localizações. Em ambos os casos, só podes ter 2 dispositivos ligados na mesma conta ao mesmo tempo (ou seja, se precisares de ligar um 3º dispositivo, terás que fazer log-out em um dos outros dois). Como podes ver pela imagem abaixo, os preços são extremamente acessíveis, com a versão platinum a custa apenas $2,99 por 1 semana e $6,69 por 1 mês inteiro.

Caso nunca tenhas utilizado uma VPN e tudo isto te soe demasiado complexo, é bom saber que a ligação não podia ser mais simples. Basta um simples click et voilà – está feito!

O servidor pré-definido é o automático (que em 99% das vezes te irá ligar a de Hong Kong), mas se quiseres alterar a localização basta premir “Switch Region” e escolher o servidor que te aprouver.

Contratar um eSIM para a China

No entanto, e embora recomende subscrever uma VPN como plano B, a melhor solução passa por contratar um eSIM, já que estes cartões também te permitem ultrapassar as restrições da Great Firewall. Acontece que os eSIM de empresas internacionais direccionam o seu tráfico através de servidores localizados fora da China, o que significa que, tecnicamente, operam como se tivessem uma VPN naturalmente embutida no serviço!

A melhor parte: não precisas de fazer absolutamente nada! É só instalar o cartão antes de partir e a activação é automática assim que aterras na China, sendo que podes começar imediatamente a navegar sem restrições, como fazes em qualquer outro destino. Não precisas sequer de premir um único botão para que a internet fique “desbloqueada”.

De resto, acredito que esta opção é praticamente obrigatória, já que ter internet no telemóvel é condição essencial para conseguires fazer o que quer que seja na China. Todos os pagamentos são feitos por via digital, muitos restaurantes só aceitam pedidos através das suas plataformas online, e até os transportes públicos são utilizados exclusivamente por via de cartões electrónicos em algumas cidades.

Noutros países, não ter net no telemóvel é só chato. Na China, é a diferença entre desfrutares de um dia tranquilo ou teres dificuldade para conseguir fazer a mais básica das tarefas.

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WeChat e Alipay – Como fazer pagamentos na China

Em muitos aspectos, a China parece viver num comprimento de onda diferente do resto do mundo. A internet é um desses aspectos, mas a forma como o dinheiro é gerido e transaccionado também. Afinal, o país tem uma economia praticamente cashless, onde embora os pagamentos em dinheiro sejam aceites, são já uma raridade e maioritariamente vistos como uma inconveniência.

No entanto, isto não significa que possas pagar com cartão em todo lado. Onde quer que vás, das grandes cadeias de restauração e supermercados aos vendedores ambulantes que vendem fruta ou doces na rua, toda a gente aceita pagamentos electrónico através de duas apps: WeChat e Alipay!

Embora prefira pessoalmente o Alipay, por achar a interface mais intuitiva e limpa, é boa ideia teres instaladas as duas opções, para que tenhas sempre forma de pagar caso uma das plataformas não funcione. Nesse ponto, as apps funcionam de maneira semelhante ao nosso bem conhecido MB WAY, permitindo-te enviar e receber dinheiro e fazer pagamentos ao leres um QR code do comerciante.

No entanto, aqui tu também tens o teu código de barras enquanto utilizador, e na maioria dos estabelecimentos mais formais e quiosques automáticos é a loja/restaurante/máquina que tem um scanner que lê o teu código de barras para fazer a cobrança.

Posto isto, estas duas apps vão muito além das transacções comerciais, sendo autênticos ecossistemas digitais utilizados por tudo e por todos. Por exemplo, cada vez menos restaurantes têm sequer menu em papel. Cada mesa tem um código de barras que irás ler com o Alipay/WeChat e farás o pedido e pagamento através da plataforma, com a comida ou bebida a ser-te trazida à mesa.

Sim, vai estar tudo em Mandarim, mas as próprias ferramentas têm um tradutor integrado para saberes o que estás a pedir. O mesmo para comprares bilhetes à porta das atracções, se não quiseres perder tempo na fila, ou para criares bilhetes digitais de transportes públicos sem ser preciso parar nas máquinas.

Mesmo fora do universo dos pagamentos, as funcionalidades são bastante variadas. O WeChat, fazendo jus ao nome, funciona também como o nosso WhatsApp, ao passo que o Alipay tem uma plataforma de ride-sharing (Didi – a Uber lá do sítio) integrada.

Podes também pedir entregas de comida, traduzir palavras e frases, fazer compras online, alugar carros, reservar hotéis, comprar cartões SIM, entre muitas outras opções e funcionalidades que nenhum turista precisa de perceber. No entanto, e como já deu para perceber, instalar e configurar estas duas apps é provavelmente a coisa mais importante que tens que fazer antes de viajares para a China!

Felizmente, o processo é relativamente claro, embora as plataformas nem sempre funcionem da melhor maneira nesta etapa. Para começar, terás que te registar em ambas utilizando o teu número de telemóvel, sendo que te será enviado um código de confirmação por SMS. Aqui, podes ter azar e ter que repetir o processo várias vezes até que finalmente recebas a mensagem de texto. Depois, terás que inserir a tua informação pessoal.

Neste passo, recomendamos também que submetas uma foto tua e do teu passaporte, já que vais ter de o fazer caso atinjas o limite de pagamentos de $2000 por ano, ou caso precises de transferir ou receber dinheiro de uma conta individual (isto é, não empresarial). Depois de aceitares os termos e condições e concederes as permissões necessárias, a tua conta no WeChat e no Alipay estará criada.

De seguida, falta então associares o teu cartão de pagamentos à carteira do WeChat e do Alipay. Para isso, é só acederes à tua wallet e à opção do “Payment Code”, aparecendo um alerta para linkares um cartão. Segue todos os passos e está terminada a tarefa. Podes agora utilizar o WeChat e o Alipay para pagamentos na China!

NOTA: Durante muito tempo, a criação de novas contas no WeChat podia apenas ser feita por convite de um utilizador já registado. Entretanto, essa regra arcaica foi removida. No meu caso, não precisei de qualquer convite. No entanto, existem vários relatos de utilizadores recentes que afirmam terem necessitado do convite para o registo. Se for esse o caso, tentem procurar ajuda em fóruns online e grupos de Facebook. No limite, visitem um restaurante ou uma loja que pertença a Chineses junto da vossa área de residência e peçam educadamente ajuda.

Mas que cartão devo associar ao WeChat / Alipay para não pagar taxas?

Tendo tudo isto em consideração, é importante esclarecer que, mesmo utilizando o WeChat ou o Alipay, a cobrança a ser feita no cartão que associares à tua conta será sempre feita em Yuan Remninbi, moeda da China. Isto significa que os pagamentos que faças com um cartão português, assim como quaisquer levantamentos que queiras fazer, recorrerão naturalmente ao pagamento de várias taxas.

Para além da taxa percentual sobre o valor do pagamento/levantamento (relativa à conversão), a tua transacção estará também sujeita ao pagamento de um valor fixo, referente à taxa por levantamento de divisa fora da zona Euro. Contas feitas, podes acabar a pagar ao teu banco bem acima de 6% do valor do teu pagamento ou levantamento.

Posto isto, a melhor alternativa passa por recorreres aos cartões de serviços de bancos online como o Revolut ou o N26.

No caso do primeiro, permite-te fazer pagamentos em divisa estrangeira ao mesmo valor do câmbio oficial de mercado – sem taxas escondidas ou custos desnecessários! Para além disso, podes ainda efectuar levantamentos até um determinado limite mensal sem que te seja cobrada qualquer taxa. Para além disso, mesmo depois de atingido esse patamar, as comissões são residuais quando comparadas às dos bancos tradicionais.

Contudo, é importante ter em atenção que o Revolut não te “protege” no que toca a eventuais taxas que o banco responsável pela caixa automática que utilizares cobre por levantamentos com cartão estrangeiro. Ainda assim, e no caso da China, é mais que provável que não tenhas que fazer qualquer levantamento.

Descobre mais: Dicas para viajantes: Tudo que precisas de saber sobre o Cartão Revolut

Segurança na China – Crime, esquemas e burlas turísticas

Dificilmente encontrarás destino mais seguro que a China. Praticamente não existe crime – muito menos violento – e podes andar à vontade na rua a qualquer hora do dia ou noite. Tratando-se de um estado extremamente musculado, com muita presença policial nas ruas, câmaras por toda a parte (chega a ser absurdo), um sistema judicial que não é propriamente independente e medidas de segurança extremas que incluem detectores raios X e revistas nos metros e estações de comboio, digamos que a perspectiva de cometer um crime e ser apanhado não é propriamente animadora.

Posto isto, os Chineses têm imenso orgulho na segurança do seu país, fazendo questão de frisar esse facto com alguma frequência.

Certo é que não há muitos países onde possas andar por toda a parte com tamanha paz de espírito! Ainda assim, é claro que não custa ter alguns cuidados básicos. E manter o senso comum. Cuidado com os veículos sem taxímetro, tem especial atenção aos teus pertences em zonas movimentadas e nunca aceites ajudas de ninguém quando estiveres a fazer pagamentos. No fundo, não faças nada que não farias em nenhuma outra cidade do mundo! Ainda em relação ao dinheiro, e por uma questão de zelo, não permitas que ninguém tenha acesso às tuas contas de Alipay ou WeChat, uma vez que as mesmas estarão ligadas ao teu cartão de pagamentos.

Fora isso, e atendendo ao facto de que exibições públicas de desaprovação para com o governo são tecnicamente ilegais (como protestos ou manifestações), aconselhamos-te a não criticar publicamente os líderes do país ou o Partido Comunista Chinês. Não é que te vá acontecer alguma coisa, mas será extremamente mal visto pelos locais.

Por fim, e embora a situação esteja muito melhor comparativamente à época em que o tema fazia manchetes internacionais, a qualidade do ar na China continua pior que na generalidade da Europa e da América (em 2024, foi o 21º país com os piores índices). Podes usar a IQAir para consultar a classificação da qualidade do ar em inúmeras cidades Chinesas, e, caso a situação esteja particularmente má ou pertenças a algum grupo de risco, tomar as devidas precauções (usar máscara, evitar períodos prolongados ou exercício físico no exterior, etc.).

Onde dormir na China – Hotéis e Alojamentos

A China é surpreendentemente acessível. Os preços nos supermercados são decentes, os transportes públicos custam uma bagatela, as viagens de táxi são muito baratas e é possível fazer uma refeição de prato cheio por €4,00 ou €5,00 (até menos) se te ficares pelos restaurantes locais. Aliás, o único aspecto que foge à regra são mesmo os comboios de alta-velocidade, que são bastante caros. Ainda assim, o alojamento segue a toada da maioria, com hotéis de standard bastante decente a preços muito mais baixos que aqueles a que estarás habituado na Europa.

Mesmo em Beijing e Shanghai, de longe as cidades com os hotéis mais caros do país, consegue-se encontrar hotéis centrais com boas condições na casa dos €40-€50 por noite em quarto duplo. Noutras cidades, esse valor pode oscilar entre os €15,00 e os €30,00 por noite. Naturalmente, estes valores não se aplicam às Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, notoriamente caras no que toca ao alojamento.

Assim, e à boa maneira Chinesa, importa mencionar que a principal plataforma de reserva de hotéis é diferente dos websites e agregadores a que poderás estar habituado. Na China, recursos como a Booking.com, Hotéis.com, Airbnb ou Expedia têm um número de alojamentos bastante limitado (ou até inexistente, dependendo das cidades), pelo que a principal alternativa é a Trip.com, onde podes encontrar milhares e milhares de alojamentos espalhados por todo o país.

De resto, a plataforma é extremamente intuitiva e fácil de utilizar, quer na versão desktop, quer na app, permitindo-te ordenar as hipóteses e colocar filtros de acordo com a tua preferência, tal como qualquer outro website da especialidade. Não só para hotéis (como ainda virás a perceber neste guia), a Trip.com é um recurso fundamental para qualquer viagem na China.

Posto isto, e se estás a priorizar a busca de sítios para dormir no país, deixamos-te uma sugestão para cada categoria de classificação em algumas cidades do nosso guia de viagem da China.

Hotéis em Beijing

Hotéis em Shanghai

Hotéis em Xian

Hotéis em Hong Kong

Hotéis em Chongqing

Hotéis em Chengdu

NOTA: Ao seleccionares um quarto na China, tem em atenção que em muitos hotéis ainda é permitido fumar no interior do estabelecimento – inclusive nos quartos! Assim, confirma se o quarto que estás a ver tem a indicação de “non-smoking room”.

Transporte entre os Aeroportos da China e os centros das cidades

Do Aeroporto Internacional Beijing-Capital ao centro de Beijing

Situado a cerca de 30 km da Praça Tiananmen, no coração da cidade, a melhor forma de viajar entre o Aeroporto Internacional Beijing-Capital e o centro passa por recorrer à linha Airport Express do metro local. Esta linha dedicada liga os terminais 2 e 3 do aeroporto às estações de metro Dongzhimen e Beixinqiao, onde podes fazer transbordo para qualquer zona central da cidade. A viagem terá a duração de 30 minutos e o custo de ¥25, sendo que a linha opera das 06h00 às 23h00.

Quanto aos bilhetes, podem ser adquiridos nas máquinas automáticas da estação ou através da apps Alipay ou WeChat, onde podes gerar o teu próprio QR Code sempre que fizeres uma viagem de transportes públicos.

Como alternativa, podes sempre recorrer a um táxi (não recomendado) ou a um dos serviços de ride-sharing. No caso da China, o grande player do mercado é a DiDi. Naturalmente, a tarifa irá depender do teu destino final e da hora do dia, embora possas contar com uma conta final de ¥80-¥120 se te ficares pelo centro. Podes baixar a app ou utilizá-la através do Alipay (recomendado).

Do Aeroporto Internacional Beijing-Daxing ao centro de Beijing

Mais longínquo, a mais de 50 km da Praça Tiananmen, o Aeroporto Beijing-Daxing continua a ser o que recebe mais ligações internacionais, estando ligado ao centro através de uma linha de comboio. A estação fica situada dentro do aeroporto, por isso é só seguir as respectivas sinalizações. A rota liga o aeródromo à Estação de Comboios Beijing West (Beijingxi) em cerca de meia-hora, onde podes depois fazer transbordo para o metro rumo ao centro.

No total, podes contar com uma deslocação a rondar os 60/70 minutos, já contando com o tempo de transbordo na estação. Quanto aos bilhetes, podes comprar o ingresso de comboio na Trip.com por €2,90 + taxa de serviço, e o bilhete de metro através do Alipay / WeChat por ¥4.

Posto isto, e porque os horários dos comboios são um pouquinho irregulares e cessam operações mais cedo, continuo a preferir cobrir toda a viagem até ao centro de metro. Para além disso, não é preciso estar a comprar bilhetes através de plataformas diferentes. Por outro lado, e dependendo da localização do teu alojamento, podes precisar de fazer uns 3 transbordos diferentes.

Seja como for, começarás por apanhar a linha Daxing Airport Express, que liga o aeroporto à estação Caoqiao, ainda nos subúrbios, onde podes depois fazer transbordo para a linha 19, cuja estação mais central será Ping’anli, já na baixa de Beijing.

A partir daí, tanto podes trocar para a linha 6 como para a linha 4, sendo que ambas cobrem praticamente todo o centro histórico. De qualquer das formas, podes contar com um tempo total de viagem de 1 hora (mais coisa, menos coisa) e uma tarifa de ¥39. Uma vez mais, podes comprar bilhetes nas máquinas automáticas ou simplesmente usar o QR Code no WeChat ou Alipay.

Finalmente, se tudo isto te parecer demasiado complicado, podes sempre recorrer à DiDi e pedir um táxi, com o valor até ao centro a oscilar entre ¥120-¥180.

Do Aeroporto Internacional Shanghai Pudong ao centro de Shanghai

Por fim, se o teu voo tiver como destino o Aeroporto Shanghai Pudong, podes viajar até ao centro de várias maneiras distintas. No entanto, a mais fixe e vanguardista é sem dúvida a bordo do Maglev Train, um comboio de alta-velocidade ultramoderno que se move por levitação magnética. Sim, um comboio que não está tecnicamente pousado nos carris! Este comboio viaja entre os terminais 1 e 2 e a estação de Longyang Road, cobrindo a distância de 30 km em apenas 7 minutos e 20 segundos.

O bilhete custa ¥50 e pode ser comprado por WeChat / Alipay (basta passar o QR Code) ou na bilheteira da estação aeroportuária. Em Longyang Road, terás que fazer transbordo para a linha 2 do metro, que te levará até ao centro. Esta segunda etapa da jornada tomará uns 20 minutos adicionais e custará ¥4.

Alternativamente, se quiseres completar a viagem do modo mais barato possível, podes fazer toda a deslocação de metro. É só embarcar na linha 2 logo no aeroporto e fazer o mesmo trajecto até ao centro. Nesse caso, a viagem será de pouco mais de 1 hora, mas custará apenas ¥7. Uma vez mais, é só passares o QR Code no Alipay ou WeChat, ou podes comprar o bilhete numa máquina automática.

Para fechar, e se pedires um táxi pela DiDi, podes contar com uma tarifa de cerca de ¥170-¥250.

NOTA: Para saberes como navegar os sistemas de metro de Beijing ou Shanghai (ou qualquer outra cidade Chinesa), por favor consulta a secção abaixo do guia.

Transportes na China – Como te deslocares dentro das cidades

Quando visitas um país com a dimensão da China, saber como te deslocares é absolutamente fundamental, já que a celeuma de teres que apanhar transportes públicos será uma ocorrência praticamente diária. De resto, esta é uma preocupação que tanto se aplica aos transportes intercidades como aos transportes urbanos, que te ajudam a transitar entre as diferentes atracções e áreas de interesse de cada cidade.

Começando então pelos segundos, decidimos fazer um pequeno apanhado com as melhores formas de te deslocares em cidades como Beijing, Shanghai ou Xian, que aplicações utilizar, como navegar os sistemas de metro, entre outras informações que poderão facilitar a tua navegação pelo país.

Sistemas de metro na China – MetroMan, bilhetes, mapas e muito mais

Para teres uma melhor ideia da complexidade da coisa, a China tem quase 150 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, com mais de 50 delas a serem servidas pelo seu próprio sistema de metro. Dessas, mais de 20 têm pelo menos 5 milhões de habitantes, e quase uma dezena chega à marca das 10 milhões de pessoas. Só Shanghai, por exemplo, alberga 20 milhões de almas. Aliás, se considerarmos áreas metropolitanas, estes números são ainda mais avassaladores, com a toda a região de Chongqing a contar com mais de 30 milhões de pessoas e o título de maior município do planeta.

Tudo isto para dizer que, se fizeres um périplo pela China, andar de metro torna-se praticamente obrigatório, já que os sistemas locais permitem-te palmilhar dezenas e dezenas de quilómetros de forma rápida e extremamente acessível.

Embora os valores variem de acordo com a cidade, em média uma viagem de metro na China pode oscilar entre os ¥2 e os ¥8, com as tarifas a dependerem das distâncias percorridas. Para além disso, a rede costuma ser moderna, limpa e extremamente eficiente, com serviços pontualíssimos e excelentes acessos.

Algumas estações são gigantescas – a fazer lembrar o Japão – mas depois de algumas viagens acabas rapidamente por te habituar!

Para navegares os sistemas de metro Chineses aconselho o MetroMan, uma app onde estão integradas as redes de metropolitano de 48 cidades diferentes! Basta escolheres a cidade, seleccionares a estação de partida e de destino e o dia e hora da viagem e a plataforma irá automaticamente fornecer-te todos os dados da viagem, incluindo a duração, distância percorrida, que linha apanhar (e em que direcção), onde fazer transbordo e qual o preço total da viagem.

Podes consultar o resultado em formato de lista ou através do desenho do trajecto no mapa da rede. Em suma, uma ferramenta extremamente útil que te poupará muito tempo de pesquisa e evitará que pareças um turista perdido no meu meio do caos e das multidões das estações.

Quanto aos bilhetes, o melhor a fazer é recorrer ao Alipay. Embora todos os sistemas contem com máquinas automáticas onde podes comprar cada bilhete individual, a verdade é que, dependendo do tamanho da estação, encontrá-las pode ser chato. Para além disso, vais perder tempo sempre que precises de andar de metro (que não serão poucas vezes).

Posto isto, o Alipay será o teu principal aliado nesta “luta”, já que a app te permite comprar títulos de viagem em todas as cidades da China.

Para isso, deves começar por garantir que a localização está correcta e premir a opção “Viagem” ou “Transporte”. De seguida, irás criar o teu cartão digital de transportes públicos exclusivo para o metro dessa cidade, sendo que poderão pedir-te alguns detalhes pessoais como o nome completo e o número do passaporte.

Depois de inseridos os dados (caso solicitem), será formado um QR Code que estará associado à tua conta do Alipay, sendo que deves passar esse código no scanner sempre à entrada e saída da estação. Com base na localização dos scanners, será calculada a tarifa e cobrada no cartão de pagamentos que tenhas associado ao Alipay. Simples e fácil!

Tem apenas em atenção que deves repetir este processo sempre que chegues a uma nova cidade, já que o QR Code gerado em Shanghai não poderá ser usado no metro de Xian (por exemplo).

Tecnicamente, é também possível fazer o mesmo através do WeChat. No entanto, aí terás que pesquisar manualmente a mini-app associada ao sistema de metro de cada cidade e validar manualmente a tua identidade com um código de verificação recebido por SMS. Sinceramente, e do ponto de vista de um turista estrangeiro que tem que usar a app com uma ferramenta de tradução automática, todo o processo é desnecessariamente complicado. Usa o Alipay!

Numa nota final, não estranhes o aparato de segurança em todas as estações de metro, já que é obrigatório que passes as tuas malas e mochilas por máquinas de raio X antes do embarque. É um processo super-rápido e muito pouco rigoroso.

DiDi – O melhor serviço de ride-sharing na China

Embora os sistemas de metro cubram todo o centro histórico e cheguem aos subúrbios mais importantes e populosos das cidades, existem sempre algumas áreas negligenciadas pelas redes de transportes públicos. Assim, caso precises de viajar para uma dessas zonas ou pura e simplesmente não estejas na disposição de passar muito tempo no metro ou em transbordos, tens sempre a possibilidade de recorrer à DiDi.

Considerada a principal app de ride-sharing da China, a DiDi opera em praticamente todo o território, funcionando de maneira praticamente igual às plataformas equivalentes no mundo ocidental, como a Uber ou a Bolt.

É só activares a localização, digitares o destino e a app apresentar-te-á o valor da tarifa para a viagem, assim como a distância e a duração. É extremamente prático e intuitivo, mas a principal razão para a sua popularidade deriva do facto de ser um serviço surpreendentemente barato. É certo que o preço é dinâmico e poderá variar de acordo com a localização, hora do dia e destino, mas os valores são sempre bastante acessíveis.

A título de exemplo, uma viagem de 10 km durante o dia pode custar a módica quantia de ¥20, sendo que dificilmente pagarás mais que ¥50 por distâncias inferiores a 20 km. Mesmo nas deslocações de/para o aeroporto, onde habitualmente se verificam as tarifas mais pesadas, uma viagem de 50 km pode perfeitamente custar cerca de ¥150.

Olhando ao exemplo abaixo, uma viagem de 20 km às 23h00 na cidade mais cara da China (Shanghai) custaria ¥60 (cerca de €7,20). Noutros destinos e noutro horário, o valor poderia ser substancialmente mais baixo. Especialmente se estiveres a viajar em casal ou em grupo, os custos das deslocações de táxi acabam por ser residuais e a experiência mais confortável.

Embora possas baixar a app da DiDi, a nossa recomendação é de que a uses através do Alipay ou do WeChat, onde o serviço está perfeitamente integrado. Também aqui, considero a versão do Alipay mais intuitiva, já que o próprio atalho da DiDi está presente na página principal.

Para além disso, e uma vez que já tens os teus dados pessoais e de pagamento associados ao Alipay, não tens que passar pelo processo de registo na DiDi. É só utilizar o serviço que o valor será cobrado no cartão associado à conta da app (embora no final de cada viagem tenhas que validar a cobrança com um click).

Amap – O Google Maps da China

Finalmente, resta mencionar a principal app de navegação em língua inglesa para a China.

Embora existam plataformas mais populares no mercado – como a Baidu – a verdade é que, sem conhecimentos de Mandarim, algumas dessas aplicações podem ser bastante difíceis de utilizar. Assim sendo, a minha recomendação vai direitinha para a Amap, a única app que consegui utilizar com sucesso na China Continental.

Conforme referido, os serviços da Google estão bloqueados no país, e mesmo com recurso a uma VPN, os recursos do Google Maps estão extremamente desactualizados, para além de não terem qualquer integração com os sistemas de transportes públicos das cidades Chinesas.

Por outro lado, o Maps.me tem contra si o facto da grafia dos nomes chineses para o alfabeto latino nem sempre fazer sentido, fazendo com que seja quase impossível encontrar os locais que queiras pesquisar (porque estarão escritos de maneira diferente). Para além disso, não tens acesso a informações acerca de restaurantes, supermercados ou atracções.

Por outro lado, o Amap oferece tudo isto e muito mais! A interface é muito fácil de usar e semelhante a qualquer outro mapa online: inserir origem (ou activar localização automática), digitar destino e escolher o modo de locomoção (carro, caminhada, transportes públicos, etc.). A plataforma inclui informações acerca de metros, autocarros e comboios nas principais cidades e destinos turísticos, mostrando-te onde apanhar o transporte e em que horário.

Podes ainda pesquisar por diferentes estabelecimentos, ler reviews ou ver fotografias dos utilizadores.

Não é um recurso perfeito, mas para turistas sem quaisquer luzes da língua local não encontrarás nada que sequer se aproxime em termos de detalhe, utilidade e facilidade de navegação – uma ferramenta essencial para qualquer viagem à China! Alternativamente, se tiveres um iPhone, a Apple Maps também funciona relativamente bem, embora com menor detalhe.

Transportes na China – Como te deslocares entre cidades diferentes

Agora que já cobrimos os transportes públicos e a navegação dentro das cidades, é tempo de dedicar algum tempo à mobilidade intercidades. Afinal, estamos a falar de uma nação absolutamente mastodôntica, e que, do ponto de vista turístico, está pejada de locais fabulosos espalhados por todo o seu vasto território, pelo que é de extrema importância garantir que sabes como viajar entre diferentes cidades na China.

Felizmente, os transportes são tratados com a devida importância no Reino do Meio, pelo que encontrarás sempre uma solução viável para a tua deslocação – seja por via aérea, rodoviária ou ferroviária!

Comboios na China

Sendo quase certo que a tua viagem pela China terá várias paragens distintas, não há melhor forma de viajar pelo país do que de comboio. Afinal, o Reino do Meio tem a segunda maior rede ferroviária do mundo, passando a número 1 se considerarmos apenas a ferrovia de alta-velocidade e a de passageiros. No total, são mais de 160.000 km de carris e quase 50.000 de alta-velocidade, com veículos ultramodernos capazes de atingir os 350 km/hora.

Verdade seja dita, e dependendo do número de viagens que faças, é provável que as deslocações de comboio estejam entre as maiores despesas da tua viagem, já que o serviço de alta-velocidade é relativamente caro (mas não de uma forma impeditiva). Seja como for, podes contar com carruagens topo de gama, limpeza irrepreensível e um serviço pontualíssimo e extremamente bem organizado.

Passando então aos bilhetes, existem duas plataformas que dominam o mercado de vendas. A primeira das quais é a Railways 12306, o site oficial dos Caminhos-de-Ferro da China. A versão inglesa é relativamente recente e veio facilitar bastante a vida aos viajantes internacionais, tornando a pesquisa muito mais fácil.

Apesar disso, a plataforma continua a ter alguns bugs que dificultam a navegação e o processo de registo é mais moroso, obrigando-te a passar por um procedimento de verificação de identidade que pode demorar até 3 dias a concluir. No entanto, “what you see is what you get“, já que não existem taxas nem fees de serviço.

Por outro lado, a já mencionada Trip.com é a alternativa mais consensual. A interface é mais limpa e responsiva e o site e app são mais fáceis de navegar, mas, tratando-se de um serviço de terceiros, todas as reservas de comboios têm uma taxa associada. Essa tarifa varia consoante o preço da viagem, podendo ser de €1, €2, €4 ou €6 por bilhete. Quanto mais caro o bilhete, mais alta é também a taxa de reserva.

Os bilhetes são sempre libertados com 15 dias de antecedência, o que significa que não é possível garantir o teu lugar com uma antecedência superior. Normalmente, é suficiente comprar bilhete apenas uns dias antes da viagem, já que é raro que tudo fique esgotado antes de partida. As únicas excepções dizem respeito aos feriados Chineses, quando as enchentes são uma constante e onde é altamente recomendado que compres o bilhete assim que possível.

Ora, é precisamente aí que entra outra das vantagens da Trip.com face à plataforma concorrente, já que podes fazer um pedido de reserva de bilhete com vários meses de antecedência.

Tem em atenção que isto não é uma confirmação de reserva imediata, mas sim uma sinalização de que queres comprar um bilhete para uma rota específica, num dia que não está ainda disponível para compra. Embora o sucesso não seja 100% garantido, alguém da Trip se encarregará de tratar do teu pedido e avançar com a compra do bilhete assim que a janela de compra abra (15 dias antes de partida).

No entanto, e fora dos holidays, essas situações são extremamente esporádicas. Para além disso, a plataforma costuma disponibilizar “Standing Tickets” para evitar que os passageiros fiquem em terra. É certo que viajar de pé não é a coisa mais agradável do mundo, mas sempre é melhor que perder o comboio!

Assim, e para viagens mais longas, deves comprar o teu bilhete com alguns dias de antecedência. Já para deslocações pequenas (até 2 horas), não terás problemas em comprar bilhetes no próprio dia umas horas antes da partida, já que o mais provável é que existam largas dezenas de ligações diárias entre esses destinos próximos.

Resta mencionar que podes também viajar em serviços regulares que não sejam de alta velocidade. Irás notar que os bilhetes são muito mais baratos, mas que os tempos de deslocação são infinitamente superiores. No entanto, se estiveres a viajar com tempo e um orçamento apertado, esta é uma excelente forma de chegar do ponto A ao ponto B de forma acessível (e ainda poupas uma noite no hotel). As plataformas são as mesmas e a pesquisa é feita de igual forma, simplesmente escolhes uma das ligações longas e baratas para comprares bilhetes.

Esses sleeper trains têm diferentes categorias de lugar que fazem também oscilar bastante a tarifa. Se optares por um lugar sentado em 2a classe, então sim, vais poupar um montante considerável face à ligação de alta-velocidade. Por outro lado, se quiseres um assento-cama (numa cabine de 6 ou 4 camas) a diferença para o comboio rápido esbate-se e pode até chegar a ser residual, o que significa que estarás apenas a perder tempo e conforto.

Quanto ao embarque, importa ressalvar que não existem bilhetes físicos ou digitais, já que o título de viagem fica associado ao teu passaporte. Em termos práticos, isto significa que o teu passaporte é o bilhete. Ou seja, na porta de embarque, só tens que mostrar o teu documento de identificação e o inspector poderá consultar no sistema se o teu nome e número de identificação estão registados para aquela viagem.

Seja como for, podes consultar a tua carruagem e lugar na app da Trip.com ou da Railways 12306. Ao chegares à estação, irás notar imediatamente que a ferrovia chinesa opera com os mesmos métodos e rigor de um aeroporto. À entrada, serás revistado e deves passar toda a tua bagagem pelas máquinas de raio X, sendo depois encaminhado para o terminal. Nas grandes cidades, estes edifícios são absolutamente gigantescos, com dezenas de portas embarque associadas à partida de diferentes comboios.

Para fechar, tem em atenção que as cidades têm quase sempre mais do que uma estação de comboios, pelo que é fundamental garantir que sabes qual a correcta. Para além da Estação Central, as metrópoles maiores e mais conhecidas costumam ter estações cujo nome está associado ao seu posicionamento geográfico face ao centro da cidade. Olhando ao exemplo de Beijing, a capital ostenta as estações de Beijing Norte, Beijing Sul, Beijing Este e Beijing Oeste.

Por vezes, estes nomes podem estar representados em Mandarim, passando a Bei (norte), Nan (Sul), Dong (Este) e Xi (Oeste). Para além disso, certifica-te de que compraste bilhetes para a cidade correcta, já que existem várias metrópoles com o mesmo nome espalhadas por toda a China. Para isso, confere sempre o nome da Província antes de comprares o bilhete.

Voos internos na China

Tendo em conta a dimensão da China, é perfeitamente compreensível o porquê de muitos dos itinerários pelo país incluírem (pelo menos) um voo interno. É certo que os comboios de alta-velocidade têm excelentes condições, mas os preços nem sempre compensam face aos voos e o tempo perdido nos carris é muitas vezes incompatível com um período de férias de apenas 1 ou 2 semanas! Como tal, optimizar o tempo é essencial!

Felizmente, o país é servido por mais de 200 aeroportos domésticos e internacionais, com quase 50 companhias Chinesas a operarem a nível regional e nacional. Evidentemente, podes recorrer a transportadoras conhecidas do público internacional, como a Air China, a China Eastern ou a China Southern, mas a verdade é que não faltam opções de escolha, com companhias secundárias e menos conhecidas a ligarem diferentes cidades Chinesas. Dessas, posso destacar a Shenzhen Airlines, a Hainan Airlines, a XiamenAir ou a low-cost Spring Airlines, entre muitas outras.

Como de costume, o melhor é analisares as tuas opções através de uma pesquisa na Google Flights. Tem apenas em atenção que os sites das companhias Chinesas são conhecidos por não serem os mais intuitivos ou fáceis de navegar, com problemas reportados no carregamento de páginas e no pagamento. Seja como for, já voei com pelo menos 4 das companhias mencionadas e nunca tive problemas – mesmo que o processo de reserva online possa por vezes requerer alguma paciência extra.

Por outro lado, se quiseres mesmo endereçar por companhias Chinesas regionais ou sem expressão no mercado internacional, o mais provável é que não apareçam sequer na consola da Google Flights e/ou que tenham os seus sites exclusivamente em Mandarim e/ou Cantonês. Mesmo que por milagre consigas avançar na reserva e inserir os teus dados pessoais, dificilmente essas plataformas locais aceitarão pagamentos com cartões internacionais. Resumindo: fica-te pelas companhias cujos websites suportem a língua inglesa!

Apps que deves instalar no telemóvel antes de visitares a China

Embora já as tenhamos mencionado praticamente a todas neste guia, quisemos deixar um pequeno apanhado com todas as apps que deves instalar ANTES de partires para a China. Algumas delas são opcionais e irão simplesmente tornar a tua visita mais cómoda e fácil, mas outras são verdadeiramente fundamentais para que consigas sequer existir no microcosmo digital que é o Reino do Meio. Aqui seguem:

Alipay: FUN-DA-MEN-TAL! App obrigatória para pagamentos numa sociedade que praticamente não usa dinheiro físico. Para além disso, através desta app podes comprar bilhetes de transportes públicos e de atracções turísticas, pedir táxis, pedir entregas de comida e compras, entre muitas outras funcionalidades. Se tiveres dificuldade com a instalação e configuração, existem stands dedicados a ajudar turistas nos terminais de chegadas dos aeroportos de Beijing e Shanghai.

WeChat: A principal concorrente do Alipay. Embora prefira a primeira, ter o WeChat instalado e prontinho a usar como plano B é um no-brainer. A app é muito fácil de utilizar para pagamentos, mas a navegação não é tão fácil para outras coisas (táxis, entregas, transportes, etc.). A única vantagem face ao Alipay é o facto de funcionar como serviço de mensagens – como o nosso WhatsApp – pelo que podes utilizar o WeChat para comunicar com o teu hotel, por exemplo. Ainda por cima, o chat já vem com uma ferramenta de tradução incluída.

Trip.com: O canivete-suíço das viagens na China, através desta plataforma podes reservar hotéis (esquece a booking.com ou o Airbnb), comprar bilhetes para as atracções mais populares, marcar tours ou comprar bilhetes de comboio. App muito completa e intuitiva.

Railways 12306: App oficial dos caminhos-de-ferro da China, podes comprar os teus bilhetes directamente na fonte. Sistema conhecido por alguns bugs, mas tem a vantagem face à Trip de não cobrar quaisquer taxas de serviço enquanto intermediário.

Amap: Num país onde o Google Maps não funciona e o Maps.me está repleto de erros de transcrição, esta é a melhor ferramenta de navegação para transitares pela China Continental. Inclui atracções e áreas cénicas, navegação a pé, de carro ou de transportes públicos e ainda supermercados e restaurantes com reviews reais. Se utilizares iPhone, a Apple Maps também funciona.

Google Translate: Atendendo ao facto de que apenas uma ínfima percentagem da população fala inglês, comunicar na China pode ser um verdadeiro desafio. Embora requeira a utilização de uma VPN (já lá chegaremos), o Google Translate é um dos melhores serviços de tradução. Podes escrever a tua mensagem e traduzir por escrito, utilizar o microfone para a tradução por voz (o favorito dos Chineses) e podes até utilizar a câmara para a tradução por foto, que é bastante útil quando estiveres a olhar para um menu totalmente em Mandarim e quiseres saber o que pedir.

MetroMan: Num país com cerca de 50 redes de metro diferentes e pouca informação online em inglês sobre o tema, esta app permite-te navegar o metropolitano de qualquer cidade Chinesa. Para além de incluir todos os mapas dos sistemas, basta inserir a estação de origem e de destino para que a plataforma te diga que que linha apanhar, onde fazer transbordo, a duração e o preço da viagem.

LetsVPN: Conforme expliquei em detalhe na devida secção, sem uma VPN é impossível acederes a qualquer serviço da Google ou a qualquer rede social, já que a internet está altamente restringida na China Continental. Embora muitas VPNs te prometam mundos e fundos, a LetsVPN foi a única (entre as 3 ou 4 que experimentei) que nunca me falhou. Alternativa mais bem cotada: Astrill.

Airalo: Como complemento à VPN, comprar um eSIM também te garante acesso total à internet sem bloqueios ou restrições. É só instalares e configurares antes da partida e terás internet imediatamente à chegada, sem que tenhas que fazer absolutamente nada. No fundo, é como se o cartão SIM digital já tivesse uma VPN embutida. Embora tenha destacado a Airalo, outras plataformas como a Holafly também servem o mesmo propósito.

DiDi: A melhor app de ride-sharing da China, com cobertura em quase todo o lado e preços absurdamente acessíveis. A DiDi já está integrada no Alipay e no WeChat, mas por uma questão de prevenção não custa nada ter a app instalada no telemóvel e concluir o registo antes de partires de férias.

Meituan: Durante a tua visita, será impossível não reparares nos estafetas de gabardine e capacete amarelos presentes em todas as cidades. Estes trabalhadores fazem entregas na Meituan, um serviço extremamente popular entre os locais para pedidos de comida ou compras. Tal como a DiDi, a app está integrada tanto no Alipay como no WeChat, mas podes sempre instalá-la para salvaguardar algum potencial problema.

Dianping: Queres encontrar restaurantes com boas reviews? O Dianping funciona como uma espécie de TripAdvisor no que toca à parte da restauração, permitindo-te procurar onde comer de acordo com a tua localização, orçamento e preferências alimentares. Disponível apenas em Mandarim, a app tem pelo menos uma ferramenta automática de tradução que já torna a navegação possível para quem não conheça a língua.

30 Melhores destinos para visitar na China

Beijing

A China tem uma data de destinos absolutamente imperdíveis, mas se me apontassem uma arma à cabeça e me obrigassem a escolher um, teria sempre que sobressair Beijing. Capital do Reino do Meio, Beijing é a amostra perfeita do melhor que a China tem para oferecer, combinando as atracções históricas e culturais do mundo antigo com a atitude vanguardista e jovem das novas gerações. Uma metrópole com várias cidades dentro e – pois claro – uma série imperdível de locais icónicos para visitar.

Começando pela inconfundível Cidade Proibida (¥60), oficialmente o maior palácio real do mundo e um recinto outrora vedado aos plebeus, em Beijing deves ainda visitar o Templo do Céu (¥10) , o Templo Lama (¥25), o Palácio de Verão (¥30) e a Praça de Tiananmen, a maior do planeta.

Apesar de gratuita, para entrares na praça deves completar um pré-registo ou ser portador de bilhete para uma das suas atracções, como o Museu Nacional da China (gratuito na plataforma oficial, $8,00 num third-party), o Grande Salão do Povo ($6,00 num third-party) ou o Mausoléu de Mao Zedong (gratuito), onde repousa o corpo preservado do lendário líder comunista, para além da já referida Cidade Proibida. Ainda em favor de Beijing, a capital é a base perfeita para uma day trip à atracção mais concorrida de todo o país (a ver já a seguir).

Seja como for, e apesar de todos estes lendários monumentos, o verdadeiro espírito da cidade está preservado nos hutongs, pequenos quarteirões e bairros típicos que mantêm a traça clássica de outras eras. Numa metrópole onde grande parte da arquitectura antiga foi destruída para dar lugar a prédios altos capazes de albergar a crescente população, os hutongs são aquilo que mais se assemelha a uma versão da Cidade Velha de Beijing. Seja como for, são muitos e extensos, pelo que o centro continua cheio destes bairrinhos tradicionais e encantadores.

Numa importante nota de rodapé, e ao contrário do que acontece nas restantes cidades, em Beijing é obrigatório comprar bilhetes antecipados para muitas das atracções, já que a procura interna é gigantesca. Isto é igualmente válido para locais onde a entrada até pode ser gratuita, mas que continua a exigir um bilhete (como o mausoléu ou o Museu Nacional da China).

Normalmente, a compra é feita através do programa de mini-apps do WeChat, impossível de navegar para quem não fale Mandarim. Como tal, a alternativa mais comum passa por recorrer à Trip.com ou a outro third-party, sendo que podes encontrar os links para compra de bilhetes de cada atracção clicando nos respectivos nomes acima.

Normalmente, os bilhetes são lançados com 1 semana de antecedência, pelo que nunca deves esperar mais do que esse limite. Nas plataformas oficiais, terás que estar com o dedo no gatilho assim que sejam lançados, caso contrário não vais conseguir bilhete. Se recorreres a um third-party, podes pedir o bilhete com maior antecedência, com o serviço a comprar o ingresso assim que esteja disponível. Se uma atracção não tem link associado, então o bilhete pode ser adquirido em pessoa à entrada.

Número recomendado de dias em Beijing

  • 4 ou 5

Locais a não perder em Beijing

  • Cidade Proibida
  • Templo do Céu
  • Palácio de Verão
  • Praça Tiananmen
    • Mausoléu de Mao Zedong
    • Museu Nacional da China
    • Grande Salão do Povo
    • Monumento aos Heróis do Povo
    • Tiananmen Gate
    • Zhengyangmen Gate
  • Templo Lama
  • Templo de Confúcio
  • Parque Jingshan
  • Parque Beihai
  • Nanluoguxiang (hutong)
  • Shichahai (hutong)
  • Rua Yandaixie (hutong)
  • Bell Tower & Drum Tower
  • Parque Olímpico
  • 789 Art Zone
  • Wangfujing Pedestrian Street
  • Day trip à Grande Muralha da China

5 pratos a provar em Beijing

  • Pato à Pequim – Quanjude
  • Beijing Hotpot – Dong Lai Shun
  • Zhajiangmian Beijing Noodles – Lao Beijing Zhajiangmian King
  • Baozi – Qing-Feng Steamed Dumpling Shop
  • Porco Mu Shu – Dongsi Minfang Restaurant

A Grande Muralha da China

O local mais emblemático de todo o país, a Grande Muralha da China é uma atracção de estatuto mítico, ao ponto de ser consagrada como uma das Sete Maravilhas do Mundo. Reza a lenda que a muralha é de tal modo abismal que pode ser vista do espaço, o que, apesar de não ser verdade, não retira qualquer ponta de mérito à sua inacreditável extensão de mais de 20.000 quilómetros!

Construída ao longo de várias gerações para proteger o norte e noroeste da China contra invasões estrangeiras – principalmente dos terríveis Mongóis – a muralha acabou por assumir funções mais alfandegárias com o passar dos anos, permitindo controlar a entrada de pessoas e mercadorias ao longo da famosa Rota da Seda.

Hoje em dia, as secções da muralha mais famosas e abertas a visitantes podem ser encontradas nos arredores de Beijing, sendo por isso uma opção de day trip extremamente concorrida para quem visitar a capital da China. Dessas, destacamos as secções de Badaling, Mutianyu e Jinshanling.

Começando por Badaling (¥40), é considerada a opção mais fácil de visitar, mas também a mais comercial. Totalmente renovada e com toda a infraestrutura necessária para uma visita confortável, os críticos costumam apontar a falta de autenticidade como uma das principais desvantagens, já que as autoridades parecem ter tomado algumas liberdades criativas na restauração. Ainda assim, se tiveres pouco tempo ou dificuldades de mobilidade, em Badaling podes ter a experiência de visitar a Grande Muralha (embora as multidões sejam arrebatadoras)!

No sentido contrário, Jinshanling (¥65) é a opção mais selvagem das três, já que apenas algumas partes da muralha foram renovadas. Isto significa que podes caminhar por troços que se mantêm na mesma condição há séculos! Para além disso, dificilmente terás problemas com multidões de outros visitantes.

Em sentido contrário, é também a secção mais longínqua e mais de mais difícil acesso, pelo que pode valer a pena passar a noite na região. Nesse caso, podes aproveitar para combinar a visita à Muralha com uma passagem pela Gubei Water Town.

Por fim, a secção de Mutianyu (¥60) funciona como uma espécie de meio-termo entre Badaling e Jinshanling – menos comercial que a primeira, mas mais fácil de aceder que a segunda. Pessoalmente, foi a secção que visitei e recomendo vivamente! Com uma extensão de cerca de 5 km, esta secção tanto oferece uma caminhada tranquila como uma missão mais exigente.

Exemplo disso é o Heroes’ Slope, uma subida de 400 degraus entre as torres 19 e 20, na qual a última etapa chega a atingir um gradiente de inclinação de 75 graus. Durinho, mas exequível!

Resta mencionar que é altamente recomendável que compres os teus bilhetes com antecedência para a Grande Muralha da China, independentemente da secção que visites. Se fores de autocarro, a tarifa das empresas normalmente já inclui o bilhete de acesso, mas vale sempre a pena confirmar. Extras como teleféricos, toboggans, chairlifts ou shuttles de/para o centro de visitantes são sempre pagos por fora.

Como chegar à Grande Muralha da China

  • Badaling
    • Comboio de alta-velocidade a partir de Qinghe (20 minutos) ou Beijingbei (35 minutos): entre €2,00 e €4,00 ida
    • Comboio cénico S2 com partida da Estação Huangtudian (1h30): ¥7 ida
    • Shuttle Turístico com partida de várias localizações diferentes (1h30; já inclui bilhete de entrada): a partir de €13,00 ida-e-volta
    • Autocarro público 877 a partir da Estação Deshengmen (2h00): ¥12 ida
    • Táxi da DiDi (60 minutos): ¥150 ida
  • Jinshanling
    • Shuttle Turístico com partida da Estação Dongzhimen (2h00; já inclui bilhete de entrada): a partir de €23,00 ida-e-volta
    • Comboio de alta-velocidade a partir de Qinghe (2h10) ou Beijingbei (2h25) para Gubeikou + táxi da DiDi (25 minutos) até Jinshanling: total entre €6,00 e €7,00 ida
    • Táxi da DiDi (2h20): ¥450 ida
  • Mutianyu
    • Shuttle Turístico da MUBUS com partida da Estação Dongzhimen (1h30; já inclui bilhete de entrada): a partir de €21,00 ida-e-volta
    • Comboio de alta-velocidade a partir de Qinghe (1h10) ou Beijingbei (1h30) para Huairoubei + táxi da DiDi (25 minutos) até Mutianyu: total entre €5,00 e €6,00 ida
    • Táxi da DiDi (1h30): ¥200 ida

Número recomendado de dias na Grande Muralha da China

  • Day trip a partir de Beijing ou 2 dias

Shanghai

De longe a cidade com maior influência ocidental da China, quer do ponto de vista histórico como do social e cultural, Shanghai parece gravitar numa realidade distinta da do resto do país. Uma metrópole de 20 milhões de pessoas, com arranha-céus, shoppings de última geração, quarteirões de inspiração europeia e todas as marcas internacionais e cadeias de restauração que possas imaginar. E não é que não possas encontrar tudo isto noutras cidades Chinesas, mas em Shanghai há claramente um excepcionalismo que a destaca e salta à vista.

É um paradoxo interessante, já que, sendo a cidade mais popular da China Continental, é o destino onde é mais difícil encontrar a China tradicional e autêntica. À excepção do Jardim Yu (¥40) e do Jade Buddah Temple, quase todas as outras atracções mais populares são de cariz moderno ou europeu, como o The Bund, a Nanjing Road, a Oriental Pearl Tower (a partir de ¥120), a Shanghai Tower (3o edifício mais alto do mundo – a partir de ¥180), o distrito de Xintiandi ou o Disney Resort. No entanto, nada disto é por acaso.

Dada a sua localização portuária privilegiada, Shanghai sempre foi apelativa para os poderes coloniais europeus, que finalmente lhe conseguiram meter as mãos em cima depois das Guerras do Ópio. Derrotada, a China foi obrigada a abrir vários portos a forças exteriores e a dividir a cidade de Shanghai em diferentes Zonas de Concessão.

Na prática, Shanghai foi partida em pedaços, com uma parte mantida pela China e as outras partilhadas entre Reino Unido, França e EUA. Naturalmente, isto atraiu muita gente do Ocidente em busca de oportunidades comerciais, acabando por desenvolver uma cidade cosmopolita, multicultural e semi-colonial.

Embora essa influência esteja presente em toda a cidade, a zona mais encantadora pode ser encontrada na Concessão Francesa, famosa pelos edifícios clássicos europeus, zonas pedonais, avenidas flanqueadas por árvores, cafés e boutiques. Uma fusão única e extremamente interessante de elementos europeus num cenário Chinês. Embora não seja propriamente o meu destino favorito na China, Shanghai continua a ser uma cidade que merece estar nos itinerários clássicos do país, quanto mais não seja por facilitar a adaptação às singularidades da China num cenário que te será mais familiar.

Número recomendado de dias em Shanghai

  • 2 ou 3 para a cidade + 1 p/ day trip a uma Water Town

Locais a não perder em Shanghai

  • The Bund
  • Nanjing Road
  • Oriental Pearl Tower
  • Shanghai Tower
  • French Concession
    • Tianzifang
    • Wukang Mansion
    • Xintiandi
    • Xinhua Road
  • Jardim Yu
  • City God Temple
  • Jade Buddah Temple
  • Jing’an Temple
  • Longhua Temple
  • Praça do Povo
  • Parque do Povo
  • Shanghai Museum
  • Shanghai Disney Resort
  • Day trip a uma das Water Towns

5 pratos a provar em Shanghai

  • Xiaolongbao – Jia Jia Tang Bao
  • Hong Shao Rou – Lao Zheng Xing
  • Shanghai Shao Mai – Baiyulan
  • Cu chao Mian – Jian Guo 328
  • Dongpo Rou – Dianshi Zhaixiaoyan

Xian

Provavelmente o terceiro destino mais popular da Mainland China a nível internacional, Xian está sobretudo ligada ao Mausoléu de Qin Shi Huang (¥120), mais comummente referido como o Exército de Terracota. Para os mais distraídos, este é o monumento composto por milhares de estatuetas em tamanho real de guerreiros que deveriam acompanhar o Imperador Qin Shi Huang até ao além após a sua morte, sendo considerada a maior descoberta arqueológica do século XX.

Na verdade, as escavações do exército são apenas uma ínfima parte do local, já que foi construído um palácio subterrâneo inteiro como parte do mausoléu, com jardins imperiais, gabinetes administrativos e até zonas de lazer, tudo isto acompanhado de estátuas de animais, acrobatas, oficiais, dançarinos e muito mais! Em suma, uma das maiores atracções de toda a China, e provavelmente a mais popular logo depois da muralha.

No entanto, Xian é muito mais que o Exército de Terracota. Na verdade, a cidade é famosa por ser o ponto de origem da lendária Rota da Seda, com mercadores de todo o mundo a percorrer a rota e a levarem consigo mercadorias e produtos exóticos, mas também conhecimentos, credos e técnicas dos locais de onde originavam. O resultado foi um verdadeiro intercâmbio cultural e comercial – a globalização antes da globalização.

Como resultado, Xian tem uma realidade social muito mais diversificada, pautada por uma comunidade islâmica histórica e que habita quase toda no inebriante Quarteirão Islâmico – uma das minhas zonas favoritas do país! Aqui, as ruas parecem autênticos bazares e os templos dão lugar a mesquitas únicas, onde a influência oriental é notória.

Fora do quarteirão islâmico, é obrigatório caminhar (ou alugar uma bicicleta e pedalar) pela histórica Muralha de Xian (¥54), uma das mais longas e bem preservadas da China. Outros locais merecedores de uma visita incluem a Drum Tower e a Bell Tower (¥30 cada ou ¥50 as duas), a Dayan Pagoda (¥10), a Small Wild Goose Pagoda ou o espectacular Museu da História de Shaanxi, uma instituição tão rica e reputada que é dificílimo arranjar bilhetes.

Número recomendado de dias em Xian

  • 2 ou 3

Locais a não perder em Xian

  • Mausoléu de Qin Shi Huang (Exército de Terracota)
  • Quarteirão Islâmico
  • Grande Mesquita de Xian
  • Huimin Street
  • Muralha de Xian
  • Drum Tower
  • Bell Tower
  • Dayan Pagoda
  • Small Wild Goose Pagoda
  • Museu da História de Shaanxi
  • Palácio Daming
  • Datang Everbright City
  • Day trip ao Monte Huashan

5 pratos a provar em Xian

  • Roujiamo – Fan Ji La Zhi Roujiamo
  • Biang Biang Mian – biangbiang
  • Suan Tang Jiaozi – Tongshengxiang Restaurant
  • Liangpi – Wei Jia Liangpi
  • Yangrou Paomo (ou qualquer prato de borrego) – Lao Sun Jia

Hong Kong

Hong Kong é especial. Operando a partir do modelo “Um País, Dois Sistemas”, é uma das duas Regiões Administrativas Especiais, o nome dado às antigas colónias europeias que, fazendo agora oficialmente parte da China, mantêm autonomia no que toca aos seus governos, moedas, poderes legislativos, regras de imigração e sistemas judiciais. Isto significa que as regras para entrar em Hong Kong são diferentes das da China, e que nesta megacidade não terás que te preocupar com restrições de internet ou apps de pagamentos.

Feita a introdução, Hong Kong é um dos principais centros financeiros e empresariais da Ásia, com uma enorme população de imigrantes e expatriados e muito, muito, turismo. A sua localização, num dos portos urbanos mais bonitos do mundo (Victoria Harbour), é provavelmente uma das suas maiores valias, sendo que tanto podes aproveitar a opulência e riqueza da Ilha de Hong Kong, como o caos organizado e densidade populacional insana do lado de Kowloon.

À primeira vista, os topos dos prédios vistos a partir do Victoria Peak ou as luzes cintilantes do porto ao navegar no Star Ferry (HK$5) ainda te podem levar a pensar que todos em Hong Kong vivem uma vida desafogada, mas a realidade é bem mais complexa. Basta entrar nas Chungking Mansions ou percorrer algumas perpendiculares da Nathan Road e da Tsim Sha Tsui para perceber que esta é uma cidade de contrastes tão grandes quanto os seus arranha-céus. E para o bem ou para o mal, é isso que ajuda a torná-la tão fascinante.

Número recomendado de dias em Hong Kong

  • 3 + day trip a Macau

Locais a não perder em Hong Kong

  • Victoria Tram
  • Victoria Peak
  • Victoria Harbour
  • Star Ferry
  • Avenue of Stars
  • Nathan Road
  • Tsim Sha Tsui
  • Tian Tan Buddah
  • Central-Mid-Levels Escalators
  • Templo Man Mo
  • Jardim Nan Lian
  • Yick Cheong Monster Building
  • Hong Kong Disneyland Park

5 pratos a provar em Hong Kong

  • Dim Sum – One Dim Sum
  • Wonton Noodles – Shek Kee Wonton Noodles
  • Char Siu – Dragon State Kitchen Restaurant
  • Roast Goose – Yung’s Tangerine Peel Roast Goose Restaurant
  • Bo Zai Fan – Hing Kee Restaurant

Macau

A outra cidade abrangida pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”, Macau joga também de acordo com as suas próprias regras, optando por desenvolver uma gigantesca infraestrutura de hotéis e casinos que lhe valeu o epíteto de “Vegas da Ásia”. Aliás, as receitas do jogo em Macau já suplantaram inclusive as da icónica cidade Norte-Americana, movidas em grande parte pelo gosto e fascínio que a cultura Chinesa tem para com os jogos de azar. No entanto, e especialmente para nós, portugueses, não é pelos casinos que Macau tem um lugarzinho especial no nosso imaginário colectivo.

Afinal, a cidade foi uma importante colónia portuguesa durante mais de 400 anos, até ter sido finalmente devolvida à China em 1999. Aliás, foi oficialmente a colónia europeia que mais tempo durou em territórios asiáticos, pelo que a herança não é fácil de se apagar. Embora já quase ninguém fale português em Macau, o idioma continua a ser uma das línguas oficiais do território, sendo extremamente curioso ver placas de ruas, sinaléticas de trânsito, placares de autocarros ou montras de lojas escritas em português. Evidentemente, a culinária também deixou raízes, com pastéis de nata bastante decentes disponíveis em todo o lado, entre outros pratos e iguarias lusas.

Aliás, e no que toca a atracções, quase todos os marcos históricos e culturais têm dedo português, com destaque para as Ruínas de São Paulo, a Praça do Senado (um dos muitos sítios com calçada portuguesa), a Ilha da Taipa, a vila de Coloane, a Fortaleza da Guia ou o Forte do Monte.

Número recomendado de dias em Macau

  • 1 ou 2 dias

Locais a não perder em Macau

  • Ruínas de São Paulo
  • Praça do Senado
  • Fortaleza da Guia
  • Forte do Monte
  • Igreja de São Domingos
  • Travessa da Paixão
  • Templo A-Ma
  • Macau Tower
  • Ilha da Taipa
  • Coloane
  • Casinos de Macau (Grand Lisboa, Venetian Macao, MGM, etc.)

5 pratos a provar em Macau

  • Dim Sum – Long Wa Tea House
  • Pork Chop Bun – Tai Lei Loi Kei
  • Galinha à Africana – Albergue 1601
  • Serradura – Ou Mon Cafe
  • Pastéis de Nata – Margaret’s Café e Nata

Chengdu

Principal cidade da Província de Sichuan, conhecida pela comida picante, pela pimenta cítrica, pelos espectáculos de ópera e por ser um dos únicos locais do mundo onde é possível encontrar pandas gigantes no seu habitat natural, Chengdu acaba por encapsular um pouco de todas as estas coisas. Para começar, é uma das melhores cidades do país para se comer, especialmente se fores fã de malaguetas e óleo de chili (caso contrário, terás um desafio engraçado pela frente).

Ao visitares a cidade, vais encontrar souvenirs temáticas relacionadas com pandas por todo o lado – canecas, amuletos, peluches, tudo aquilo que possas imaginar em forma de panda ou que possa ter um panda desenhado/estampado, podes apostar que encontras em Chengdu. A razão, mais uma vez, é simples, já que a maior atracção da cidade é a Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding (¥55), uma organização patrocinada pelo governo Chinês e sem fins lucrativos dedicada estudar e proteger pandas-gigantes e pandas-vermelhos. No espaço, habitam hoje mais de 200 pandas.

Num país onde o bem-estar animal foi sempre um tendão de Aquiles, o centro acaba por ser uma réstia de esperança, tendo contribuído de sobremaneira para salvar os pandas-gigantes do risco de extinção em que se encontravam há relativamente pouco tempo. É também, de longe, a grande atracção da cidade, e a principal razão pela qual turistas de todo o mundo vêm até Chengdu.

Posto isto, a cidade tem outros locais interessantes merecedores de uma passagem, como a Jinli Old Street, o Kuanzhai Alley, o Mosteiro Wenshu, Wuhou Shrine (¥50) ou a futurista e sempre movimentada Chunxi Road.

Número recomendado de dias em Chengdu

  • 2 + day trips a Leshan e/ou Jiuzhaigou

Locais a não perder em Chengdu

  • Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding
  • Jinli Old Street
  • Kuanzhai Alley
  • Wuhou Shrine
  • Mosteiro Wenshu
  • Chunxi Road
  • Praça Tianfu
  • Ponte Anshun
  • Parque do Povo
  • Shufeng Yayun Sichuan Opera House
  • Jinsha Site Museum
  • Day trip a Leshan
  • Day trip a Jiuzhaigou

5 pratos a provar em Chengdu

  • Dandan Noodles – Li Xuan
  • Mapo Tofu – Chen Mapo Tofu
  • Sichuan Hotpot – Shu Jiu Xiang Hot Pot
  • Kung Pao Chicken – Jinxuan Sichuan Dish Ting
  • Chuan Chuan Xiang – Yulin Chuanchuan Xiang

Chongqing

Chongqing é provavelmente um dos casos mais emblemáticos da importância das redes sociais na promoção de um destino. Afinal, até há 2 ou 3 anos, muito pouca gente fora da China tinha ouvido sequer falar deste lugar. No entanto, bastaram alguns vídeos estilosos e uma campanha de marketing agressiva para a cidade passar a ser um must em grande parte dos roteiros de viagem pelo país, muito à conta dos arranha-céus e das luzes nocturnas que lhe dão um ar particularmente cyberpunk.

De resto, Chongqing é uma daquelas cidades que são muito mais impressionantes à noite do que durante o dia, valendo bem a pena correr os seus miradouros mais conhecidos para apreciar a paisagem futurista junto às margens do rio Yangtze.

Para lá das luzes, diz-se também que esta é a maior cidade do mundo, um facto que corresponde à realidade se considerarmos toda a área municipal que serve de lar a mais de 32 milhões de pessoas. Atendendo ao facto de que uma cidade desta dimensão foi construída numa zona montanhosa e de terreno altamente irregular, a façanha torna-se ainda mais impressionante.

Em resultado, as autoridades tiveram que ser criativas para facilitar a vida da população, criando um sistema único de planeamento vertical que faz com que a cidade tenha sido desenvolvida em “camadas”. Ou seja, muitas vezes, para completares um trajecto entre dois locais, podes ter que entrar num prédio aleatório e subir 20 andares para continuares a percorrer a mesma rua.

Isto significa que, em muitos sítios – com destaque para a viral Praça Kuixinglou – pode parecer que estás no rés-do-chão até espreitares por uma ponte e notares que na realidade estás ao nível de um prédio de 10 pisos.

Outro sítio que ficou conhecido nas redes sociais e que mostra a necessidade de inovar na hora de desenvolver infraestrutura em Chongqing é a Estação Liziba. Construída dentro de um edifício residencial, todos os dias milhares de pessoas se juntam para ficar a ver o metro a entrar no prédio através de um buraco lateral, o que é provavelmente caso único no mundo.

Quanto a sítios mais culturais ou com ligação à história da cidade (embora com um facelift quase criminoso) destacam-se a Hongya Cave e os distritos de Ciqikou e Shibati.

Número recomendado de dias em Chongqing

  • 2 ou 3

Locais a não perder em Chongqing

  • Hongya Cave
  • Estação Liziba
  • Praça Kuixinglou
  • Jiefangbei Pedestrian Street
  • Longmenhao Old Street
  • Ciqikou
  • Shibati
  • Praça do Povo
  • Three Gorges Museum
  • Templo Luohan
  • Nanbin Road
  • Nanshan Tree Viewing Platform
  • WFC Huixianlou Observation Deck
  • Eling Park
  • Yangtze River Cableway

5 pratos a provar em Chongqing

  • Xiao Mian – Wanwu Stool Noodles
  • Mala Hotpot – Underground City Old Hot Pot
  • Douhua Fan – Jiujiu Douhua Restaurant
  • Jiao Ma Chicken – Shancheng Jiao Ma Chicken
  • Mao Cai – Daping Mao Cai

Zhangjiajie

Considerada a atracção natural mais famosa de toda a China, o Parque Nacional Florestal de Zhangjiajie ficou famoso pela sua associação ao universo de “Avatar”, depois de James Cameron ter confessado que a paisagem do parque serviu de inspiração aos cenários da película. De resto, as semelhanças são difíceis de disputar, já que em nenhum outro lugar no mundo consegues encontrar uma concentração tão grande de pilares rochosos com mais de 100 metros, tornando Zhangjiajie um local particularmente singular.

Face à popularidade que traz ao parque milhões de Chineses todos os anos, a infraestrutura é excelente, com escadarias e passadiços em madeira, estradas pavimentadas, autocarros turísticos e três teleféricos em vários pontos que ajudam a ligar a secção mais baixa do parque com as regiões mais elevadas, no topo da montanha. Entre estes meios de transporte consta ainda o Elevador Bailong, considerado o elevador exterior mais alto do mundo.

Para que percebas como funciona, não é possível apanhar autocarros ou shuttles entre o patamar mais baixo e o patamar superior do parque, sobrando-te os teleféricos e o elevador.

Alternativamente, podes sempre subir e descer a pé (a descer faz-se bem, a subir demora muito e cansa ainda mais). No entanto, chegado às altitudes superiores do parque, os shuttles turísticos ligam os diferentes miradouros e pontos de interesse, pelo que não tens que subir e descer mais do que uma vez por dia.

O bilhete de admissão no parque custa ¥227 e é válido por 4 dias. No entanto, este valor não contempla os teleféricos ou o elevador, o que significa que, se quiseres poupar as pernas e não subir ou descer toda a montanha a pé, terás que pagar esse valor em separado. Nesse sentido, existem vários pacotes de transporte que podem incluir 4 viagens de teleférico/elevador (¥238), viagens ilimitadas durante o período de duração do bilhete (¥298) ou um megapack que inclui o bilhete de entrada + viagens ilimitadas de elevador e teleférico (¥521).

Se só passares 1 ou 2 dias no parque, podes antes optar por pagar as viagens individualmente, com cada bilhete de ida a custar ¥65 para o Elevador Bailong e entre ¥65 e ¥76 para os teleféricos. É ainda importante ressalvar que a melhor base para visitar o parque nacional é a localidade de Wulingyuan, junto ao East Gate.

Para além do parque nacional homónimo, Zhangjiajie é também conhecida por albergar a Tianmen Mountain, com a maioria dos visitantes a aproveitar para explorar ambos os locais. Neste caso, a base mais próxima é a própria cidade de Zhangjiajie, embora Wulingyuan fique a cerca de 30 km.

Também aqui, os principais destaques estão ligados por teleféricos, com o Grand Cableway, que liga o Tianmen Gate ao topo da Tianmen Mountain, e o Fast Cableway, que sai igualmente do Tianmen Gate mas que termina num acesso pedestre à Tianmen Cave Square, onde começa a emblemática subida de 999 degraus até ao Heaven’s Gate. O preço do bilhete irá depender da rota que queiras completar.

De uma forma muito simplista, se quiseres subir e descer de teleférico, independentemente de qual dos dois escolhas, terás que seleccionar uma das rotas A, B ou C, com o bilhete a custar ¥275. Por outro lado, se preferires poupar uns trocos subindo de teleférico e descendo de autocarro, restam-te as rotas 1 e 2, que custam ¥232.

Número recomendado de dias em Zhangjiajie

  • 3 ou 4

Locais a não perder em Zhangjiajie

  • Parque Nacional de Zhangjiajie
    • Elevador Bailong
    • Hallelujah Mountains
    • Yuanjiajie Scenic Area
    • Yangjiajie Scenic Area
    • Tianzi Mountain
    • Ten-mile Natural Gallery
    • Golden Whip Stream
    • Huangshi Village
  • Tianmen Mountain
    • Heaven’s Gate
    • Escadaria dos 999 degraus
    • Tianmen Mountain Glass Bridge

5 pratos a provar em Zhangjiajie

  • Tujia San Xia Guo – Chef Hu’s Three Pot
  • Xiangxi Bandit Chicken – Ye Hua Xiang Hunan Cuisine
  • Tujia Steamed Pork – Le Kou Fu Homestyle Restaurant
  • Galinha Estufada com Shi’er – Maoshi Specialty Restaurant
  • Chopped Chili Fish Head – Tangshifu Xiangxi Famous Dishes Restaurant

Rio Li (Guilin, Yangshuo e Xingping)

Outro dos locais paisagísticos mais famosos da China, o Rio Li faz parte do imaginário de muitos daqueles que sonham um dia visitar o Reino do Meio. E se é verdade que toda a região já foi há muito tomada de assalto pelo turismo interno, o cenário continua pelo menos tão mágico como sempre. Regra geral, os principais polos de interesse residem no eixo de Guilin, Xingping e Yangshuo, com a versão clássica do cruzeiro no Rio Li a ligar a primeira e a última.

Ao longo de mais de 4 horas, a jornada irá conduzir-te pelo leito de um dos rios mais cénicos do planeta, caracterizado pela presença abundante de rochedos cársticos cobertos de vegetação (semelhantes aos de Ninh Binh, no Vietname) cujo reflexo parece colorir a água em tons esmeralda.

Infelizmente, e por mais bonita que seja a paisagem, os cruzeiros são muitas vezes massificados e orientados para uma população mais velha, pelo que não recomendo que optes pela versão original. Em vez disso, e até para optimizares o teu tempo, aconselho que passes Guilin à frente e montes base em Xingping. Lar de uma pequena Cidade Velha bastante bonita, Xingping é um excelente ponto de partida para experienciares alguns dos locais mais clássicos do Rio Li, como as zonas de pescadores de corvos-marinhos, a Xianggong Hill, a Laozhai Hill ou a famosa vista das margens contemplada na nota de 20 yuan.

De Xingping partem ainda vários passeios em canoas de bamboo que te permitem à mesma testemunhar a paisagem a partir da água, com versões de 1 ou 2 horas, por ¥80 ou ¥170.

Para além disso, sempre estarás um pouco mais perto de Yangshuo, onde deves passar por pelo menos 1 dia para visitar a Moon Hill, percorrer a West Street e fazeres um passeio rápido de jangada pelo Yulong, o principal tributário do Rio Li. Se estiveres a viajar com tempo e quiseres mesmo incluir Guilin, deves visitar a Elephant Trunk Hill, a Reed Flute Cave e as Sun and Moon Pagodas.

Número recomendado de dias no Rio Li

  • 2 ou 3

Locais a não perder no Rio Li

  • Guilin
    • Cruzeiro clássico pelo Rio Li até Yangshuo
    • Elephant Trunk Hill
    • Reed Flute Cave
    • Sun and Moon Pagodas
  • Xingping
    • Cidade Velha
    • Pescadores com Corvos-Marinhos
    • Paisagem Nota 20 Yuan
    • Xianggong Hill
    • Laozhai Hill
    • Passeio de Canoa/Jangada pelo Rio Li
  • Yangshuo
    • West Street
    • Moon Hill
    • Passeio de Canoa/Jangada pelo Rio Yulong

5 pratos a provar no Rio Li

  • Mifen – Laodong Jiang Mifen
  • Pijiu Yu – Sister Xie’s
  • Galinha em Cana de Bamboo – Daohuaxiang Restaurant
  • Lipu Taro com Porco – A Gan Restaurant
  • Caracóis do Rio Li – Chunji Roast Goose

Fenghuang

Conhecida como a Cidade da Fénix, Fenghuang é uma das localidades mais bonitas de toda a China, muito à conta da sua Cidade Velha composta por casas antigas erigidas sobre estacas (chamadas Diajiaolou) junto às margens do Rio Tuojiang. Adicionalmente, esta é uma zona de confluência de diferentes culturas, com a influência dos Han a infiltrar-se nos costumes e tradições nativos de povos como os Tujia e os Miao. Num breve passeio, dá para perceber a forma como a cidade se foi moldando ao rio e à água, sendo por isso sem surpresa que algumas das atracções mais importantes sejam pontes históricas, como a Rainbow Bridge ou a Snow Bridge.

Outros sítios populares incluem a muralha antiga e os seus portões, o Yang’s Ancestral Hall (¥45) ou uma das casas tradicionais do centro histórico, como a Antiga Residência de Shen Congwen (¥45).

Para a melhor vista sobre a cidade, deves subir à Nanhua Mountain Sacred Phoenix Scenic Area (¥45). Seja como for, Fenghuang é o tipo de destino onde o melhor é simplesmente andar a deambular sem rumo, já que a atmosfera antiga e a beleza pitoresca da cidade são os seus principais trunfos. Bom, isso e o rio – claro – no qual podes navegar juntando-te a um dos inúmeros barcos tradicionais estacionados nas margens. Os passeios são curtinhos (30 a 45 minutos) e custam ¥85.

Adicionalmente, se contas visitar vários locais pagos, pode valer a pena comprar o bilhete combinado de ¥128 e que inclui também o passeio de barco.

Embora a cidade seja de dimensão modesta e possa ser vista em apenas 1 dia, recomendamos que guardes um tempinho extra para uma day trip a Furong, outra localidade histórica extremamente bonita. Ainda que mais pequenina que Fenghuang, Furong tem a particularidade de ter sido contruída mesmo no enfiamento de uma cascata, o que significa que podes percorrer as ruas antigas e literalmente caminhar por de trás da queda de água. Curiosamente, a entrada na Cidade Velha de Furong é paga, sendo necessário comprar bilhete por ¥108 numa das entradas. Fica a apenas 30 minutos de comboio da Cidade da Fénix, por isso a deslocação é bastante fácil.

Alternativamente, se viajares para Fenghuang a partir de Zhangjiajie (que é o que a maioria faz), podes interromper a viagem e passar umas horas em Furong, antes de retomares caminho até ao destino final. Nesse caso, fazes o trajecto de Zhangjiajie-Furong-Fenghuang.

No limite, se estiveres mesmo muito apertado de tempo e o teu destino seguinte não for a sul, podes deixar as coisas em Zhangjiajie e visitar Fenghuang e Furong numa única day trip. Não é recomendado, já que será demasiado para ver e fazer num dia… mas é tecnicamente possível dada a proximidade.

Número recomendado de dias em Fenghuang

  • 2 (1 para a cidade + 1 para day trip a Furong)

Locais a não perder em Fenghuang

  • Rainbow Bridge
  • Snow Bridge
  • Passeio de Barco no Rio Tujiang
  • Antiga Muralha de Fenghuang
  • Yang’s Ancestral Hall
  • Antiga Residência de Shen Congwen
  • Nanhua Mountain Sacred Phoenix Scenic Area
  • Wanming Pagoda
  • Jiangxi Hall
  • Day trip a Furong

5 pratos a provar em Fenghuang (e Furong)

  • Xue Ba Ya – Dashi Restaurant
  • Mi Doufu – Liu Xiaoqing Rice Tofu Shop
  • Suan Cai Yu – Junzi Restaurant
  • Miao Bacon – Shierwei
  • Pratos em forno de lenha – Daguodazaochaihuo Restaurant

Dali

Situada no sudeste da China, numa região montanhosa encostada às fronteiras com Vietname, Laos e Myanmar, a Província de Yunnan é provavelmente o segredo mais bem guardado do país, contando com cidades históricas e paisagens naturais capazes de rivalizar com os destinos mais populares do Reino do Meio. Pessoalmente, é a minha região favorita da China!

Uma província de temperaturas amenas o ano inteiro e onde congrega a maior diversidade cultural e étnica do país, já que mais de um terço da população pertence a minorias étnicas como os Hui, o Yi, os Bai, os Miao ou os Tibetanos. Para se ter uma ideia, dos 56 povos étnicos reconhecidos pela legislação Chinesa, 25 têm comunidades em Yunnan.

Posto isto, começamos a nossa mini-compilação de destinos desta região com a cidade histórica de Dali, situada a apenas 2 horas de comboio da capital e maior cidade da província, Kunming. De resto, a história e desenvolvimento de quase todas as cidades antigas Yunnan está intimamente ligada à Rota dos Cavalos do Chá, uma espécie de subsecção da Rota da Seda com vários caminhos de montanha utilizados para o transporte de chá entre algumas regiões do sul da China, o Tibete e países como a Índia ou o Nepal.

Os mercadores percorriam o caminho e iam parando nas localidades de Yunnan para descansar e comprar/vender mercadoria, ajudando a enriquecer os sítios por onde iam passando. Posto isto, Dali é um bom exemplo das cidades que este comércio ajudava a criar e transformar.

Ali, ensanduichada entre os picos sagrados das Montanhas Cangshan e as águas do Lago Erhai, Dali tem um centro histórico parcialmente muralhado extraordinariamente bonito, com muita arquitectura tradicional, templos e algumas torres de vigia. Já fora da Cidade Velha, é obrigatório passar no Templo Chongsheng e nas suas Três Pagodas, consideradas o grande cartão-postal da cidade.

De resto, vale a pena tirar um dia extra para subir às Montanhas Cangshan ou explorar as margens do lago, onde encontrarás outras localidades históricas como Xizhou ou Shuanglang. Para fechar, e situada mesmo a meio-caminho entre Dali e o próximo lugar da nossa lista, é obrigatório dar uma vista de olhos em Shaxi, para muitos a cidade histórica mais pitoresca de Yunnan.

Número recomendado de dias em Dali

  • 2 ou 3

Locais a não perder em Dali

  • Cidade Velha de Dali
    • Muralha de Dali
    • Portão Sul
    • Portão Wuhua
    • Portão Norte
    • Torre Wenxian
    • Torre Wuhua
    • Foreigner Street
    • Fuxing Road
    • Renmen Road
    • Templo Wumiao
  • As Três Pagodas
  • Templo Chongsheng
  • Montanhas Cangshan
  • Lago Erhai
    • Cidade Velha de Xizhou
    • Cidade Velha de Shuanglang
  • Cidade Velha de Shaxi (a caminho de Lijiang)

5 pratos a provar em Dali

  • Peixe em pote de barro – Meizi Well Restaurant
  • Rushan – Yang’s Rushan
  • Liang Mi Xian – Zaihuishou
  • Er Si – Xinghua Village Restaurant
  • Xizhou Baba – Yan Family Courtyard

Lijiang

Embora Dali seja a primeira localidade histórica com que te depararás em Yunnan, o destino mais famoso da região é a fabulosa cidade de Lijiang.

Aliás, de todos os sítios que visitei na China, Lijiang é provavelmente aquele que mais se assemelha ao imaginário cultural que a maioria tem do Reino do Meio, com as suas ruas pedonais em pedra, casinhas de madeira com telhados tradicionais curvos e vias adornadas com lanternas que se iluminam com o cair da noite.

Sem surpresa, o cenário faz com que seja uma paragem mesmo muito popular a nível doméstico, com grandes multidões durante praticamente todo o ano e uma economia inteira dependente do turismo. Verdade seja dita, o ambiente não é lá muito autêntico, mas é inegável o quão encantadora Lijiang é. Para além disso, muitos dos negócios continuam nas mãos dos Naxi, a minoria étnica nativa que fundou a cidade e os seus canais.

Outro grande atractivo de Lijiang é quantidade de sítios fixes que vale a pena visitar nas redondezas, sejam outras cidades históricas – como Shuhe, Baisha, Yuhu ou a já mencionada Shanxi – ou locais naturais, como a Jade Dragon Snow Mountain ou o Tiger Leaping Gorge.

Aliás, este último é considerado uma das atracções naturais mais impressionantes de toda a China, podendo ser visitado numa day trip, ou, para uma experiência mais completa, com uma estadia de uma noite em plena trilha, já que o Gorge fica a uma distância relativamente parecida entre Lijiang e o próximo destino que recomendaremos.

Número recomendado de dias em Lijiang

  • 2 a 4, dependendo das day trips

Locais a não perder em Lijiang

  • Cidade Velha de Lijiang
    • Palácio dos Mu
    • Mercado Zhongyi
    • Rua Sifang
    • Lion Rock
    • Torre Wangu
  • Black Dragon Pool Park
  • Cidade Velha de Shuhe
  • Cidade Velha de Baisha
  • Yuhu Village
  • Jade Dragon Snow Mountain
  • Day trip ao Tiger Leaping Gorge (ou a caminho de Shangri-La)

5 pratos a provar em Lijiang

  • Crossing-the-Bridge noodles – Lijiang Naxi Long Street Banquet
  • Hot pot de cogumelos selvagens – Muwang Yanyu Wild Mushroom Hot Pot
  • Espetadas de Iaque – Afeng Hot Pot
  • Chouriço de Arroz de Lijiang – Mercado Nocturno Zhongyi
  • Bolinhos de Pétalas de Rosa – Rua Sifang

Shangri-La

Finalmente, fechamos a nossa trilogia de destinos de Yunnan (embora tenhamos mencionado mais de uma dezena de sítios na província) com a emblemática cidade de Shangri-La. Se já ouviste este nome algures, não estranhes. Um termo cunhado pelo autor James Hilton, Shangri-La é uma cidade ficcional perdida no Tibete que, com o tempo, veio a ganhar um significado especial enquanto localidade montanhosa idílica.

Movidos pela popularidade do nome e por considerarem que o cenário e cultura de Zhongdian correspondia às descrições do escritor Britânico, as autoridades chinesas mudaram oficialmente o nome da cidade para Shangri-La, designação que ostenta desde 2001. De resto, e a uma altitude superior a 3000 metros, esta é a cidade fora do Tibete que melhor representa a arquitectura e cultura Tibetanas, com uma população significativa com esse background étnico.

Uma vez que, ao contrário do que acontece com o verdadeiro Tibete, não é obrigatório um tour nem uma autorização especial para visitares Shangri-La, este é um destino fácil e confortável para experienciares um cheirinho dessa região lendária num ambiente controlado. Claro que isto pode sempre fazer levantar algumas alegações de apropriamento cultural e de contribuição para a opressão do povo Tibetano sob o jugo Chinês, mas do ponto de vista exclusivamente turístico, não deixa de ser um destino interessantíssimo.

Em Shangri-La, podes visitar a Cidade Velha de Dukezong e ter um primeiro contacto com os templos e arquitectura tradicional Tibetanos, apreciar a natureza na Reserva Natural Napahai ou no Parque Nacional Pudacuo, ver a Pagoda Tazhongta, e – como ponto alto – explorar o Mosteiro Songzanlin, considerado o local mais impressionante de toda a cidade e um dos poucos sítios capazes de fazer lembrar o lendário Palácio Potala, esse sim situado no verdadeiro Tibete!

Número recomendado de dias em Shangri-La

  • 1 ou 2

Locais a não perder em Shangri-La

  • Cidade Velha de Dukezong
    • Tortoise Hill
    • Parque Guishan
    • Giant Prayer Wheel
    • Templo do Grande Buddha
    • Moonlight Square
    • Shambhala Old Street
    • Templo Baiji
  • Pagoda Tazhongta
  • Mosteiro Songzanlin
  • Day trip ao Parque Nacional Pudacuo
  • Day trip à Reserva Natural Napahai

5 pratos a provar em Shangri-La

  • Carne de Iaque – Shunshun Snack Restaurant
  • Momos – Xiao Cai Café
  • Refogado de Cevada – Akhustonpa Tibetan Restaurant
  • Porco Pipa – The Silent Holy Stones
  • Chá de Manteiga – Kailash

Suzhou

Atendendo à beleza e história de Suzhou e à sua proximidade de Shanghai (30 minutos de comboio), não deixa de ser surpreendente que esta cidade não tenha maior tracção junto do público internacional. Felizmente, o mesmo não se pode dizer do mercado interno, com muitos Chineses a visitarem diariamente Suzhou para apreciarem aquilo que de melhor tem para oferecer. E – diga-se – não é pouco! Para começar, esta é uma das melhores bases (para além da supramencionada Shanghai e de Hangzhou) para explorar as fabulosas Water Towns de Jiangnan.

Aliás, Suzhou era originalmente uma dessas water towns, tendo acabado por crescer na era moderna e estabelecer-se como uma metrópole com mais de 12 milhões de pessoas. Apesar disso, as zonas históricas originais foram construídas em redor dos canais e continuam presentes, especialmente na Jiangnan Road e na Shantang Street, principais polos turísticos deste destino.

A par dos canais e da arquitectura típica, Suzhou é igualmente conhecida pelos seus jardins tradicionais Chineses, numa tradição que começou há mais de 2000 anos. Naquilo que mais parecia uma competição, os estratos mais nobres e poderosos de Suzhou tinham por hábito construir jardins ornamentados nas suas residências, o que acabou por dotar a cidade de mais de 50 jardins absolutamente extraordinários (no seu auge, chegaram a ser 170).

Embora muitos deles sobrevivam em excelente estado e estejam abertos ao público, é mais ou menos unânime que os mais cobiçados são o Humble Administrator’s Garden (¥80), o Lingering Garden (¥55) e o Lion Grove Garden (¥40).

Antes de seguires para o destino seguinte, e caso queiras trazer uma souvenir, recomendo uma visita à Suzhou No. 1 Silk Factory, uma fábrica de ceda com mais de 100 anos onde podes inclusive assistir ao processo de produção e manuseamento do tecido. Não é caso para menos, já que se estima ter sido em Suzhou que a primeira ceda foi criada.

Número recomendado de dias em Suzhou

  • 2 + day trip a uma water town

Locais a não perder em Suzhou

  • Jiangnan Road
  • Shantang Street
  • Humble Administrator’s Garden
  • Lingering Garden
  • Lion Grove Garden
  • Tiger Hill
  • Museu de Suzhou
  • Suzhou No. 1 Silk Factory
  • Day trip a uma water town (Tongli, Zhouzhuang ou Luzhi)

5 pratos a provar em Suzhou

  • Jiaohua Ji – Hua Chi 88
  • Lion’s Head Meatballs – Gusu Dinner
  • Hongtang Mian – Tongdexing
  • Peixe Mandarim Agridoce – Songhelou
  • Caranguejo-peludo do Lago Taihu – Yujia Denghuo

Hangzhou

Falar de Hangzhou é falar de Marco Polo. Considerado um dos exploradores mais lendários de sempre, Marco Polo partiu da sua terra-natal de Génova e regressou mais de duas décadas depois, tendo passado esse tempo a viajar com o seu pai e tio ao longo da Rota da Seda até chegar à China. No Reino do Meio, o Imperador gostou tanto dele que o nomeou emissário oficial, sendo nesse papel que passou 17 anos a visitar diferentes regiões da China e do Sudeste Asiático em representação do Imperador.

Escusado será dizer, Marco Polo viu muito. E ainda assim, quando recolheu toda a sua experiência de viagem num manuscrito, referiu-se à cidade de Hangzhou como a “a mais bela e nobre cidade do mundo”.

750 anos volvidos, Hangzhou já não fazer jus a esse título, mas continua a ser um destino que vale bem a pena visitar. Especialmente em volta do gigantesco West Lake, em redor do qual toda a cidade se erigiu, a atmosfera é difícil de igualar, com vários tempos e pagodas, pontes em pedra, barquetas a navegar pelas águas e um ambiente relaxado que contrasta com a azáfama de outras zonas da cidade.

Se só tiveres 1 dia em Hangzhou, é a caminhar em redor deste lago que o deverás passar. No entanto, a cidade tem outras atracções dignas de registo, como o Templo Lingyin e o adjacente Feilai Peak (¥75 pelo bilhete único), os quarteirões antigos da Hefang Street e de Qiaoxi (junto ao Grand Canal), a Antiga Residência de Hu Xueyan (¥20). Se não te importares de te afastar um bocadinho mais do centro, podes até visitar a Plantação de Chá de Longjing, as Xixi Wetlands ou uma das Water Towns de Jiangnan.

Número recomendado de dias em Hangzhou

  • 2 ou 3 + day trip a uma water town

Locais a não perder em Hangzhou

  • West Lake
  • Pagoda das Seis Harmonias
  • Templo Lingyin e o Feilai Peak
  • Hefang Street
  • Qiaoxi Conservation Area (Grand Canal e Ponte Gongchen)
  • Antiga Residência de Hu Xueyan
  • Plantação de Chá de Longjing
  • Xixi Wetlands
  • Day trip a uma water town (Wuzhen, Xitang ou Nanxun)

5 pratos a provar em Hangzhou

  • Porco Dongpo – Green Tea Restaurant
  • Camarão Longjing – Hangzhou Restaurant
  • Carpa do West Lake em Vinagre – LuYu
  • Pato de Hangzhou em Molho de Soja – Zhang Sheng Ji
  • Sopa de Peixe da Sister Song – Lou Wai Lou

Water Towns de Jiangnan

Mais do que uma cidade ou localidade única, as Water Towns de Jiangnan são um conjunto de destinos turísticos com muitos séculos de existência que foram construídos junto aos inúmeros canais que recortam esta região da China imediatamente a sul do Rio Yangtze. Situadas entre o eixo Shanghai-Suzhou-Hangzhou, podes utilizar qualquer uma destas cidades como base para visitar algumas das water towns mais populares.

Pessoalmente, acho que incluir pelo menos uma deveria ser obrigatório em qualquer itinerário da China, já que estes são alguns dos locais mais fotogénicos do país. Um bocadinho como Veneza, no sentido em que as estradas foram substituídas por canais e pontes, mas em versão de bolso e com casinhas caiadas de branco, jardins clássicos e edifícios típicos da Ásia Oriental.

Embora todas sejam bastante turísticas, há algumas que ainda mantêm um certo nível de autenticidade e onde a população mais velha ainda reside. Entre as water towns mais bonitas e concorridas, há que destacar Zhouzhuang, promovida como a Water Town nº 1 da China; Zhujiajiao, provavelmente a menos autêntica, mas simultaneamente a mais fácil de visitar; Tongli, a minha favorita; Wuzhen, dividida em duas secções principais com atmosferas bastante diferentes; e ainda Xitang e Nanxun, as mais off-the-beaten-path desta selecção.

Existem pelo menos mais 4 ou 5 que foram renovadas para fins turísticos (para não falar das que estão semi-esquecidas), mas estão são as 6 opções que tendem a reunir maior consenso. Tem ainda em atenção que, embora algumas sejam de entrada gratuita, na maioria é preciso pagar para entrar nos limites da cidade. Os valores vão variando, mas normalmente oscilam entre os ¥100 e os ¥200, dependendo da cidade. Por outro lado, a entrada em todos os templos, halls, casas comerciais, jardins e mansões está incluída no bilhete.

 Se vale a pena visitar todas elas? Provavelmente não, já que a arquitectura é mais ou menos semelhante entre elas. Mas explorar pelo menos 1 ou 2 vale bem a pena!

Como chegar às Water Towns de Jiangnan

  • Zhouzhuang
    • Autocarro directo desde Suzhou
    • Comboio até Suzhou South ou Kunshan + táxi da DiDi
  • Zhujiajiao
    • Linha 17 do Metro de Shanghai até à paragem Zhujiajiao
  • Tongli
    • Linha 4 do Metro de Suzhou até à paragem Tongli + eléctrico até à Water Town
  • Wuzhen
    • Autocarro directo desde Shanghai e Hangzhou
    • Comboio até Tongxiang + táxi da DiDi
  • Xitang
    • Autocarro directo desde Shanghai, Hangzhou e Suzhou
    • Comboio até Jiashan South + táxi da DiDi
  • Nanxun
    • Comboio até Huzhounanxun + táxi da DiDi

Número recomendado de dias nas Water Towns de Jiangnan

  • 1 dia em cada

Pingyao

Outra cidade que figura entre as mais bonitas da China, mas que tende a passar ao lado dos radares turísticos internacionais, Pingyao tem uma história mercantil que contrasta com o seu ar antigo e pequenino. Afinal, quem olha para esta adorável cidade muralhada e onde praticamente não entram carros, dificilmente desconfia de que, até há bem pouco tempo, era a grande capital financeira da China durante a Dinastia Qing.

Acontece que foi aqui que foi inaugurado o primeiro banco do país (e um dos primeiros do mundo), levando a que outras instituições financeiras se estabelecessem na cidade durante o século XIX e início do século XX. Ao invés de edifícios altos e torres espelhadas, os bancos operavam em mansões senhoriais erguidas em ruas pedestres. Um contraste interessante se pensarmos, por exemplo, nos primeiros bancos das Américas ou nas suas instalações do século XX.

A Cidade Velha é bastante grande e pode-se perfeitamente passar 1 dia inteiro só lá dentro. A entrada é gratuita, mas existe um bilhete único (¥125) que é válido para todos os 20 museus e templos de Pingyao. Se quiseres caminhar pela muralha (altamente recomendado), também é necessário apresentar este bilhete. Verdade seja dita, a maioria dos museus exibe apenas informação em Mandarim, mas vale a pena visitar o Rischengchang, o tal que foi o primeiro banco da China; o Banco Xietongqing, o único que tem os cofres subterrâneos abertos ao público; o Antigo Edifício do Governo; e ainda o Templo de Confúcio e o Templo City God.

Para caminhares na muralha e veres a cidade de cima, basta entrares num dos quatro portões principais. A muralha tem uma extensão total de mais de 6 km, mas podes optar por percorrer um troço mais pequeno e descer em qualquer portão que te convenha. Embora toda a Cidade Velha seja absolutamente encantadora, as artérias pedestres mais importantes são a South Street e a West Street.

Se passares mais que 1 dia em Pingyao, podes sair da Cidade Velha e explorar os arredores, onde encontrarás o Templo Shuanglin e o Templo Zhenguo, ambos listados como Património da Humanidade pela UNESCO, e – um pouco mais longe – o Wang Family Compound, uma propriedade enorme que é considerada a residência tradicional mais espectacular de todo o país.

Número recomendado de dias em Pingyao

  • 1 ou 2

Locais a não perder em Pingyao

  • Cidade Velha de Pingyao
    • Muralha de Pingyao
    • Rischengchang
    • Banco Xietongqing
    • Antigo Edifício do Governo
    • Templo de Confúcio
    • Templo City God
    • South Street
    • West Street
  • Templo Shuanglin
  • Templo Zhenguo
  • Wang Family Compound

5 pratos a provar em Pingyao

  • Pingyao Beef – Tian Yuan Kui
  • Wantuozi – Renzaibeifang
  • Porco Marinado em Vinagre – Hong Wu Ji
  • Youmian Kaolaolao – Yunjincheng
  • Chá de Crisântemo com Vinagre – Liang Xiansen

Datong

Pessoalmente, Datong foi um dos sítios que mais me surpreendeu em toda a China. Situada a cerca de 2 horas de Pequim, esta é uma excelente opção para quem queira visitar o norte da China e esteja à procura de potenciais destinos. Mesmo entre os Chineses, a cidade costuma ser popular apenas como day trip a partir da capital, já que existem 2 sítios particularmente populares nos arredores da cidade. Um deles, 20 km a oeste do centro, são os Yungang Grottoes (¥120).

Esculpidas ao longo de uma superfície rochosa com cerca de 1 km de extensão, estas grutas contêm quase 60.000 estátuas e representações em pedra de Buddha, em versões de todos os tamanhos e feitios, criadas ao longo dos séculos V e VI. Ao contrário de outros lugares semelhantes na China, algumas das grutas mantiveram a pigmentação original, pelo que é ainda possível encontrar Buddhas coloridos.

Já o outro local famoso é o Mosteiro Suspenso (¥125), e pode ser encontrado 60 km a sudeste do centro de Datong. Oficialmente chamando de Templo Xuankong, este mosteiro ficou famoso pela sua localização inusitada, tendo sido fixado à parede de um precipício. O método? Os monges talharam uns buracos profundos directamente na rocha e inseriram troncos de carvalho para servirem de vigas-mestras ao resto da estrutura.

Certo é que o mosteiro está no mesmo local há mais de 1500 anos, sendo permitida a entrada de 80 turistas de cada vez para explorarem a estrutura. Seguramente um dos monumentos mais singulares da China! Tanto para os grottoes como para o mosteiro, o melhor é utizares um táxi da DiDi se estiveres em Datong.

Como deves perceber, contudo, completar todas estas distâncias numa day trip a partir de Beijing será altamente desgastante, para além de não te permitir qualquer tempo para visitar Datong propriamente dita. Embora até há bem pouco tempo não houvesse grande coisa para ver aqui, as autoridades Chinesas têm vindo a empreender esforços para fazer a cidade regressar aos seus tempos áureos – afinal, esta já foi uma das capitais históricas do país!

Para isso, e com a ajuda de historiadores e especialistas, o governo local está há 10 anos a reconstruir toda a Cidade Velha de Datong, com direito a uma muralha nova e tudo! Isto significa que, com o passar do tempo, a área vai ficando maior e com cada vez mais atracções reconstruídas, com os prédios modernos a serem derrubados e a população realojada noutras zonas da cidade e com melhores condições (e muita polémica à mistura nas expropriações).

Sinceramente, tudo isto é um pouco controverso. Por um lado, estes novos halls, templos e palácios, por mais bonitos que pareçam, não são verdadeiramente históricos ou antigos (com excepção do Templo Huayan e do Templo Shanhua, que estão entre os melhores que visitei na China). Aliás, alguns estudiosos acusam até o planeamento de alterar importantes elementos práticos por questões estéticas.

Por outro, as construções são feitas usando os materiais e técnicas arquitectónicas do seu tempo, e tentam honrar o legado cultural e histórico da cidade (um pouco como na reconstrução da Cidade Velha de Varsóvia depois da II Guerra Mundial). Para além disso, diz-se que é a cidade da Mulan, o que dá sempre uns pontinhos extra. Tudo somado, e com ou sem polémicas, considero Datong um destino que vale a pena visitar!

Número recomendado de dias em Datong

  • 2 ou 3

Locais a não perder em Datong

  • Mosteiro Suspenso
  • Yungang Grottoes
  • Cidade “Velha” de Datong
    • Muralha de Datong
    • Palácio do Príncipe Dai
    • Templo Huayan
    • Templo Shanhua
    • Bell Tower & Drum Tower
    • Parede dos Nove Dragões
    • Sipailou – Os Quatro Portões de Datong

5 pratos a provar em Datong

  • Dumplings Shaomei – Yunzhong
  • Noodles Fatiados de Datong – DongFang XueMian
  • Carne de Carneiro (vários pratos) – Sun’s Instant Boiled Mutton
  • Galinha Fumada de Lingqi – Fenglin Ge
  • Youmian Wowo – The Cai’s Restaurant

Luoyang

Quem hoje olha para Luoyang, dificilmente imagina que esta era outra das grandes capitais históricas da China. Ao contrário de Beijing ou Xian, Luoyang tem um ar muito mais pequeno, urbano e menos histórico ou imperial. No entanto, é nos arredores da cidade que encontrarás a sua maior atracção, sob a forma dos incomparáveis Longmen Grottoes (¥90). Tal como as grutas de que falei acima em Datong, também este local é formado por milhares e milhares de estátuas de Buddha, esculpidas directamente nas superfícies rochosas de duas colinas situadas em margens opostas do lendário Rio Amarelo.

No entanto, este local é incomparavelmente maior, formado por 2300 cavernas e quase o dobro das estátuas encontradas nos Yungang Grottoes. A maior concentração de estátuas está situada na Colina Oeste, incluindo as representações com mais de 15 metros do Templo Fengxian, considerado o ponto alto do complexo. Já na margem oposta, na Colina Este, embora existam menos Buddhas, o bilhete permite-te entrar no Templo Xiangshan, no Jardim Bai e na Buddha Worship Pltaform, de onde terás uma vista privilegiada para os grottoes da Colina Oeste.

Só este local já vale o esforço de um desvio até Luoyang, mas a cidade tem mais para oferecer! Para os fãs de artes marciais, é possível visitar o Templo Shaolin (¥80), onde foi desenvolvido o estilo de kung-fu mais conhecido no ocidental. Curiosamente, os próprios monges do mosteiro são os grandes mestres desta prática, sendo inclusive possível assistir a demonstrações e performances. Pelo caminho, vale a pena parar no White Horse Temple, o primeiro a ser construído após a introdução do Budismo na China.

Infelizmente, estes locais ainda ficam longe do centro (50 e 25 km, respectivamente), pelo que poderão não ser a melhor opção para combinar com as grutas se passares apenas 1 dia em Luoyang. Nesse caso, deverás ficar-te pela Cidade Velha de Luoyi, o quarteirão que serve de centro histórico da metrópole. Também aqui, praticamente tudo o que vês foi reconstruído recentemente com propósitos turísticos, procurando mimicar o aspecto da cidade durante o auge da Dinastia Tang.

Ainda assim, é um sítio bonito e agradável para um passeio, valendo a pena atravessar o Portão Lijing e a Drum Tower, duas das estruturas que são genuinamente antigas. Ainda perto do centro, o Museu de Luoyang é considerado outro dos grandes destaques.

Número recomendado de dias em Luoyang

  • 1 ou 2 (também possível como day trip a partir de Xian)

Locais a não perder em Luoyang

  • Longmen Grottoes
  • Cidade Velha de Luoyi
    • Portão Lijing
    • Drum Tower
    • Wenfeng Pagoda
  • Museu de Luoyang
  • Templo Shaolin
  • White Horse Temple

5 pratos a provar em Luoyang

  • Luoyang Water Banquet – Zhenbutong
  • Pratos com Peónias (vários) – Guanji Shuixi Old Restaurant
  • Jiang Mian Tao – Majesan Beef Soup Restaurant
  • Guotie Dumplings – Luoyang Shuixi Garden
  • Hulatang – Gaoji Qingxiangyuan Juewei Bufantang

Leshan

Embora sejas sempre bem-vindo a passar cá a noite e a procurar outras atracções na cidade, este é um destino conhecido por uma coisa apenas: o Buddha Gigante de Leshan! Por sorte, a megacidade de Chengdu fica a menos de 1 hora de comboio de distância, fazendo desta a melhor day trip possível para quem esteja baseado na Cidade dos Pandas. Mesmo que nunca tenhas pesquisado nada acerca do Buddha Gigante de Leshan, é provável que já te tenhas deparado com pelo menos uma fotografia deste local, já que é considerado um dos grandes marcos históricos e culturais da China.

Com uma impressionante altura de 71 metros, este é o maior Buddha em pedra do mundo, tendo sido esculpido num precipício situado junto à confluência de três rios diferentes. É um monumento extremamente imponente, e ganha ainda maior dimensão se considerarmos o nível de detalhe e pensarmos em toda a empreitada necessária para construir uma coisa destas à mão há mais de 1000 anos (diz-se que levou quase 100 anos para ser terminado).

De resto, e embora seja seguramente o elemento central e mais importante, a estátua é “apenas” um dos destaques da Leshan Giant Buddha Scenic Area, uma zona que inclui várias atracções e onde é necessário pagar ¥80 de entrada. Entre os locais que poderás visitar, uma menção para o Templo Wuyou, o Túmulo do Mahao Cliff, o Templo Piluyuan, o Templo Lingyun ou a Pagoda Lingbao. A zona cénica também inclui o Oriental Buddha Park, mas a entrada é paga em separado e todas as estátuas são réplicas modernas, pelo que não recomendo a visita.

Independentemente da entrada que utilizes, basta seguires às direcções e irás dar ao Buddha, sendo depois possível caminhares pelo passadiço que desce até aos pés da estátua. Para uma das vistas mais emblemáticas da estátua, podes apanhar um dos barcos cénicos junto ao rio por ¥70 (tour de 1 hora). Por fim, se pernoitares em Leshan e tiveres mais tempo na cidade, é altamente recomendada a subida até ao Monte Emei, uma das montanhas sagradas da China.

Número recomendado de dias em Leshan

  • Day trip a partir de Chengdu

Locais a não perder em Leshan

  • Buddha Gigante de Leshan
  • Monte Emei

5 pratos a provar em Leshan

  • Pato à Leshan – Zhao Ya Zi
  • Douhua – Zhongshi Lao Xiba Bean Curd Restaurant
  • Qiaojiao Beef – Gu Shi Xiang
  • Ye’er Ba – Que’s Snack
  • Hotpot de Peixe – Wanghaoer Fishing Harbor

Harbin

Ao visitares a China, notarás que, quanto mais para norte seguires, mais sentirás a influência da vizinha Rússia. Essa ingerência cultural está particularmente presente no noroeste da China, na Província de Heilongjiang, que tem a cidade de Harbin como capital.

Aí, a presença Russa não é estritamente explicada pela proximidade geográfica, mas também pela história do final do século XIX. Afinal, quando a China estava a começar a desenvolver a sua ferrovia, o Império Russo ofereceu-se para enviar milhares de trabalhadores nacionais para planearem e construírem a infraestrutura dos Chinese Eastern Railway, um importante atalho do lendário Trans-Siberiano que iria beneficiar as duas nações. Essa comunidade estava precisamente baseada em Harbin, criando uma espécie de Mini-Rússia em pleno território Chinês.

Hoje em dia, o número de Russos é inexpressivo, mas a sua marca é especialmente inegável a nível arquitectónico, através de pontos como a Zhongyang Pedestrian Street, flanqueada por inúmeros edifícios clássicos europeus, e a Igreja de Santa Sofia, uma belíssima catedral ortodoxa Russa que se encontra agora convertida num museu. Numa toada totalmente diferente, não podes perder o Exhibition Hall of Evidence of Crimes Committed by Unit 731 of the Japanese Imperial Army.

O nome é gigantesco, mas o que importa é a história, já que a Unidade 731 era o complexo de prisioneiros de guerra que os Japoneses construíram em território Chinês durante a WWII. Vou poupar-te a descrições, mas posso dizer que à beira da crueldade Japonesa, os Nazis eram uns meninos. Em suma, esta é a Auschwitz do Oriente. Se tiveres estômago e quiseres destruir a tua visão idílica do País do Sol Nascente, podes ler mais sobre a Unidade 731 neste link.

Estes sítios merecem uma visita se estiveres em Harbin, mas não sei se justificam a longa viagem até ao noroeste Chinês… mas há algo que justifica! Falo do mundialmente famoso Harbin International Ice & Snow Festival, um evento anual que decorre de Janeiro a meados de Fevereiro na Sun Island – na margem oposta do Rio Shongua – e no qual são erigidos verdadeiros monumentos feitos totalmente em gelo! Castelos inteiros, torres, templos e catedrais, o céu é o limite, fazendo deste o maior evento de gelo e neve do mundo.

Embora o festival tome conta da cidade inteira, a venue principal chama-se Ice and Snow World (fica na tal Sun Island) e é de entrada paga (¥330). É aqui que podes encontrar as construções mais espectaculares e os espectáculos de luzes nocturnas mais bonitos, com os edifícios em gelo a reflectirem os focos coloridos e a criarem um ambiente memorável. Ao mesmo tempo, e a menos de 3 km de distância, podes igualmente visitar a Harbin International Snow Sculpture Art Expo (¥220), com verdadeiras obras-primas totalmente criadas em neve.

Como podes ver, Harbin é um destino bastante sazonal. Para além do festival de gelo e da cidade propriamente dita, se passares em Harbin no Inverno podes ainda aproveitar para esquiar no Yabuli Ski Resort. Situado a pouco mais de 200 km da cidade, é considerado o melhor sítio para a prática de desportos de neve em toda a China.

Já a 280 km, podes ainda dar um saltinho à China Snow Town (¥80), um recinto temático que tenta recriar uma vilazinha idílica de Inverno – um bocadinho como as vilas ou cidades do Pai Natal na Europa, mas sem o background natalício!

Número recomendado de dias em Harbin

  • 2 ou 3 (no Inverno)

Locais a não perder em Harbin

  • Harbin International Ice & Snow Festival
  • Harbin International Snow Sculpture Art Expo
  • Sun Island
  • Igreja de Santa Sofia
  • Zhongyang Pedestrian Street
  • Parque Estaline
  • Museu da Província de Heilongjiang
  • Cemitério Judaico
  • Velha Sinagoga de Harbin
  • Exhibition Hall of Evidence of Crimes Committed by Unit 731 of the Japanese Imperial Army
  • Yabuli Ski Resort
  • China Snow Town

5 pratos a provar em Harbin

  • Comida Russa (Estrogone, Borscht, Khleb, etc) – Portman’s Restaurant
  • Estufados em Panela de Ferro (vários) – Lao Zhang Iron Pot Stew
  • Salsicha de Harbin – Madieer Restaurant & Brewery
  • Guobaorou – Lao Chu Jia
  • Di San Xian – Northeast Kitchen

Aldeias Étnicas de Guizhou

Um dos destinos menos conhecidos da nossa lista, a Província de Guizhou é uma das mais diversas de toda a China, já que uns impressionantes 37% da população pertencem a uma das minoritas étnicas oficialmente reconhecidas pelo governo. No entanto, ao passo que em Yunnan – que tem níveis semelhantes de população não-Han – as populações imiscuem-se e assimilam-se nas grandes cidades e centros urbanos, Guizhou é conhecida pelas suas aldeias e vilas étnicas, onde se mantêm bem vivas as tradições e costumes de povos como os Miao, os Dong e os Gejia.

Perdidas no meio da bruma das montanhas, estas vilas são extremamente bonitas, quer do ponto de vista arquitectónico, quer do ponto de vista natural. No entanto, não esperes ter contacto com tribos primitivas nem nada que se pareça. Embora desconhecidas a nível internacional, as aldeias e vilas étnicas de Guizhou são destinos turísticos bem estabelecidos a nível interno, e fazem do turismo uma importante fonte de rendimentos. Ainda assim, vale bem a pena visitar pelo menos 2 ou 3 se fizeres um roteiro pelo sul da China e estiveres à procura de um sítio extra para combinar com Yunnan, Chongqing, Zhangjiajie ou com as cidades do Rio Li.

De todas, a mais conhecida é a Xijiang Miao Village (¥110), que é na verdade composta por 5 aldeias interligadas, e que serve de lar a mais de 6000 pessoas. É o maior polo de cultura Miao do mundo, com um museu dedicado à história e cultura desta etnia e vários shows de música e de danças tradicionais. Para além disso, a vila composta por edifícios clássicos em madeira e casinhas construídas sobre estacas junto à margem do rio – é mesmo muito bonito!

Para rematar, podes subir à plataforma panorâmica para uma vista sensacional sobre a vila e a paisagem circundante. Se estiveres apertado de tempo, podes visitar toda a vila numa manhã e aproveitar a tarde para um saltinho à Langde Miao Village (¥60), outra aldeia Miao, mas mais pequenina e ligeiramente menos comercial.

A par dos Miao, a outra minoria étnica mais culturalmente representada em Guizhou são os Dong, com várias aldeias espalhadas na zona mais oriental da província. Dessas, nenhuma é mais conhecida que a Zhaoxing Dong Village (¥80), considerada a maior e mais importante da região. Por incrível que pareça, o cenário consegue ser ainda mais idílico que nas aldeias Miao, já que esta vila está praticamente cercada por montanhas.

Para além da vertente cultural e arquitectónica, com edifícios e torres típicas dos Dong, podes aproveitar as redondezas para completar vários trilhos, sempre com a aldeia como plano de fundo. A Huanggang Dong Village é outra excelente alternativa ou adição, já que fica a cerca de 45 km da primeira. Para além disso, é das únicas que não cobra entrada a turistas!

Por fim, resta mencionar que existem ainda outras aldeias associadas aos povos Gejia, Shui ou Buyi. Por outro lado, se quiseres visitar outras atracções de Guizhou que não sejam aldeias de minorias étnicas, recomendo a Cascata Huangguoshu, considerada a maior queda de água de toda a Ásia; a paisagem do Monte Fanjing; a gigantesca caverna subterrânea do Dragon Palace; os Arrozais de Jiabang; e ainda as cidades antigas de Qingyan e Zhenyuan.

Como chegar às Aldeias Étnicas de Guizhou

  • Xijiang Miao Village: Comboio até Kaili + autocarro ou táxi da DiDi
  • Langde Miao Village: táxi da DiDi a partir da Xijiang Miao Village ou de Kaili
  • Zhaoxing Dong Village: Comboio até Congjiang + autocarro ou táxi da DiDi
  • Huanggang Dong Village: táxi da DiDi a partir da Zhaoxing Dong Village ou de Congjiang

Número recomendado de dias nas Aldeias Étnicas de Guizhou

  • Meio dia ou 1 dia inteiro em cada aldeia

Huangshan

Traduzida como Montanha Amarela, a Huangshan é uma zona cénica de picos rochosos, paisagens majestosas e estâncias termais, constituindo a montanha mais visitada de toda a China. Apesar disso, este está longe de ser um sítio remoto ou isolado, com a Huangshan City ligada ao resto da rede de comboios de alta-velocidade Chinesa. A partir daí, podes apanhar um autocarro ou um táxi da DiDi até Tangkou Town, a última localidade antes da entrada na zona protegida, onde o acesso de carros privados passa a ser proibido. Lá dentro, a única forma de te deslocares passa por recorreres aos shuttles oficiais da montanha, que transportam passageiros entre a entrada e os diferentes teleféricos até aos trilhos.

Os shuttles estão incluídos no preço do bilhete (¥190), mas os teleféricos têm que ser pagos separadamente. A rota clássica da Huangshan leva os visitantes a subir no Teleférico Yungu (¥80) e a descer no Teleférico Yuping (¥90).

Pelo meio, é só apreciar as formações rochosas incomuns, as panorâmicas fenomenais e o mar de nuvens que se tendem a aglomerar em certas zonas da montanha só mesmo para te lembrarem de que estás acima delas. Quiçá consigas até dar um saltinho ao West Sea Grand Canyon! Depois de um cansativo dia de caminhada, podes fechar com chave de ouro e repousar nas Huangshan Hot Springs (¥188), um complexo exterior com várias piscinas de temperaturas a oscilar entre os 40ºC e os 42ºC.

Normalmente, 1 dia inteiro é suficiente para ver a zona cénica de montanha, com a maioria dos visitantes a escolher um alojamento em Tangkou ou em Huangshan City. No entanto, se gostares mesmo muito de hiking e quiseres passar mais tempo na natureza, dá para passar até 3 dias nos trilhos. Nesse caso, deves explicar a situação na bilheteira e pedir para te fazerem um registo de reentrada, de modo a que não tenhas que pagar novo ingresso.

Posto isto, nem só de natureza se faz uma visita à Huangshan. Na verdade, quase todos os que vêm a este recanto pristino de Anhui acabam por combinar a montanha com pelo menos 1 ou 2 das cidades históricas da província, com destaque para Hongcun (¥104). Erigida há 900 anos pela população da etnia Hui, esta cidade tem praticamente todos os ingredientes que fazem das já mencionadas Water Towns de Jiangnan chamarizes turísticos tão grandes, ostentando as mesmas casinhas caiadas de branco e – acima de tudo – os mesmos canais a servir de elo de ligação.

Outrora desconhecida, saltou para a ribalta depois de ter sido local de filmagem do famoso filme “Crouching Tiger, Hidden Dragon”, que ganhou vários Óscares em 2001. Outro destino bastante recomendado é a Cidade Antiga de Xidi (¥104), que é tradicionalmente mais calma e menos turística, famosa pelos edifícios em madeira e halls monumentais. Se não tiveres margem de manobra e não conseguires visitar nenhuma destas cidades, pelo menos assegura-te de que caminhas ao longo da Tunxi Ancient Street, a via pedonal mais bonita e clássica de Huangshan City.

Número recomendado de dias na Huangshan

  • 1 para a montanha + 1 para as cidades antigas

Locais a não perder na Huangshan

  • Huangshan – Montanha Amarela
  • Tunxi Ancient Street (Huangshan City)
  • Cidade Antiga de Hongcun
  • Cidade Antiga de Xidi

Província de Xinjiang

Considerada a província mais longínqua e isolada da China, pese embora seja simultaneamente a de maior dimensão, Xinjiang tem feito manchetes um pouco por todo o mundo… e não pelos melhores motivos! Lar ancestral dos Uigures, é já muito conhecida a política repressiva que o governo central tem para com esta etnia, com relatos de apreensões aleatórias, campos de reeducação, abortos forçados e um sistema de videovigilância de tal modo intensivo que faz Xinjiang parecer um gigantesco Truman Show. O objectivo? Garantir que os Uigures passam a praticar um Islão mais “relaxado” e secular e que se adaptam rapidamente (e de forma forçada) à máquina bem-oleada que é a sociedade Chinesa.

No entanto, é precisamente essa diferença Uigur, patente nos traços, nos comportamentos, na religião, na cultura, na língua e na comida, que torna esta região tão fascinante. É como visitar outro país dentro da China. Verdade seja dita, é quase injusto reservar uma única menção para Xinjiang, já que poderíamos facilmente desdobrar a província em vários destinos (tal como fizemos em Yunnan, por exemplo) e destacar pelo menos 4 ou 5 locais diferentes. Seja como for, tentarei mencionar todos os pontos de interesse deste desconhecido território do extremo ocidental do Reino do Meio.

Para começar, importa mencionar que Xinjiang tem um look e um feeling de Ásia Central, como se pudesse perfeitamente ser mais uma república da região a par de Cazaquistão, Quirguistão ou Uzbequistão, por exemplo. E se isso se sente na cultura, nos rostos das pessoas e na história comum que fez passar por estas bandas a Rota da Seda, é inegável que o mesmo se aplica à natureza inóspita e intocada. Tal como os vizinhos, também Xinjiang está repleta de picos montanhosos, lagos cristalinos, desertos infindáveis e vales verdejantes, sendo um dos principais destinos de natureza de toda a China.

Entre as várias maravilhas da província que não passaram pela mão do homem, há que destacar o Lago Tianchi, a Reserva Natural de Kanas, o Lago Sayram, os desertos Takla Makan e Kumtag, o Lago Karakul, os vales Ili Apricot e Huoyun, a paisagem encarnada da Flaming Mountain e as extensas pradarias Bayanbulak, Karajun e Naraty. Para além disso, vale a pena conduzir ao longo da Karakoram Highway e ir apreciando ao cenário à medida que os quilómetros acumulam. Escusado será dizer, muito do teu tempo será passado no meio da natureza se escolheres visitar esta província.

No entanto, desengane-se quem pensa que não existem destinos de cultura em Xinjiang, já que esta região costumava estar ocupada por diferentes reinos com uma vasta história. Naturalmente, é obrigatório mencionar a cidade de Kashgar, provavelmente o destino nº 1 de Xinjiang e lar de uma das cidades velhas mais bonitas e singulares de toda a China. Já em Urumqi, maior cidade da província, mas que até nem tem grandes pontos de interesse, podes pelo menos encontrar o maior bazar do país. Os murais das grutas Budistas das Kizil Caves são outro dos destaques, assim como as Ruínas de Subashi e o que resta da Tashkurgan Stone City.

A par de Kashgar, o destino mais interessante de Xinjiang pode ser encontrado na cidade de Turpan, uma antiga cidade-oásis que era uma das paragens mais importantes da Rota da Seda. Por força da sua história, as redondezas estão repletas de vestígios arqueológicos e resquícios de cidades milenares, como a Gaochang Ancient Town, a Vila Tuyugou Xia e a Jiaohe Ancient Town. A cidade ostenta ainda o histórico Minarete Emin, construído em 1778 e que é o mais alto no país.

Para fechar, há que referir que, ao contrário do que acontece no resto da China, o sistema de transportes em Xinjiang é bastante rudimentar. A rede ferroviária chega apenas a meia dúzia de cidades e muitos dos pontos de interesse ficam no meio do nada, longe de polos urbanos.

Uma vez que alugar carro na China é uma missão complicada (as Licenças Internacionais de Condução não são válidas), a tua única hipótese passa por contratares tours privados ou os serviços de um taxista para cada dia… o que acaba por sair caro! A somar a isso, o tempo perdido na estrada é substancial. Não te esqueças que Xinjiang ocupa mais de 15% de todo o território da China, pelo que as distâncias são gigantescas.

Número recomendado de dias em Xinjiang

  • 1 a 2 semanas

Locais a não perder em Xinjiang

  • Kashgar
  • Urumqi
  • Turpan
  • Gaochang Ancient Town
  • Vila Tuyugou Xia
  • Jiaohe Ancient Town
  • Kizil Caves
  • Ruínas de Subashi
  • Tashkurgan Stone City
  • Lago Tianchi
  • Reserva Natural de Kanas
  • Lago Sayram
  • Deserto Takla Makan
  • Deserto Kumtag
  • Lago Karakul
  • Vale Ili Apricot
  • Vale Huoyun
  • Flaming Mountain
  • Pradaria Bayanbulak
  • Pradaria Karajun
  • Pradaria Naraty
  • Karakoram Highway

5 pratos a provar em Xinjiang (Kashgar)

  • Pilaf – Kashi Ai Li Zha Ti Mansaf
  • Kebabs de Borrego – Altun Jam
  • Laghman – Nurlan Uyghur Restaurant
  • Samsa – Kashgar Grand Bazaar Food Street
  • Dapanji – Han Jia Chang Muslim Restaurant

Nanjing

Uma das cidades mais subvalorizadas da China. Apesar da sua história milenar e do seu estatuto enquanto capital histórica do país – uma posição que ocupou ao longo de 6 dinastias distintas – Nanjing fica bem atrás de metrópoles como Beijing, Shanghai ou Xian no que toca a apelo turístico. E ainda assim, a cidade oferece um mix bastante eclético de locais modernos e vanguardistas, atracções históricas, natureza e museus interessantes, acabando por resultar numa combinação subtil capaz de agradar a diferentes públicos.

Posto isto, a maior atracção até fica nos arredores da cidade, onde os visitantes podem entrar na zona cénica da Zhongshan, conhecida como a Purple Mountain. Naturalmente, apreciar a natureza e percorrer alguns trilhos é a melhor coisa a fazer na montanha, embora não faltem sítios culturais para complementar o teu passeio.

Curiosamente, o local mais popular de Zhongshan até é o Mausoléu de Sun Yat-sen, famoso por ter sido o fundador do Kuomintang. Porquê o espanto? Porque o Kuomintang foi o grupo nacionalista que lutou contra os Comunistas durante a guerra civil, com a cúpula do grupo a perder o conflito e a exilar-se em Taiwan, num impasse que se mantém até aos dias de hoje.

Tendo em conta que a China se mantém sob controlo do Partido Comunista, surpreende que este local exista e que seja extremamente popular entre os visitantes Chineses, embora o facto de que o homem morreu antes da guerra civil e seja visto como um grande revolucionário contra o imperialismo e o feudalismo provavelmente ajude. Os Túmulos Ming Xiao são outro dos destaques, servindo de mausoléu ao imperador que fundou esta famosa dinastia Chinesa.

Já no centro da cidade, podes caminhar ao longo daquela que foi em tempos a maior muralha urbana do mundo. Cercando o antigo centro histórico ao longo de uns impressionantes 25 km, a Muralha de Nanjing é a única fortificação capaz de ombrear com a congénere de Xian, embora esteja actualmente dividida em duas secções separadas (¥50 para entrar numa; ¥20 para a outra). Para além disso, as vistas sobre o Lago Xuanwuhu e o parque homónimo, que era o antigo jardim real, são estonteantes. Aliás, visitar o Parque Xuanwuhu é outro must, com as suas ilhotas, pontes, templos, pavilhões e halls – num dia de céu limpar, não há como errar!

Em termos religiosos, o Templo de Confúcio é o local de culto mais importante (e pitoresco, já agora) de Nanjing. Para fechar, teria sempre que mencionar o Memorial do Massacre de Nanjing, um museu fortíssimo que inclui locais de execução e valas comuns. A exibição relata todas as atrocidades cometidas pelo Exército Japonês aquando da tomada de Nanjing durante a WWII, num verdadeiro bar-aberto de violência que vitimou 200.000 pessoas em apenas 6 semanas.

Número recomendado de dias em Nanjing

  • 2 ou 3

Locais a não perder em Nanjing

  • Zhongshan (Purple Mountain)
    • Mausoléu de Sun Yat-sen
    • Túmulos Ming Xiao
    • Templo Linggu
    • Plum Blossom Hill
    • Lago Zixia
  • Muralha de Nanjing
  • Parque e Lago Xuanwuhu
  • Templo de Confúcio
  • Memorial do Massacre de Nanjing
  • Palácio Presidencial + Jardins
  • Distrito de Xinjiekou
  • Observatório da Torre Zifeng
  • Niushoushan Cultural Park

5 pratos a provar em Nanjing

  • Pato ao Sal – Plum Garden
  • Sopa de Sangue de Pato – Xiao Pan Ji Ya Xie Fen Si Tang
  • Pato Assado – Guang Ying Ju
  • Lion’s Head Meatballs – Nanjing Da Pai Dang
  • Stinky Tofu – Fu Jia Chou Doufu

Tibete

Outro dos locais mais lendários da China, o Tibete compete com Xinjiang pelo título de região Chinesa com a cultura mais singular e afastada da maioria étnica Han. Infelizmente, as semelhanças não se ficam por aí, já que à semelhança dos Uigures, também os Tibetanos foram historicamente alvo de repressão por parte do governo central, que não hesita em esmagar qualquer resquício independentista que surja na província. Aliás, basta lembrar que o Dalai Lama, líder espiritual e político do Tibete, está exilado há mais de 6 décadas.

Por incrível que pareça, o garrote é ainda mais apertado por estas bandas, possivelmente devido à dificuldade de implementar um sistema de videovigilância tão abrangente em regiões montanhosas e isoladas. À conta disso, é fundamental controlar entradas e saídas de “objectos estranhos” (leia-se, turistas e estrangeiros), pelo que a única forma de visitar o Tibete passa por te juntares a um tour guiado. Actualmente, não é possível visitar o Tibete de forma independente.

Os tours disponíveis variam de acordo com a duração, o preço e o tipo de viagem, mas as atracções mais populares costumam estar incluídas, independentemente da tipologia. Considerada a maior e mais importante cidade do Tibete, todas as visitas têm início em Lhasa, onde fica o emblemático Palácio Potala, indubitavelmente a atracção nº1 do Tibete. Outros destaques de Lhasa incluem o Mosteiro Ganden, o Templo Jokhang, o Mosteiro Sera e a Rua Barkhor, considerada a principal artéria do centro histórico.

Apesar do controlo apertado, estes sítios são óptimos para um primeiro contacto com as particularidades da cultura Tibetana, que conta com a sua própria língua, indumentária, ramo religioso, cultura e tradições. Um povo com uma história milenar, moldada pelo convívio próximo com a altitude, o terreno acidentado e os picos de algumas das maiores montanhas do mundo (vais precisar de uns dias para o teu corpo se ambientar).

Aliás, e já que tocamos neste tema, outro dos pontos altos (literalmente) do tour costuma ser a visita ao Campo Base do Evereste. Embora muitos turistas visitem a base do lado Nepalês, são muito menos os que o fazem no território Tibetano. Sem surpresa, o Tibete não é propriamente parco em tesouros naturais, com montes de locais pristinos e intocados como o Lago Namtso, o Monte Kailash, a Pradaria Yampachen, o Lago Manasarovar, o Glaciar Karola e o Lago Yamdrok.

Quanto a marcos culturais, e embora a maioria dos locais de interesse de concentre efectivamente em Lhasa, fora da capital vale a pena visitar Shingatse, a segunda principal cidade do Tibete e lar do Mosteiro Tashilhunpo e do Palácio Shigatse Dzong. Embora a maioria dos tours não inclua este local (diz-se, inclusive, que está fechado a estrangeiros), podes sempre inquirir acerca da possibilidade de visitar a comunidade de Larung Gar. Basta uma imagem deste sítio e perceberás imediatamente o porquê deste forcing!

Em suma, o Tibete é um destino fascinante que tanto agrada aos turistas de natureza, como aos de história e cultura. Sim, a necessidade de um tour torna a visita mais cara e com muito menos liberdades, mas é a contrapartida pela possibilidade de visitar um destino mítico.

Número recomendado de dias no Tibete

  • 5 a 10 dias

Locais a não perder no Tibete

  • Lhasa
    • Palácio Potala
    • Mosteiro Ganden
    • Templo Jokhang
    • Mosteiro Sera
    • Rua Barkhor
  • Shingatse
    • Mosteiro Tashilhunpo
    • Palácio Shigatse Dzong
  • Larung Gar
  • Campo Base do Evereste
  • Lago Namtso
  • Monte Kailash
  • Pradaria Yampachen
  • Lago Manasarovar
  • Glaciar Karola
  • Lago Yamdrok

5 pratos a provar no Tibete (Lhasa)

  • Tsampa – Tibetan Family Kitchen
  • Momos – Kagui Nongmo Sakhang
  • Carne de Iaque – Tibetan Cafeteria
  • Thukpa – Pentoc Tibetan Restaurant
  • Chá de Manteiga – House of Shambhala

Os Tulou de Fujian

Embora a província de Fujian tenha vários pontos de interesse, esta é uma região que, pelo menos do ponto de vista turístico, é sobretudo conhecida pelos seus Tulou. Se nunca ouviste falar deste tipo de construção, os Tulou são uma espécie de edifício comunitário com um propósito defensivo, ostentando um formato circular, paredes grossíssimas enchidas com barro/terra e várias adaptações arquitectónicas para permitir o uso de armas e para ajudar na ventilação e isolamento térmico de toda a fortaleza. Um verdadeiro tratado de engenharia, atendendo à longa idade!

No caso dos maiores, clãs de cerca de 800 pessoas podiam residir em cada Tulou, sendo toda a comunidade responsável por manter a fortaleza e ajudar a defender o edifício em caso de ataque. Pensa nisto como mini-cidadelas de estilo oriental… mas aos milhares! Espalhados ao longo das províncias de Guangdong e de Fujian, estes edifícios foram construídos entre os séculos XII e XX pela população Hakka, uma ramificação dos Chineses Han com a sua própria cultura e língua.

No entanto, uma vez que são etnicamente Han, não fazem parte das populações minoritárias reconhecidas pelo governo. No total, estima-se que os Hakka tenham construído até 35.000 tulou, com um grupo específico de 46 edifícios – situados em Fujian – a receberem a distinção de Património da Humanidade por parte da UNESCO.

No total, existem três zonas onde se verifica a maior concentração de tulou: Nanjing Tulou, Yongding Tulou e Hua’an Tulou. Destas, a terceira é a mais pequena e isolada, pelo que podes passá-la à frente. As outras duas são igualmente impressionantes, já que cada uma conta com dezenas de estruturas. A zona cénica de Nanjing Tulou é composta pelo Tianluokeng Tulou Cluster (¥90), uma área com 5 tulou de diferentes formatos que é o grande cartão-postal da cultura Hakka. Se já tiveres visto uma foto destas atracções, é provável que seja deste sítio específico.

O bilhete permite-te ainda a entrada no Yuchang Tulou e na adorável Taxia Village. Por outro lado, as outras atracções desta área específica devem ser pagas separadamente, nomeadamente o Hekeng Tulou Cluster (¥40) e a Yunshuiyao Village (¥90), que por sua vez inclui o Huaiyuan Tulou e o Hegui Tulou.

Adicionalmente, se quiseres dedicar um segundo dia à região e explorar a zona de Yongding Tulou, também não faltarão sítios de renome. Aqui, não há como não começar com o Hongkeng Tulou Cluster (¥90), tão simbólico da cultura Hakka que tem o nome oficial de China Hakka Tulou Folk Culture Village. É formado por 7 tulou diferentes, entre os quais constam alguns dos maiores e mais impressionantes exemplares deste tipo de arquitectura.

Nas proximidades, recomendamos igualmente a visita ao Gaobei Tulou Cluster (¥50), do qual fazem parte 4 tulou, incluindo a estrutura onde foram filmadas várias cenas da adaptação live-action recente do clássico da Disney, Mulan. Embora apertado, podes ainda tentar dar um saltinho ao Chuxi Tulou Cluster (¥65), que apesar das suas 10 fortalezas, é considerado um dos conjuntos mais rudimentares e ainda por explorar.

Como chegar aos Tulou de Fujian

  • Comboio até Nanjing + táxi da DiDi
    • NOTA: Existem várias cidades chamadas Nanjing. Deves procurar por Nanjing, na província de Fujian

Número recomendado de dias nos Tulou de Fujian

  • 1 dia para Nanjing Tulou + 1 dia para Yongding Tulou

Melhores Tulou para visitar em Fujian

  • Nanjing Tulou
    • Tianluokeng Tulou Cluster
    • Yuchang Tulou
    • Taxia Village
    • Hekeng Tulou Cluster
    • Yunshuiyao Village (Huaiyuan Tulou e Hegui Tulou)
  • Yongding Tulou
    • Hongkeng Tulou Cluster
    • Gaobei Tulou Cluster
    • Chuxi Tulou Cluster

Província de Gansu

Uma das 10 províncias do país com menos turismo, Gansu permanece um relativo mistério até para os Chineses. Quanto aos turistas internacionais, o cenário é ainda mais aterrador, com um número extremamente reduzido de estrangeiros a dar-se ao trabalho de visitar esta região central, ensanduichada entre as super-turísticas províncias de Sichuan e de Shaanxi (onde fica Xian), e uma série de outras regiões administrativas onde o turismo está ainda a níveis muito modestos, como a Mongólia Interior, Ningxia, Qinghai e Xinjiang.

Um erro crasso, já que Gansu fazia parte da Rota da Seda e está repleta de locais que honram e comprovam o riquíssimo legado daquela que é a mais mística de todas as rotas comerciais – quer do ponto de vista cultural, quer do natural. Começando pela capital Lanzhou, há que admitir que a impressão inicial poderá não ser a melhor. Longe das cidades Chinesas históricas de paragens mais orientais, Lanzhou não é propriamente bonita ou encantadora, mas permite-te visitar o Museu da Província de Gansu e recolher alguma informação sobre o que irás visitar ao longo dos dias seguintes.

Posto isto, o melhor começa a partir daqui, quando deixas a cidade e inicias o percurso ao longo do Corredor de Hexi, por onde há séculos seguiam mercadores e caravanas, flanqueados pelas dunas desérticas, a sul, e a montanha, a norte. De resto, a natureza é um dos pontos fortes deste troço, com a paragem inaugural em Zhangye a abrir-te a possibilidade de testemunhar a paisagem inacreditável das Rainbow Mountains no Parque Nacional Geológico de Danxia.

No centro da cidade, podes matar algum tempo a visitar os templos Dafo e Muta. De volta ao corredor, segue-se a localidade de Jiayuguan, famosa pelo forte homónimo que marcava o local onde outrora terminava a Grande Muralha da China. Depois de passar a ameaça das tribos nómadas da grande estepe, o Forte Jiayuguan funcionava como uma espécie de alfândega, permitindo controlar a entrada e saída de pessoas e mercadorias ao longo da Rota da Seda.

Não muito longe, esta história (e outras) está muito melhor contada no Museu da Grande Muralha. Aliás, a apenas 11 km da cidade, podes inclusive dar um saltinho à chamada Hanging Great Wall, um troço de cerca de 750 metros da Grande Muralha famoso pelo seu incomum ângulo inclinado.

Por fim, a tua aventura chegará ao fim na insuspeita cidade de Dunhuang, que esconde aquele que é o maior tesouro de Gansu. Situadas a cerca de 25 km do centro, as Mogao Caves (¥100 para entrares em 4 dos grottoes principais) são a maior atracção da província, sendo formadas por milhares de estátuas e 500 grutas, cujos interiores estão pintados com frescos lindíssimos criados há séculos.

Curiosamente, Gansu alberga 2 dos 4 grandes complexos de grutas Budistas da China, a par dos já mencionados Longmen Grottoes (em Luoyang) e Yungang Grottoes (em Datong). O outro conjunto de grutas de Gansu são os Maijishan Grottoes, que podes visitar numa longa e exigente day trip a partir de Lanzhou (1h30 comboio até Tianshuinan + 1h táxi da DiDi até às grutas; só ida). No entanto, uma das particularidades que fazem das Mogao Caves um sítio ainda mais especial é a enorme influência de outras culturas nas pinturas e frescos, que parecem misturar características Chinesas com elementos Árabes, Persas ou Indianos – consequência directa do multiculturalismo que que calcorreava a Rota da Seda.

Para além das grutas, não deves sair desta cidade sem visitar as dunas e lago de Mingsha Shan, considerado um dos pontos altos do Deserto de Gobi; explorar o Mercado Nocturno de Dunhuang ou fotografar a White Horse Pagoda.

Nota final para a cidade de Gannan, situada umas 4 horas a sul de Lanzhou. Embora fique um pouco à desamão e a distância seja longa demais para uma day trip, esta cidade tem uma cultura Tibetana muito forte e serve de lar ao incrível Mosteiro Labrang.

Número recomendado de dias na Província de Gansu

  • 6 a 10 dias

Locais a não perder na Província de Gansu

  • Lanzhou
    • Museu da Província de Gansu
    • White Pagoda Mountain
    • Parque Binhe
  • Zhangye
    • Parque Nacional Geológico de Danxia
    • Templo Dafo
    • Templo Muta
  • Jiayuguan
    • Forte Jiayuguan
    • Museu da Grande Muralha
    • Hanging Great Wall
    • Túmulos Wei-Jin
  • Dunhuang
    • Mogao Caves
    • Mingsha Shan
    • White Horse Pagoda
  • Gannan
    • Mosteiro Labrang
  • Maijishan Grottoes

5 pratos a provar na Província de Gansu (Lanzhou)

  • Lanzhou Lamian – Mazi Lu Beef Noodle
  • Yangrou Paomo – Jinding Yangrou Paomo
  • Jincheng Baita – Dazhong Food Alley
  • Niang Pi Zi – Zai Hui Shou
  • Carne de Camelo e Carne de Burro (só em Dunhuang) – Shunzhang Huang

Ilha de Hainan

Finalmente, fechamos com algo extremamente incomum na China: um destino de praia! Verdade seja dita, não existem grandes motivos para visitar o Reino do Meio se fores um turista balnear, mas se quiseres tirar uns dias do teu itinerário cultural para relaxar junto à costa, não há melhor opção que a ilha de Hainan! Um daqueles destinos tropicais com temperaturas quentinhas ou amenas o ano inteiro, as máximas costumam ultrapassar quase sempre os 25°C, mesmo no pico do Inverno.

Por outro lado, o Verão (Junho a Setembro) corresponde à época das chuvas e dos furacões, com dias extremamente quentes, húmidos e com aguaceiros frequentes. Quanto às praias, são de areia fininha e cercadas por vegetação e palmeiras, um cenário raramente associado ao país.

Quer chegues de ferry ou avião, é provável que o teu primeiro contacto com a ilha seja em Haikou, a capital e maior centro urbano. Como tantas vezes acontece em ilhas paradisíacas, a capital não é propriamente um destaque, sendo sobretudo um centro económico e industrial. Ainda assim, merece pelo menos 1 dia para um passeio na Qilou Old Street, principal artéria da Cidade Velha. Para a verdadeira diversão, contudo, terás que apanhar um comboio até Sanya, no sul. Por causa das praias, do cenário natural e da infraestrutura moderna da marginal, Sanya é comparada pelos Chineses ao famoso Hawaii.

Exagerado – é certo – mas mostra que esta zona da ilha é bastante bonita. De resto, as melhores praias são encontradas precisamente na costa austral da ilha, como Sanya Bay, Yalong Bay, Dadonghai Bay, Shimi Bay ou a minúscula Ilha Fenjiezhou, acessível através uma curtíssima travessia de barco desde Lingshui.

A par das praias, outro dos principais atractivos são as florestas tropicais que cobrem uma porção significativa da ilha. A prever o potencial interesse de turistas, as autoridades locais criaram zonas cénicas com passadiços, trilhos demarcados, pontes suspensas e miradouros. Essas zonas estão em todo o lado, embora as mais concorridas sejam o Yalong Bay Tropical Paradise Forest Park, a Yanoda Rainforest Scenic Area e a Wuzhishan Rainforest Scenic Area.

A par das paisagens, estas atracções incluem ainda actividades radicais e demonstrações culturais e performativas associadas à etnia Li, considerada o povo nativo da ilha. Aliás, alguns destes parques misturam até importantes elementos religiosos, como é o caso da Nanshan Cultural Scenic Area, onde podes encontrar a famosa estátua Guanyin of Nanshan, uma divindade com mais de 100 metros que virou a grande imagem de cartão-postal de Hainan.

Por fim, vale a pena mencionar que Hainan é um destino Duty Free, o que significa que a maioria das compras feitas na ilha não está sujeita a qualquer imposto de valor acrescentado.

Número recomendado de dias em Hainan

  • 3 a 7

Locais a não perder em Hainan

  • Praias de Hainan
    • Sanya Bay
    • Yalong Bay
    • Dadonghai Bay
    • Shimi Bay
    • Ilha Fenjiezhou
  • Yalong Bay Tropical Paradise Forest Park
  • Yanoda Rainforest Scenic Area
  • Wuzhishan Rainforest Scenic Area
  • Nanshan Cultural Scenic Area
  • Qilou Old Street de Haikou
  • Luhuitou Park
  • Nanwan Monkey Island
  • Xinglong Tropical Botanical Garden
  • Volcanic Crater Park

5 pratos a provar em Hainan

  • Hainanese Chicken Rice (clássico do Sudeste Asiático) – Jiujishu Wenchang
  • Frango em Molho de Coco – Original Flavor Coconut Chicken
  • Caranguejo Hele – Chunyuan Seafood Square
  • Pato Jiaji – Ledong Huangliu Duck
  • Sopa de Borrego de Dongshan – Qiongcai Memory Restaurant

Exemplos de Roteiros na China – Itinerários de Viagem de 2 semanas

Como podes ver, o número de destinos a visitar na China é bastante extenso e as potenciais combinações entre eles dão azo a dezenas (quiçá centenas?) de hipóteses de roteiros. Sendo 100% sincero, não quero sequer entreter a ideia de itinerários inferiores a 2 semanas. Este é um dos maiores países do mundo, com uma história de mais de 5000 anos e o segundo com mais locais designados Património da Humanidade pela UNESCO. 15 dias já dá para pouco, menos do que isso é – na minha humilde opinião – um desperdício de tempo e dinheiro, já que sairás invariavelmente insatisfeito e a morrer para regressar (algo que, diga-se, sentirás igualmente em roteiros mais longos).

Posto isto, tentei compilar algumas hipóteses de roteiros para 2 semanas, tendo em conta as regiões do país, o perfil/gostos do viajante e o número de visitas anteriores à China.

NOTA: Alguns destes roteiros podem requerer um ajuste de 1 ou 2 dias para acomodar deslocações mais longas. Confirma sempre os tempos de deslocação dos comboios em Trip.com ou nos sites das companhias aéreas (caso optes por voar)

Roteiro Clássico

  • Dia 1: Beijing
  • Dia 2: Beijing
  • Dia 3: Day trip à Grande Muralha da China
  • Dia 4: Xian
  • Dia 5: Xian
  • Dia 6: Shanghai
  • Dia 7: Shanghai
  • Dia 8: Day trip a uma Water Town
  • Dia 9: Zhangjiajie
  • Dia 10: Zhangjiajie
  • Dia 11: Zhangjiajie ou Day trip a Fenghuang
  • Dia 12: Rio Li
  • Dia 13: Rio Li
  • Dia 14: Hong Kong
  • Dia 15: Hong Kong

Norte da China

  • Dia 1: Beijing
  • Dia 2: Beijing
  • Dia 3: Day trip à Grande Muralha da China
  • Dia 4: Datong
  • Dia 5: Datong
  • Dia 6: Pingyao
  • Dia 7: Pingyao
  • Dia 8: Xian
  • Dia 9: Xian
  • Dia 10: Day trip a Luoyang
  • Dia 11: Suzhou ou Hangzhou
  • Dia 12: Suzhou ou Hangzhou
  • Dia 13: Day trip a uma Water Town
  • Dia 14: Shanghai
  • Dia 15: Shanghai

Sul da China

  • Dia 1: Kunming
  • Dia 2: Dali
  • Dia 3: Shaxi Ancient Town
  • Dia 4: Lijiang
  • Dia 5: Lijiang
  • Dia 6: Tiger Leaping Gorge
  • Dia 7: Shangri-La
  • Dia 8: Deslocação até Kaili
  • Dia 9: Aldeias Étnicas de Guizhou
  • Dia 10: Aldeias Étnicas de Guizhou
  • Dia 11: Rio Li
  • Dia 12: Rio Li
  • Dia 13: Hong Kong
  • Dia 14: Hong Kong
  • Dia 15: Day trip a Macau

China Oriental

  • Dia 1: Shanghai
  • Dia 2: Shanghai
  • Dia 3: Day trip à Water Town de Zhouzhuang
  • Dia 4: Suzhou
  • Dia 5: Suzhou
  • Dia 6: Day trip à Water Town de Tongli
  • Dia 7: Nanjing
  • Dia 8: Nanjing
  • Dia 9: Hangzhou
  • Dia 10: Hangzhou
  • Dia 11: Day trip à Water Town de Wuzhen
  • Dia 12: Huangshan
  • Dia 13: Day trip às Cidades Antigas de Hongcun e Xidi
  • Dia 14: Tulou de Fujian
  • Dia 15: Tulou de Fujian

China Ocidental (versão Rota da Seda)

  • Dia 1: Xian
  • Dia 2: Xian
  • Dia 3: Província de Gansu: Lanzhou
  • Dia 4: Província de Gansu: Day trip aos Maijishan Grottoes
  • Dia 5: Província de Gansu: Zhangye
  • Dia 6: Província de Gansu: Jiayuguan
  • Dia 7: Província de Gansu: Dunhuang
  • Dia 8: Comboio para Turpan
  • Dia 9: Turpan: Gaochang, Vila Tuyugou Xia e Jiaohe
  • Dia 10: Turpan: Flaming Mountain, Kizil Caves e o Deserto Kumtag
  • Dia 11: Urumqi
  • Dia 12: Lago Tianchi e o Vale Huoyun
  • Dia 13: Comboio para Kashgar
  • Dia 14: Kashgar
  • Dia 15: Karakoram Highway e o Lago Karakul

China Ocidental (versão Tibete)

  • Dia 1: Chongqing
  • Dia 2: Chongqing
  • Dia 3: Chengdu
  • Dia 4: Chengdu
  • Dia 5: Day trip a Leshan
  • Dia 6: Xian
  • Dia 7: Xian
  • Dia 8: Comboio para Lhasa
  • Dia 9: Dia de Aclimatização*
  • Dia 10: Lhasa*
  • Dia 11: Lago Namtso*
  • Dia 12: Lago Yamdrok e o Glaciar Karola*
  • Dia 13: Shigatse*
  • Dia 14: Campo Base do Evereste*
  • Dia 15: Voo para o aeroporto de regresso*

*exemplo de proposta; obviamente depende do tour contratado

China Ocidental (versão Yunnan)

  • Dia 1: Chengdu
  • Dia 2: Chengdu
  • Dia 3: Day trip a Leshan
  • Dia 4: Chongqing
  • Dia 5: Chongqing
  • Dia 6: Kunming
  • Dia 7: Kunming
  • Dia 8: Dali
  • Dia 9: Dali
  • Dia 10: Shaxi Ancient Town
  • Dia 11: Lijiang
  • Dia 12: Lijiang
  • Dia 13: Tiger Leaping Gorge
  • Dia 14: Shangri-La
  • Dia 15: Voo ou comboio para o aeroporto de regresso

Roteiro de Natureza

  • Dia 1: Aterrar em Shanghai e sair logo para Hangzhou
  • Dia 2: Hangzhou: West Lake e Xixi National Wetland Park
  • Dia 3: Day trip aos Arrozais de Yunhe
  • Dia 4: Huangshan
  • Dia 5: Comboio para Zhangjiajie
  • Dia 6: Zhangjiajie (Parque Nacional)
  • Dia 7: Zhangjiajie (Parque Nacional)
  • Dia 8: Zhangjiajie (Tianmen Mountain)
  • Dia 7: Rio Li
  • Dia 8: Rio Li
  • Dia 9: Rio Li
  • Dia 10: Comboio para Chengdu
  • Dia 11: Chengdu (Pandas)
  • Dia 12: Day trip ao Parque Nacional Jiuzhaigou
  • Dia 13: Comboio para Lanzhou
  • Dia 14: Província de Gansu: Zhangye
  • Dia 15: Província de Gansu: Dunhuang

Roteiro de Metrópoles

  • Dia 1: Beijing
  • Dia 2: Beijing
  • Dia 3: Day trip à Grande Muralha da China
  • Dia 4: Xian
  • Dia 5: Xian
  • Dia 6: Chengdu
  • Dia 7: Chengdu
  • Dia 8: Chongqing
  • Dia 9: Chongqing
  • Dia 10: Comboio para Shanghai
  • Dia 11: Shanghai
  • Dia 12: Shanghai
  • Dia 13: Hong Kong
  • Dia 14: Hong Kong
  • Dia 15: Hong Kong
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