OPO? LIS? LAX? O que são e como se definem as três letras que identificam os aeroportos ✈️🔤

  • 06.02.2024 15:25
  • Paulo

Já deves ter reparado que cada aeroporto tem o seu código de três letras. Entre outros locais, estes códigos podem ser encontrados nos bilhetes e nas etiquetas das malas. Mas quem define este código? Neste artigo, respondemos a esta e outras perguntas.

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Este é mais um artigo na nossa série sobre as várias formas como a aviação moderna tenta estandardizar os símbolos e linguagem que orientem passageiros, tripulantes e demais profissionais do setor.

Já aqui falamos do alfabeto fonético e da sinalização dos aeroportos, e temos até um glossário com os mais importantes termos da aviação.

Chegou a hora de falarmos do pequeno código de três letras que encontras sempre que viajas e que identificam o aeroporto de onde partes e, principalmente, aquele para onde viajas.

Estes códigos podem ser encontrados no teu bilhete, na etiqueta da tua mala e, muitas vezes, na identidade da marca do aeroporto.

Chama-se a estas três letras de código aeroportuário IATA. Mas como se definem estes códigos? Vamos por partes.

O que é a IATA?

A Associação Internacional de Transportes Aéreos, conhecida pela sua sigla em inglês, IATA, é uma associação de companhias de transporte aéreo.

Sediada na cidade de Montreal, no Canadá, a IATA é responsável por facilitar as operações entre as companhias aéreas mundiais, criando regras e standards para facilitar a colaboração entre estas empresas. Entre estes standards conta-se o código de três letras usado pelos aeroportos, conhecido por isso como código IATA.

Na mesma cidade canadiana está também sediada a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO), que não devemos confundir com a IATA, apesar destas terem funções semelhantes. Enquanto a IATA é uma associação de empresas de aviação, a ICAO é uma agência das Nações Unidas.

Tal como a IATA, a ICAO tem o seu próprio código para os aeroportos. No entanto, o código ICAO tem quatro letras. Neste artigo, focamo-nos no código IATA, já que este é o código que os passageiros mais frequentemente encontram durante as suas viagens.

Para que serve este código?

A principal função do código IATA é facilitar a comunicação e garantir que não existem confusões. Estes códigos facilitam a marcação de viagens e a etiquetagem da tua bagagem.

Leitura sugerida: Perda de bagagem: porque é que acontece, como prevenir e o que fazer? 🏷️🧳

Com menos caracteres, e com garantias de que cada código corresponde somente a um aeroporto especifico (será mesmo assim? O melhor é continuares a ler), estes códigos garantem que não existem confusões entre destinos.

No nosso artigo sobre passageiros que voaram para o destino errado, tínhamos já mencionado a confusão de um passageiro entre o aeroporto de Sydney, na Austrália e o aeroporto de Sydney, no estado norte-americano do Montana. Bastava olhar atentamente para os códigos IATA destes dois aeroportos (SYD para a cidade australiana, SDY para o pequeno aeroporto do Montana), para perceber que algo estava errada.

E não é assim tão raro dois aeroportos terem o mesmo nome. Por exemplo, se mencionarmos o aeroporto de Santa Maria, provavelmente o teu primeiro pensamento vai para o aeroporto da ilha açoriana de Santa Maria (SMA). Mas também existem o aeroporto de Santa Maria no Peru (SMG), nos Estados Unidos (SMX) e nos estados brasileiros de Sergipe (AJU) e Rio Grande do Sul (RIA).

Como são atribuídos estes códigos?

Com três letras, não há muito espaço de manobra. Idealmente, os códigos IATA seguem as três primeiras letras da cidade em que o aeroporto se encontra. Mas sem sequer sairmos das capitais encontramos logo três aeroportos em cidades que começam com as mesmas três letras.

São eles: o Aeroporto Augusto C. Sandino em Manágua (MGA), Nicarágua, o Aeroporto Internacional de Manila (MNL), nas Filipinas e o Aeroporto Internacional do Bahrain (BAH) que serve a capital, Manama. No final de contas, nenhum destes tem o código MAN, atribuído ao aeroporto de Manchester, no Reino Unido.

E isto é para nem falar dos muitos aeroportos que servem a mesma cidade. A cidade de Londres é servida por pelo menos seis aeroportos: London City (LCY), Heathrow (LHR), Gatwick (LGW), Luton (LTN), Stansted (STN) e Southend (SEM).

Com tantas repetições é preciso ser-se criativo. Por vezes o código vem do nome do aeroporto e não da cidade, como é o caso do aeroporto Charles de Gaulle (CDG), em Paris, ou do aeroporto John F. Kennedy (JFK) em Nova Iorque.

Como podes ver na lista dos aeroportos de Londres, alguns códigos são combinações entre o nome da cidade e do aeroporto (Londres Heathrow = LHR)

O aeroporto de Salt Lake City, no estado norte-americano do Utah, teve o privilégio de obter um código que corresponde às iniciais do seu nome (SLC).

Acontece também uma cidade mudar de nome mas o aeroporto manter o código original, como é o caso aeroporto de Mumbai, na India. O aeroporto continua a usar o código BOM apesar de a cidade ter abandonado o nome Bombaim.

Um código – um aeroporto? Mais ou menos

Dissemos-te há pouco que os vários aeroportos de Londres têm, cada um, o seu código IATA. Mas nenhum deles teve a honra de ficar com o código LON. Onde acabou este código?

Na verdade, LON refere-se à cidade de Londres em si e a todos os seus aeroportos! Certas metrópoles têm este privilégio, de ter um código não só para cada um dos seus aeroportos como também para o conjunto de todos os aeroportos na cidade.

Outras cidades que têm este privilégio incluem Rio de Janeiro (RIO), São Paulo (SAO), Nova Iorque (NYC), Paris (PAR) ou Tóquio (TYO).

Para além de termos códigos que representam mais do que um aeroporto, temos também um aeroporto representado por mais do que um código. Já tínhamos falado desta peculiaridade no nosso artigo sobre 11 dos mais curiosos aeroportos do mundo.

Bem no coração da Europa existe um aeroporto com – não um, não dois – mas três códigos IATA. Apesar de estar completamente localizado dentro do território francês, o EuroAirport Basel-Mulhouse-Freiburg serve três países ao mesmo tempo: a Suíça, a França e a Alemanha

Os três códigos correspondem assim a Basel (BSL), na Suíça, Mulhouse, em França (MLH), e ao nome do aeroporto, EuroAirport (EAP).

Os aeroportos do Canadá – um caso particular

Há códigos IATA que, aparentemente, não têm nada a ver com nada. Por exemplo, o que dizer do aeroporto de Pearson, em Toronto, que usa o código YYZ. Onde foram buscar o Y e o Z?

O primeiro Y nem sequer é uma exceção no Canadá. Cidades como Montreal (YUL), onde está situada a IATA, e Vancouver (YVR) também usam esta letra. Porquê? Bem é uma histórica complicada – uma teoria popular afirma que o Y vem dos primórdios da aviação e indicava que Sim!, o aeroporto tem uma estação meteorológica (de Yes, a palavra inglesa para sim).

Mas é provável que o Y venha ainda mais de trás, do tempo do telégrafo, quando existia um outro código, em que as estações canadianas eram indicadas pelas primeiras duas letras, CY.

O código IATA e a identidade dos aeroportos

Alguns aeroportos vão mais longe do que outros no que toca a integrar o código IATA no seu branding. É o caso do aeroporto de Los Angeles. Quem chega ao aeroporto vê as três letras, “LAX”, em ponto gigante, ao estilo do letreiro de Hollywood.

Já o aeroporto de Panama City (ECP – na Flórida, e não no país Panamá), decidiu que ia dar o próprio significado ao seu código. Sendo uma cidade bastante conhecida entre os turistas que procuram a costa oceânica, a administração do aeroporto decidiu que o seu código era oficialmente uma sigla para Everyone Can Party – todos podem festejar.

Também nos Estados Unidos, o aeroporto de Sioux Falls, decidiu fazer o melhor que pode com o código SUX (uma forma de abreviar a palavra Suck, uma expressão que significa “não presta”). No site oficial do aeroporto, há até um link para o site de merchandise, onde podes comprar um boné ou uma t-shirt onde se lê Fly SUX.

Como são os códigos em Portugal?

Existem pelo menos 26 códigos IATA atribuídos a Portugal.

Lisboa teve a sorte de ficar com uma sigla IATA que corresponde às primeiras três letras do nome (LIS). Já o código para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, segue o nome em inglês da cidade, Oporto, e é por isso OPO. Faro (FAO) e Beja (BYJ) fecham a lista dos aeroportos internacionais em Portugal continental.

Na Madeira, os aeroportos do Funchal e de Porto Santo usam, respetivamente, as siglas FNC e PXO.

Nos Açores, TER faz referência à Ilha Terceira, e é o código para o Aeroporto das Lajes. O Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, usa a sigla PDL. E para o aeroporto de Santa Maria, como já vimos anteriormente, o código é SMA.

Surpreendentemente, aeródromos como Braga (BGZ) e Chaves (CHV) também contam com o seu próprio código IATA, apesar de não receberem ligações regulares.

Outros códigos curiosos

O pequeno aeroporto municipal de Storm Lake, no estado norte-americano do Iowa, tem um código que vai deixar os leitores benfiquistas contentes (SLB). Já o aeroporto regional de Mont-Dauphin-Saint-Crépin usa um código mais amigo dos sportinguistas (SCP). Quanto os portistas, podem endereçar a sua reclamação à IATA, já que ainda não existe qualquer aeroporto com o código FCP.

Ao aeroporto Internacional de Melbourne calhou um código particularmente doce (MEL). Já o aeroporto de Maupiti, Polinésia Francesa, tem um código que não é particularmente atrativo para os passageiros falantes de língua portuguesa (MAU), mas não nos parece que isto seja impedimento de voar para este arquipélago paradisíaco.

Leitura recomendada: Experiência a bordo: Na Polinésia Francesa com a Air Tahiti! Taiti – Moorea – Bora Bora – Huahine (ATR-72)!

Já o aeroporto de Bruxelas Charleroi (CRL) pode suscitar um mau entendido, quando escrito. Não abrevies e usa “Charleroi”, por extenso, para evitares mandar um Whatsapp aos teus sogros – que ainda estão na dúvida se gostam de ti ou não e que te pediram para lhe veres uns voos baratos para Bruxelas – a explicar que estava tudo muito caro para o aeroporto de Bruxelas Zaventem (BRU), mas que eles podem muito bem ir “para o CRL”, que lhes fica muito mais barato.

E assim fechamos mais um artigo sobre como a aviação moderna tenta simplificar a comunicação e evitar confusões! Esperamos em breve trazer-te mais conteúdo semelhante.

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