Dores ou ouvido “entupido” no avião: O que fazer?👂✈️

  • 22.11.2023 08:31
  • Paulo

Quem já viajou de avião conhece a sensação de pressão nos ouvidos. Esta sensação pode ir do mero desconforto à dor aguda, sentida principalmente durante a subida e a descida do avião. Mas há formas de prevenir esta sensação desagradável.

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A sensação de ter os ouvidos entupidos é bastante comum para quem viaja de avião. Esta sensação pode ir do mero desconforto até à dor acentuada. Apesar de na grande maioria dos casos não ser um motivo de precaução, há formas de evitá-la e ter assim um voo mais confortável. Neste artigo vamos explicar-te o motivo pelo qual esta sensação está associada a andar de avião e dar-te a conhecer os passos que podes tomar, antes e depois de embarcar, para prevenir esta sensação desagradável. E como as crianças e os bebés são particularmente suscetíveis a esta sensação desconfortável, deixamos alguns conselhos específicos para os mais novos.

A pressão dentro do avião

Os aviões comerciais voam normalmente a uma altitude de 10.000 a 13.000 metros acima do nível do mar. A esta altitude, o ar é muito menos denso do que à superfície, o que significa que os níveis de oxigénio são bastante baixos.

Mesmo os alpinistas mais bem preparados podem sucumbir à hipoxia, ou falta de oxigénio, quando escalam as montanhas mais altas do mundo. Das 4,000 pessoas que já subiram ao Evereste, apenas 200 o fizeram sem o auxilio de oxigénio extra. Mas mesmo sendo a montanha mais alta do mundo, o Evereste chega “apenas” aos 8.848 metros, ainda abaixo da altitude de cruzeiro de um avião comercial. Por este motivo, os aviões bombeiam ar para dentro da cabine de modo a manter a pressão e os níveis de oxigénio no interior. Já abordamos esta diferença de pressão entre o interior e o exterior da cabine no nosso artigo sobre o motivo pelo qual as janelas do avião são redondas.

O ar bombeado permite manter a cabine com a pressão equivalente a uma montanha de 2.400 metros de altura. Por outras palavras, um avião voa bem acima do Evereste, mas no interior é como se ficássemos pela montanha do Pico.

O barotrauma auricular – o nome técnico para “ouvidos entupidos”

Para além de prevenir a hipoxia, a pressurização da cabine ajuda com o barotrauma. O barotrauma acontece quando ocorrem grandes diferenças entre o ar dentro dos nossos corpos e o ar no exterior, criando assim pressão nos nossos órgãos e tecidos.

Uma das zonas do nosso corpo onde estas diferenças de pressão são mais notórias é o ouvido, mais precisamente numa cavidade existente dentro do nosso ouvido chamada ouvido médio. Mas, apesar da pressurização prevenir os efeitos mais extremos do barotrauma, continua a haver uma diferença grande na pressão.

Dependendo da fisionomia de cada um, até pequenas inclinações numa estrada são suficientes para sentir uma certa pressão nos ouvido. Como já vimos, num voo normal, a pressão é equivalente a subir aos 2,400 metros.

Em condições normais, a pressão no ouvido médio e no canal auricular externo – o tubo que liga o ouvido médio ao exterior – mantem-se igual. Mas quando existe uma rápida subida ou descida na pressão no canal auricular externo, o ouvido médio pode não conseguir acompanhar.

Na subida após a descolagem, o teu ouvido médio mantem a pressão do nível do solo, enquanto no exterior a pressão diminuiJá na descida antes da aterragem, depois de se adaptar à pressão mais baixa da cabine, o ouvido médio é desta vez exposto ao aumento de pressão externa, consoante o avião se aproxima dos solo – este é o momento em que mais pessoas se queixam dos ouvidos entupidos. A diferença de pressão causa desconforto, distorção na audição e mesmo dor devido à pressão extra no tímpano, que fica impedido de vibrar devidamente.

Curiosidade: A primeira vez que alguém descreveu dores no ouvido durante um voo foi em 1783, quando o inventor Jacques Charles fez o primeiro voo tripulado num balão a hidrogénio.

Resumindo:

– O “ouvido entupido” é o resultado da diferença de pressão entre o interior e o exterior do ouvido.

РA fisionomia do sistema auditivo varia de pessoa para pessoa, e por isso algumas pessoas t̻m mais tend̻ncia a sofrer com esta diferen̤a de presṣo.

РNa subida, e principalmente na descida, podes sentir desconforto, dor e distor̤̣o da audi̤̣o.

Prevenção: antes de descolar

Para além de estar ligado ao canal auricular exterior, o ouvido médio também se liga à faringe pelos trompa de Eustáquio. É por esta trompa que se dá a equalização da pressão dentro do ouvido médio. Simplificado: o nosso ouvido está ligado ao nariz e à boca, e qualquer inflamação ou corrimento no nariz ou garganta pode afetar também os ouvidos. Por isso, é boa ideia redobrar os cuidados para não apanhar constipações, gripes e outros vírus antes de andar de avião.

Mesmo que não estejas a sentir o nariz entupido, vale também a pena tentar descongestionar as vias nasais. Uma limpeza com soro fisiológico ou o uso de soluções em spray nasal são uma boa ideia. Mas atenção! Mesmo os sprays nasais vendidos sem receita podem ter contraindicações, pelo que é sempre recomendado discutir o seu uso com o profissional médico.

Resumindo:

РEvitar constipa̵̤es e gripes antes de viajar;

– Descongestionar as vias nasais.

Prevenção: no voo

Primeiro de tudo, um conselho: tenta não adormecer antes da subida e nem dormir durante a descida para poderes reagir à diferença de pressão. Acordar já com o desconforto no ouvido pode levar a ansiedade e desorientação, o que não vão contribuir para melhorar os sintomas. Há várias manobras que podes realizar para tentar equalizar a pressão dentro do ouvido médio com a pressão exterior.

chiclete

Uma das mais clássica é o mascar de chiclete. Ao mascares a chiclete, vais movimentar o maxilar e engolir com mais frequência, contribuído para abrir a trompa de Eustáquio e fazer o ar fluir entre a faringe e o ouvido médio. Se não tiveres uma chiclete, podes na mesma fazer o movimento com o maxilar e tentar engolir com frequência.  Da mesma forma, bocejar pode ajudar a abrir a faringe e a deixar que o ar passe da trompa de Eustáquio para o ouvidor médio. Tenta bocejar exageradamente até sentires que os ouvidos estão de alguma forma a abrirem-se.

Finalmente, tens a manobra de Valsalva. Com a boca fechada e os dedos em forma de pinça a tapar o nariz, força gentilmente o ar dos pulmões para a boca e para o nariz, como se estivesses a tentar expeli-lo. Como o ar não vai conseguir sair pela boca ou nariz, ele vai ser empurrado pela trompa de Eustáquio e, espera-se, alcançar o ouvido médio.

Apesar de desconfortável e mesmo doloroso, na grande maioria dos casos a pressão nos ouvidos acaba por se resolver com aquele tão desejado <POP>. A evolução para casos mais severos é rara. Se a dor persistir ou se tornar insuportável, informa um assistente de bordo ou procura ajuda médica após a aterragem. E se o desconforto mais intenso se repetir em várias viagens, recomenda-se um check-up ao canal auditivo, que é em qualquer caso sempre uma boa ideia.

Resumindo:

РṆo durmas durante a subida e a descida;

– Masca chiclete para ajudar a mover o maxilar e a engolir com frequência – se não tiveres uma chiclete, tenta replicar os movimentos e engolir várias vezes;

РBoceja com frequ̻ncia e de forma exagerada;

– Utiliza a manobra de Valsalva – tapar a boca e o nariz e tentar expirar levemente sem deixar o ar sair;

– Na hipótese improvável de os sintomas serem agudos e persistentes, procura a ajuda dos assistentes de bordo ou de um profissional de saúde.

EarPlanes Рos tamp̵es para regular a presṣo nos ouvidos

Outra forma utilizada para reduzir o desconforto da diferença de pressão nos ouvidos é o uso de tampões auditivos especializados para este fim, conhecidos como EarPlanes. Estes tampões são diferentes dos que usamos habitualmente para reduzir o ruído, já que têm uma membrana especial para regular a pressão. Os EarPlanes devem ser utilizados durante todo o voo de modo a manter a pressão dentro do ouvido constante. Os resultados podem ser diferentes de pessoa para pessoa, já que o ângulo, abertura e largura do canal auricular externo é específico a cada um, mas os comentários são maioritariamente positivos.

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Dicas para os mais novos

Para as crianças, o desconforto nos ouvidos pode ser pior do que os adultos. Isto acontece porque as trompas de Eustáquio são mais apertadas, e também porque as crianças são mais suscetíveis a infeções que bloqueiam estas trompas. Por esse motivo, é particularmente importante tratar qualquer inflamação nas vias respiratórias antes de viajar com uma criança. A juntar a isto, bebés e crianças mais novos vão ter mais dificuldade em compreender o que se está a passar e em autorregular a pressão nos ouvidos, juntando-se a ansiedade ao desconforto. Se tens a impressão de ouvir mais choros de bebé e criança a bordo dos aviões do que em outros espaços públicos esta é uma forte explicação!

Chicletes, rebuçados e drageias podem ajudar as crianças que já têm idade para estes alimentos. Noutros casos, a chupeta, o biberão ou dar de mamar podem ajudar. Novamente, a ideia é engolir com frequência e fazer o maxilar mexer. Ingerir líquidos é sempre uma boa ideia, qualquer que seja o momento do voo, e quer para miúdos como para graúdos, tendo em conta o ambiente seco dos aviões. Este é um conselho que já demos no nosso artigo sobre como lidar com o jet lag. Neste contexto, para além de promover o movimento de engolir, a ingestão de líquidos ajuda a tornar as secreções nasais menos sólidas, contribuindo para desobstruir as vias nasais.

Leitura aconselhada: O que deves saber sobre levar comida no avião

Esperemos que as nossas dicas ajudem a tornar o teu próximo voo mais cómodo!

Fontes:

Ryan, P., Treble, A., Patel, N., & Jufas, N. (2018). Prevention of otic barotrauma in aviation: a systematic review. Otology & Neurotology, 39(5), 539-549.

Mirza, S., & Richardson, H. (2005). Otic barotrauma from air travel. The Journal of Laryngology & Otology, 119(5), 366-370.

Bhattacharya, S., Singh, A., & Marzo, R. R. (2019). “Airplane ear”—A neglected yet preventable problem. AIMS public health, 6(3), 320.

Weingus, L. (2023). How To Soothe A Kid’s Ears On A Plane, According To Doctors. Huffington Post.

XI IAPO Manual of Pediatric Otorhinolaryngology

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