Entre memes e piadas virais, há uma sensação generalizada de que as aterragens da Ryanair são mais duras e firmes que as da concorrência… mas será mesmo assim? A resposta curta é “sim”, mas talvez te surpreendas com as razões para isso e de que formam impactam verdadeiramente a segurança de passageiros e tripulantes.
Motivo de gozo e piada há já alguns anos, são muitos os passageiros que comummente reportam que a experiência de aterrar dentro de um avião da Ryanair não é propriamente a mais suave possível, com a aeronave a pousar com substancialmente mais força que a concorrência na pista. Mas será mesmo assim, ou é só uma impressão associada a uma transportadora de preços baixos, muitas vezes acusada de não tratar os passageiros da melhor maneira? Na verdade, não existem quaisquer dados estatísticos oficiais que corroborem esta visão, mas há várias razões técnicas e operacionais que podem explicar a necessidade de uma aterragem mais dura nos aviões da Ryanair. Ou seja, oficialmente as aterragens não são mais violentas que a média (porque nunca foi feito um estudo nesse sentido), mas é provável que o sejam.
Posto isto, e para tentarmos perceber um bocadinho melhor o tema, é importante que consigamos definir o que é uma aterragem “firme” (o nome dado na gíria a um processo mais violento) e de que forma difere de uma aterragem suave. De uma forma muito simplista, e de acordo com a definição dada pelo site da especialidade Simple Flying, uma aterragem firme (ou dura) acontece quando o avião toca a pista com uma carga vertical mais elevada, podendo essa carga ser medida através do cálculo de Força G ou da razão de descida. Acontece que os Boeing da família 737 – as aeronaves utilizadas pela Ryanair – foram desenhados para aguentar cargas verticais e razões de descida mais elevadas do que as da generalidade das aeronaves, “convidando” a aterragens mais firmes sem comprometer a segurança dos tripulantes ou passageiros.

Aliás, a própria Boeing reconhece nos seus manuais de instruções que as aterragens mais suaves nem sempre são as mais seguras, especialmente nesta família de aeronaves, conhecidas pela longa fuselagem e por um ponto de gravidade ligeiramente mais adiantado que a média. Isto leva a que uma aterragem suave possa aumentar a probabilidade de que a cauda do avião embata no solo antes do trem, arriscando ainda maiores dificuldades de tracção do veículo à pista e consequente aumento do risco de despistes e de incursões para fora da mesma. A solução? Garantir que o avião pousa as rodas com alguma força na pista, o que causa o ligeiro desconforto que muitos reportam ao voar com a Ryanair durante a aterragem.
Tendo isso em consideração, e de acordo com alguns especialistas do sector, o próprio programa de treino de pilotos da Ryanair, bem como os seus procedimentos de segurança internos, incentivam aquilo a que chamam de “aterragens positivas”, que é precisamente um eufemismo para processos mais fimes/duros. Ou seja, aquilo que pode parecer um descuido ou desconsideração, é na verdade uma metodologia que aumenta a segurança de todos os envolvidos durante a aterragem, diminuindo as hipóteses de derrapagem ou hidroplanagem!
Posto isto, e para além da componente de segurança, não há como negar os benefícios das aterragens firmes na política logística da Ryanair e nos seus naturais interesses financeiros. Tal como quase todas as transportadoras low-cost, a companhia irlandesa opera num cenário de elevada utilização das aeronaves e com tempos de rotação (turnaround) curtos, apontando a um período ideal de 25 minutos entre o momento em que uma aeronave aterra e a descolagem para o voo seguinte. Afinal, um avião no chão é um avião que não está a ser rentabilizado!

Isto significa que o modelo de negócio depende de processos rápidos de desembarque, handling, reabastecimento de combustível, segurança, limpeza e embarque. Ora, acontece que uma aterragem mais firme é também uma aterragem mais breve, assegurando que o avião liberta a pista mais rapidamente antes da viagem seguinte (períodos de táxi mais curtos), e ajudando a que a Ryanair consiga cumprir os seus períodos de rotação apertados. Para além disso, e uma vez que as taxas de utilização são mais reduzidas, a Ryanair costuma operar em aeroportos secundários das grandes cidades, onde as pistas são normalmente mais curtas. Também aqui, as aterragens firmes diminuem as margens de erro e ajudam a garantir a segurança dos passageiros, servindo ao mesmo tempo os propósitos empresariais da companhia.
Em suma, e ainda que não existam estatísticas credíveis, a sensação generalizada de que as aterragens da Ryanair são mais violentas que a média pode muito bem ser verdadeira – basta olhar aos seus procedimentos internos e às recomendações do fabricante para os modelos de aeronave utilizados pela companhia. No entanto, isto não tem qualquer efeito negativo na segurança dos passageiros e tripulação… muito pelo contrário! Seja pelas características do avião ou dos aeroportos secundários, a aplicação de aterragens mais firmes, duras ou violentas (o que lhes queiras chamar) garantem uma melhor tracção à pista e menor probabilidade de “planagem” e de despistes.
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