Presidente de companhia aérea diz que mercado de aviação Brasileiro não cresce mais… por causa das apostas desportivas ✈️🎲⚽
Celso Ferrer, Presidente da Gol Linhas Aéreas, deu a sua opinião acerca do baixo crescimento dos números de passageiros domésticos no Brasil, responsabilizando a erosão dos rendimentos das famílias, mas também outras formas modernas de consumo, como as compras online e as apostas desportivas!
Falando como convidado no Seminário Lide Turismo, o presidente da Gol Linhas Aéreas, Celso Ferrer, fez uma análise superficial do mercado Brasileiro, esgrimindo argumentos e referindo quais as razões pelas quais – na sua óptica – o mercado da aviação e do turismo do país não cresce tanto quanto deveria ou seria esperado.
Em declarações que foram mais tarde veiculadas pelo portal Terra, Celso Ferrer refere que o mercado doméstico da aviação tem mostrado sinais de estagnação ao longo da última década, isto apesar do tamanho do país e do seu gigantesco potencial económico. Os registos mostram que o mercado Brasileiro conta com cerca de 90 a 100 milhões de passageiros domésticos por ano, números que, segundo Ferrer, poderiam ser substancialmente maiores em circunstâncias financeiras mais fortes.

De resto, o Presidente da Gol chegou mesmo ao ponto de apelidar os anos entre 2010 e 2020 como “uma década perdida” para o sector no Brasil, com aumentos muito pouco expressivos de viajantes nacionais. Importa referir que os aeroportos Brasileiros bateram recordes em 2025, gerindo um total global de 130 milhões de passageiros, mas Ferrer refere-se exclusivamente a viajantes Brasileiros.
Aliás, o entrevistado indica até que estes aumentos não implicam necessariamente a existência de novos passageiros nos céus brasileiros, afirmando que o que acontece é que as pessoas que já podiam viajar estão simplesmente a fazê-lo mais vezes, o que parece indicar um agravamento das desigualdades económicas.
Ao mesmo tempo, Celso Ferrer admitiu alguma dificuldade por parte das transportadoras em penetrar o mercado da classe média, nomeadamente porque, na sua opinião, o sector tem que disputar a atenção e orçamento desta classe com outras formas de consumo cada vez mais presentes na sociedade brasileira.

E foi aí que, instado a comentar, Ferrer nos deu o título admitidamente sensacionalista deste artigo, com o Presidente da Gol a reiterar as dificuldades em “convencer” a classe média a utilizar o dinheiro disponível para viajar face a mercados de gratificação instantânea como o e-commerce (compras online) ou as apostas desportivas.
Evidentemente, esta é uma análise que carece de dados estatísticos, pelo que não podemos comprovar se as declarações são cientificamente rigorosas ou não. Para além disso, para validar (ou negar) Celso Ferrer, seria igualmente necessário mergulhar a fundo nos efeitos psicológicos do marketing de guerrilha de algumas dessas plataformas de compras e casas de apostas, bem como nas consequências de todos os nossos sonhos e desejos – havendo dinheiro para isso – estarem apenas à distância de um clique, literalmente nas palmas das nossas mãos.

Seja como for, faz sentido que um aumento das opções de consumo possa levar a uma diminuição da escolha por determinada alternativa (neste caso, pelas passagens aéreas), cabendo por isso às companhias encontrarem uma forma de promover o seu produto/serviço de forma a que ganhem importância nas prioridades dos consumidores. A missão, de acordo com Ferrer, não é de fácil cumprimento, já que a expansão rápida das casas digitais de apostas torna difícil competir pela atenção da classe média e pelo seu rendimento disponível.
Ao mesmo tempo, contestou ainda a percepção geral de que são os preços das passagens a limitar essa procura, argumentando que os valores (quando medidos em dólares) têm-se mantido relativamente estáveis nos últimos anos. Na sua opinião, os grandes responsáveis são mesmo a erosão do poder de compra dos consumidores e a fragmentação dos seus hábitos de consumo em diferentes produtos e serviços.

Quanto a soluções, o Presidente da Gol pediu a aprovação de medidas que possam aumentar a competitividade da aviação do Brasil, referindo que existe potencial para aumentar os números actuais em pelo menos 50% se a procura for estimulada e o rendimento da população for aumentado. E que medidas específicas são essas? Para já, e de acordo com Ferrer, a primeira fase deve passar por estímulos tributários, nomeadamente através da descida dos impostos sobre os combustíveis e de alterações profundas na nova Reforma Tributária do Brasil.
De resto, este é um discurso comum nos executivos do país, com Jerome Cadier, Presidente da Latam Brasil, a seguir a mesma direcção e a criticar a reforma supramencionada, indicando que a companhia pagará 3x mais impostos que aquilo que paga hoje, e admitindo que esse custo será passado para os passageiros. Em 2025, todo o grupo LATAM teve lucros de 1.265 mil milhões de euros – um aumento de quase 50% face a 2024.
Curiosamente, e na mesma entrevista, Cadier aplaudiu as acções do governo que permitiram libertar 5.5 mil milhões de reais (qualquer coisa como 919 milhões de euros) do Fundo Nacional da Aviação Civil para ajudar o setor a passar pela actual crise dos combustíveis. Lá como cá, aplaudem-se os apoios, criticam-se os impostos.
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