Ryanair reporta receitas de quase 5 mil milhões de euros só em extras durante o último ano fiscal 🧳🥪🤑
Numa análise ao relatório referente ao ano fiscal de 2025/2026, a Ryanair reportou receitas auxiliares de 4.99 mil milhões de euros, facturando assim uma autêntica fortuna em componentes “extra” como a venda de bagagem, reservas de assentos, refeições, embarque prioritário ou compras duty-free.
Dentro do universo das companhias low-cost, a tarifa aérea está a tornar-se cada vez menos representativa da saúde financeira das transportadoras. Do processo de reserva à experiência de voo, somos constantemente lembrados das dezenas de extras e pequenas conveniências que podemos adquirir para tornar tudo mais prático, mais fácil ou mais confortável. Pois bem, uma análise do mais recente relatório de contas da Ryanair referente ao ano fiscal 2025/2026 mostra-nos precisamente a importância desses acréscimos no modelo de negócios!
É que no período compreendido entre 01 de Abril de 2025 e 31 de Março de 2026, a companhia Irlandesa reportou 4.99 mil milhões de euros em receitas auxiliares, o que por si só já representa um aumento de 270 milhões de euros face ao ano anterior (4.72 mil milhões). De resto, esta subida surge num contexto em que a Ryanair transportou um número recorde de 208.4 milhões de passageiros durante o período referido, o que significa que, em média, cada passageiro gastou cerca de €24,00 em extras.

Para tornarmos o conceito mais claro, as receitas auxiliares (“Ancillary Revenue”, em inglês) dizem respeito ao dinheiro gerado pela venda de produtos e serviços fora da tarifa aérea. No caso da Ryanair, nestas receitas enquadram-se a venda de bagagem extra, reservas de assentos específicos, priority boarding, aluguer de veículos, seguros de viagem, transfers de aeroportos, reservas de hotéis e ainda todas as vendas extras feitas no interior da aeronave, como refeições/snacks, bebidas, compras duty-free ou até mesmo as famosas raspadinhas.
Aliás, a escala mastodôntica deste volume de vendas já vem demonstrar a forma como a Ryanair parece ter revolucionado por completo todo o modelo de negócios em torno do segmento low-cost, com as companhias a providenciarem serviços cada vez mais básicos nas suas tarifas-base e a aproveitarem para gerar receitas auxiliares em tudo o resto. No fundo, os preços ultracompetitivos dos voos acabam por ser quase uma estratégia de marketing para atrair clientela disposta a gastar um pouco mais em todos os extras.
Focando um pouco mais nos números reportados, os 4.99 mil milhões de euros em receitas auxiliares já representam quase um terço de toda a receita registada pela Ryanair (15.54 mil milhões). Adicionalmente, a receita auxiliar por passageiro (os tais €24,00) registou um aumento de 2% face ao período anterior, o que mostra que, para além da companhia transportar mais pessoas, o valor suplementar “extraído” por cada cliente tem vindo igualmente a crescer.

Ainda assim, nada mostra a preponderância das receitas auxiliares tanto quanto a sua proporção face aos lucros totais (antes de itens excepcionais) reportados pela Ryanair, no valor de 2.26 mil milhões de euros. Isto significa que só estes extras já totalizam mais do dobro de todo o lucro da empresa, sendo que, embora não seja descriminada qual a percentagem de lucro retirado especificamente das receitas auxiliares, seguramente que o seu contributo será importante para a solidez financeira da empresa.
Para o ano fiscal de 2026/2027, a companhia espera que o número de passageiros aumente em cerca de 8 milhões, para um total de quase 216 milhões de pessoas. A manter-se o mesmo nível de receitas auxiliares por cliente, isto significa que a Ryanair poderá esperar qualquer coisa como 192 milhões de euros de receitas auxiliares adicionais.
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