• 2026-08-01 11:30:42
  • Bruno A.

United Airlines enfrenta processo em tribunal por vender assentos de janela… sem janela 👨🏻‍⚖️🪟

Um juiz federal recusou-se a arquivar o processo e a United Airlines terá mesmo que ir a julgamento defender-se de uma acusação movida por vários passageiros devido à venda de “window seats” que, ao invés de ficarem junto a uma janela, estavam directamente virados para a parede do avião!

Num daqueles casos de tribunal que só mesmo na América, a United Airlines terá que se defender em julgamento após um juiz federal ter considerado válido um processo movido por vários passageiros que acusam a transportadora de enganar os clientes. E qual o motivo para estes autores se sentirem defraudados, perguntam os nossos leitores? Pois bem, aparentemente a transportadora vende lugares de janela… sem janelas!

Sim, leste bem! O processo tem por base várias reclamações de passageiros que pagaram um valor extra para se poderem sentar em assentos situados junto às janelas da aeronave, tendo sido surpreendidos no embarque pelo facto de que os seus lugares ficavam posicionados junto a uma parte sólida da fuselagem do avião. Naturalmente, os proponentes do processo argumentam que a rotulagem dada pela United a esses assentos é, no mínimo, enganadora, e que representa uma quebra dos termos e condições da viagem.

Face ao exposto, o Juiz do Tribunal de Distrito de San Francisco, James Donato, rejeitou o pedido da United para que o processo fosse arquivado, considerando que os passageiros apresentaram uma razão plausível para se sentirem enganados. Na decisão, o juiz referiu que tanto os termos de bilheteira utilizados no site da companhia como os ecrãs de reserva e cartões de embarque se referiam de forma consistente a estes assentos como “window seats” (“lugares de janela”, em português), considerando por isso razoável que os viajantes esperassem ser sentados junto a uma.

Para tentar forçar o indeferimento da acusação, a United tinha alegado que o termo “window seat” se refere apenas ao posicionamento do assento relativamente ao corredor e à parede da cabine, e não à existência literal de uma janela junto ao lugar. Para além disso, a transportadora alega que não foi feita qualquer promessa contratual de que os passageiros que pagassem por estes lugares específicos teriam acesso a uma vista exterior – argumentos esses que não convenceram o juiz, que por sua vez já deu a ordem para o processo seguir os trâmites normais!

A acusação – que procura garantir uma compensação pelo engodo – defende que muitos viajantes que pagam especificamente por este tipo de lugar têm outros motivos ou preocupações para lá da potencial vista, argumentando que as razões para a reserva podem-se prender com a tentativa de reduzir enjoos ou ansiedade, entreter bebés e crianças, ou, simplesmente, garantir uma experiência de voo mais confortável. Como tal, consideram que deveria ser obrigatório para a companhia informar o passageiro sempre que um lugar promovido como “window seat” não tenha, na verdade, uma janela.

De acordo com a Reuters, este contrassenso afecta apenas um número limitado de assentos em alguns modelos de aeronave específicos, incluindo os Boeing 737, Boeing 757 e Airbus A321, por força das características da estrutura ou da configuração da cabine. Certo é que o processo já parece ter sortido algum efeito, com o sistema de reservas da United actualizado para que seja prestada informação complementar relativa a assentos de janela que fiquem situados ao lado de uma parede. Evidentemente, a companhia não anunciou se esta mudança recente está relacionada com a decisão do juiz.

Curiosamente, companhias europeias como a Ryanair têm uma política semelhante, com o infame lugar 11A da low-cost Irlandesa, instalado precisamente na fila exterior, a situar-se num ponto da aeronave onde não há janela (mas sim a parede da fuselagem). Como podemos ver acima, e para acautelar eventuais mal-entendidos, a própria plataforma de reservas mostra uma mensagem que refere explicitamente que o assento não tem janela.

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