• 2026-06-05 13:49:43
  • João

Regras de compensação por voos atrasados na UE podem manter-se iguais após impasse nas negociações 🏛️🇪🇺✈️

As negociações entre o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia sobre a revisão das regras de compensação por voos atrasados voltaram a terminar sem acordo, aumentando a possibilidade de a reforma ficar pelo caminho e de o Regulamento 261/2004 permanecer inalterado por mais tempo. A ronda mais recente de conversações terminou sem entendimento sobre o ponto central do processo: quando é que um passageiro passa a ter direito a compensação e quanto deve receber.

Reforma dos direitos dos passageiros aéreos da UE pode cair: Parlamento Europeu e Conselho continuam sem acordo

De acordo com a POLITICO, as negociações também travaram ao fim de uma longa sessão de negociações, depois de cerca de 16 horas de discussão sem resultados concretos. A publicação refere que o impasse se mantém sobretudo entre a posição do Conselho, que quer endurecer os critérios de compensação, e a do Parlamento Europeu, que insiste em preservar a regra atual das três horas.

Regra das 3 horas continua no centro da disputa

Atualmente, o Regulamento (CE) n.º 261/2004 garante compensação de 250€, 400€ ou 600€, consoante a distância do voo, quando o avião chega ao destino final com mais de três horas de atraso, salvo circunstâncias extraordinárias. Esse é precisamente o ponto mais contestado na reforma em discussão.

O Conselho da União Europeia quer elevar esse limiar para quatro horas em voos de curta distância e até seis horas em voos de longo curso, ao mesmo tempo que reduz os montantes em vários casos. O Parlamento Europeu, pelo contrário, mantém a regra das três horas como linha vermelha e tem repetido que não aceitará um acordo que enfraqueça os níveis atuais de proteção dos passageiros.

POLITICO acrescenta que o confronto político também envolve os valores da indemnização, com o Parlamento Europeu a defender uma escala mais forte e os governos da UE a preferirem um modelo mais baixo e mais previsível para as companhias aéreas.

O que dizem os defensores dos passageiros

Tomasz Pawliszyn, presidente da Association of Passenger Rights Advocates (APRA), disse à Brussels Signal que o resultado da reunião mais recente foi “incrivelmente desencorajadora para passageiros e as viagens na Europa”. Segundo ele, o regulamento europeu EC261 ajudou a criar um mercado aéreo mais competitivo, com mais passageiros, mais mobilidade e melhor ligação entre regiões europeias.

Pawliszyn defende ainda que não existe justificação para reduzir compromissos que as companhias aéreas, segundo ele, têm conseguido cumprir há décadas. A mesma fonte cita o responsável da APRA a criticar a tentativa de alargar as chamadas “circunstâncias extraordinárias” e de querer introduzir nestes campo, também, dificuldades técnicas, ou seja, a possibilidade de problemas técnicos servirem como exclusão ampla da compensação.

A APRA alerta também para o exemplo do Canadá, onde um regime com mais exceções teria originado atrasos nas reclamações e forte acumulação de processos pendentes. Essa comparação é usada por organizações de defesa dos passageiros como argumento contra qualquer flexibilização excessiva das regras.

A posição das companhias aéreas

Do lado da indústria, o discurso é o oposto. Segundo a POLITICO, as companhias aéreas argumentam que o sistema atual está desatualizado e gera custos elevados que acabam por ser refletidos nas tarifas pagas pelos consumidores. A associação Airlines for Europe (A4E) considera que o limite de três horas “não corresponde às realidades operacionais” do setor.

A A4E sustenta que organizar um avião e uma tripulação de substituição demora perto de cinco horas, e não três, pelo que um limite mais elevado reduziria atrasos prolongados. A mesma fonte refere que a associação teme uma subida acentuada dos custos anuais com compensações, dos atuais 8 mil milhões para 15 mil milhões de euros, o que poderá traduzir-se em bilhetes mais caros para os passageiros.

Essa pressão surge num momento em que a aviação europeia já enfrenta vários custos adicionais associados a regulamentação ambiental e fiscal.

Prazo de 15 de Junho

De acordo com a Brussels Signal, existe um prazo-limite a 15 de Junho e, se não houver compromisso até lá, a proposta de reforma pode caducar automaticamente. A publicação sublinha que o dossier está bloqueado desde 2013 e que uma falha nas negociações deixaria em vigor, por tempo indefinido, a legislação atual.

POLITICO também refere que as negociações decorrem sob forte pressão temporal e que a conciliação poderá falhar se não houver uma aproximação rápida entre as posições. O cenário, portanto, é de elevada incerteza para passageiros, companhias aéreas e reguladores.

O que pode mudar

Mesmo com o impasse, há vários pontos que o Parlamento Europeu quer proteger ou reforçar. Os eurodeputados defendem formulários pré-preenchidos para pedidos de compensação, maior facilidade no processo de reclamação e melhor proteção para passageiros vulneráveis. O Parlamento Europeu também quer manter a assistência obrigatória durante atrasos, com refeições, bebidas e alojamento quando necessário.

A mesma linha foi confirmada em Janeiro de 2026 pelo próprio Parlamento Europeu, que aprovou a sua posição negocial com uns impressionantes 632 votos a favor, mantendo a compensação após três horas como um princípio central. Os eurodeputados consideram que o Parlamento Europeu é agora a última linha de defesa para os viajantes europeus.

O que isto significa para os viajantes

Para já, os passageiros continuam protegidos pela regra atual: atrasos superiores a três horas podem dar direito a compensação, salvo circunstâncias extraordinárias. O que está em causa não é uma mudança imediata, mas a possibilidade de a UE aprovar uma versão menos favorável do regime no futuro.

Se não houver acordo até 15 de Junho, a reforma poderá cair e o Regulamento 261/2004 continuará a ser o quadro de referência para atrasos, cancelamentos e recusa de embarque. Em termos práticos, isso significa que, por agora, o direito à compensação por atrasos de três horas mantém-se intacto.

Leituras recomendadas:

Parlamento Europeu rejeita cortes nas compensações por atraso e cancelamento de voos e reafirma direitos dos passageiros 🇪🇺

Voo atrasado ou cancelado? Vê aqui quais são os teus direitos ✈️

Atrasos de voos: Conselho Europeu propõe aumentar tempo de espera e reduzir valores de indemnizações 😠

O item de bagagem a colocar debaixo do assento da frente passa a ter medidas iguais nas companhias aéreas da UE? Na verdade, não (pelo menos por enquanto) 👜✈️

Bagagem danificada durante o voo – O que fazer? 🧳💰⚖️

Seguro de Viagem

Para contratar o teu seguro de viagem recomendamos a Heymondo, que tem aquela que é, para nós, a melhor gama de seguros da atualidade, com uma relação qualidade-preço imbatível, e que inclui também cobertura para os teus equipamentos eletrónicos.

Se reservares connosco, através deste link, tens 5% de desconto no teu seguro e, ao mesmo tempo, dás-nos uma ajuda preciosa 🙂

eSIM

Cria o teu eSIM da Airalo aqui e usa o código de desconto JOAO9445 para teres 3€ de desconto na primeira compra.

Se preferires um cartão de DADOS ILIMITADOS, o eSIM da Holafly é a tua melhor opção. Segue este link para teres 5% de desconto em todas as tuas compras.

Como sabes, o DeFérias.pt é um projeto gratuito; a sustentabilidade depende das tuas visitas e dos links das nossas sugestões. Podes também apoiar-nos com uma doação direta 🙂
Este artigo contém links para produtos dos nossos parceiros. Podemos receber compensação quando clicares nestes links. Não há taxas extra para ti.

Copyright 2026 kamaviNET sp. z o.o.. Todo o conteúdo deste site está protegido por direitos de autor.