• 2026-02-16 23:00:47
  • Bruno A.

Governo desaconselha “deslocações não indispensáveis a Cuba até que a situação estabilize” ❌

A crise energética e de combustível em Cuba, com cortes de eletricidade e falta de combustível de aviação, está a afetar gravemente voos, hotéis e pacotes turísticos, levando o Governo a desaconselhar viagens não indispensáveis ao país.

Contexto do alerta

Desde o início do ano registou‑se um agravamento significativo da falta de combustível em Cuba, ligado a desenvolvimentos recentes na região. Em 7 de Fevereiro, as autoridades cubanas anunciaram medidas de emergência, por tempo indeterminado, especificamente para reduzir o consumo energético e de combustível em todo o território.

A crise de combustível em Cuba resulta sobretudo da quebra das importações de petróleo e do agravamento das sanções e pressões dos EUA sobre os principais fornecedores da ilha, o que levou ao racionamento interno e, em 2026, a um cenário inédito de aeroportos sem querosene de aviação disponível. Esse contexto está a provocar alterações profundas na operação aérea e no turismo organizado, com cancelamentos de voos e suspensão de programas para o destino.

Estas medidas abrangem todos os setores de atividade e têm impacto direto no dia a dia de residentes e visitantes.

Impacto para viajantes

A escassez de combustível e as medidas de poupança energética podem afetar:

  • Cuidados de saúde (limitações de funcionamento, maior pressão sobre hospitais).

  • Transportes (redução de serviços, atrasos e cancelamentos em deslocações internas).

  • Abastecimento de água e eletricidade (cortes frequentes, alguns prolongados, sobretudo fora de Havana).

  • Comunicações, comércio e restauração (horários encurtados, falhas de serviço, falta de produtos).

  • Alojamento turístico, incluindo encerramentos temporários de unidades hoteleiras.

  • Voos, excursões e atividades recreativas, com possíveis disrupções e cancelamentos.

Devido às fragilidades do sistema elétrico cubano, os cortes de eletricidade são muito frequentes, podendo ocorrer tanto interrupções programadas como falhas súbitas e prolongadas de âmbito nacional. Estas situações afetam também o abastecimento de água, gás e o acesso a combustível em várias regiões.

Também em Fevereiro, as autoridades cubanas emitiram NOTAMs internacionais a informar que não haveria combustível de aviação (Jet A‑1) disponível em vários aeroportos do país, incluindo o Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, e outros terminais turísticos como Varadero e Cayo Coco. Estes avisos, com validade inicial de cerca de um mês, significam que as aeronaves que aterram em Cuba não podem reabastecer localmente, o que obriga as companhias aéreas a redesenhar rotas, adicionar escalas técnicas ou suspender operações

A instabilidade do abastecimento de combustível, associada a apagões frequentes e à incerteza operacional dos aeroportos, levou vários operadores turísticos a rever profundamente a sua programação para Cuba. Operadores que trabalhavam com voos charter dedicados anunciaram o cancelamento de toda a operação para o destino, retirando Cuba dos catálogos para 2026 e oferecendo aos clientes a possibilidade de remarcação para outros destinos nas Caraíbas ou noutras regiões de sol e praia.

Recomendação oficial: adiar viagens

Atendendo à imprevisibilidade da situação e ao risco de agravamento, as autoridades portuguesas recomendam que os viajantes considerem adiar deslocações não indispensáveis a Cuba até que o quadro energético e de abastecimento estabilize. Esta orientação visa reduzir a exposição a potenciais constrangimentos sérios em saúde, mobilidade, alojamento e logística básica.

Quem decidir viajar mesmo assim

Para quem, apesar do alerta, optar por manter a viagem, são enfatizadas várias precauções:

  • Manter‑se permanentemente informado através de fontes oficiais, operadores turísticos e companhias aéreas, dado o risco de alterações de última hora em voos, excursões e serviços.

  • Confirmar diretamente com o alojamento quais os meios de resposta a cortes de energia (existência de geradores, painéis solares, capacidade de garantir água quente, refrigeração e internet).

  • Reforçar o planeamento de deslocações internas, tendo em conta a escassez de combustível e cortes elétricos que afetam transportes públicos e privados.

Um exemplo prático: um viajante que tenha circuito multi‑destino com vários trajetos terrestres pode enfrentar cancelamentos de autocarros, falta de táxis autorizados ou necessidade de reorganizar o itinerário em função de combustíveis e apagões.

Seguro e registo do viajante

As autoridades portuguesas sublinham duas medidas adicionais para quem viaje para Cuba nesta fase:

  • Registar a viagem na aplicação “Registo Viajante”, permitindo às autoridades contactar e apoiar cidadãos em caso de agravamento da situação ou emergência.

  • Contratar um seguro de viagem abrangente, que inclua claramente cobertura para evacuação médica, bem como cancelamento ou interrupção de viagem, tendo em conta o risco acrescido de falhas em serviços de saúde e de alterações em voos.

Estas recomendações visam mitigar os impactos de uma crise energética e de combustível que, neste momento, condiciona profundamente a experiência de viagem em Cuba.

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