Mudança da hora – porque é que começou, onde acontece e será que ainda faz sentido? ⏱️
Prestes a entrarmos no fim de semana de mudança de hora, fizemos uma análise ao fenómeno do Daylight Saving Time (DST), na qual tentamos perceber porque é que começou e onde é que ainda acontece. Mas mais importante que tudo o resto, tentámos responder à pergunta que inevitavelmente surge nesta altura: será que ainda faz sentido?
Já começa a ser tradição. Sempre que se aproxima um dos dois momentos do ano em que a hora muda, uma na Primavera (Março), outra no Outono (Outubro), surgem sempre debates e especialistas a tentar explicar e esclarecer se a prática continua a fazer sentido nos dias de hoje. Conhecida em inglês como Daylight Saving Time (DST), esta política representa pouco mais do que uma inconveniência para a maioria das pessoas, perdendo uma hora de sono na Primavera e obrigando o organismo a adaptar-se a uma mudança de fundo que, olhando às origens do fenómeno e à realidade contemporânea, parece ter cada vez menos lógica.
No entanto, à luz do século passado e de preocupações energéticas, interesses económicos e de um consenso científico sem acesso aos conhecimentos da actualidade, a mudança da hora fazia todo o sentido. Assim, para podermos perceber o fenómeno é necessário ir à origem da questão, nomeadamente à razão pela qual a mudança da hora começou, onde foi (e é) aplicada e, por fim, se há alguma perspectiva de que venha e deixar de existir no futuro.
Porque é que a mudança da hora começou?

O conceito da mudar a hora para conseguir um melhor aproveitamento da luz solar costuma ser incorrectamente atribuído ao famoso inventor, Benjamin Franklin, que de forma algo irónica sugeriu que a população poderia poupar velas se passasse a acordar 1 hora mais cedo no Inverno. No entanto, a ideia moderna do Daylight Saving Time (DST) não se tornou uma realidade até ao final do século XIX e princípio do século XX, quando um entomologista Neozelandês chamado George Hudson propôs formalmente este novo sistema.
Curiosamente, a proposta de George não foi impulsionada por nenhum bem maior ou benefício comum, mas sim porque precisava de mais horas de sol para poder caçar insectos nos meses mais frios! Por volta da mesma altura, o construtor Britânio, William Willet, defendeu uma ideia semelhante no seu país, argumentando que as pessoas estariam a desperdiçar preciosa exposição solar ao dormirem durante a primeira hora do dia.

No entanto, e apesar destas propostas iniciais, a mudança da hora não foi adoptada até à Primeira Guerra Mundial. Aliás, a Alemanha foi mesmo a primeira nação a implementar a DST em 1916, considerando-a uma medida fundamental para poupar combustível e optimizar os recursos energéticos para o esforço de guerra. Naturalmente, várias outras nações acabaram por seguir a direcção germânica, com as potências dos EUA e do Reino Unido à cabeça.
A lógica era bastante simples, já que com o adiantar da hora na Primavera os dias passariam a ser mais longos e a requerer menos consumo de combustível para iluminação artificial (menos 1 hora por dia). Depois da guerra, a maioria dos países aboliu a medida, mas prontamente retomaram a implementação da mudança da hora com o eclodir da Segunda Guerra Mundial.
Em que países é que ainda muda a hora?

As décadas que se seguiram foram… inconsistentes. Cada país optou por adoptar os seus próprios horários, e por vezes até mesmo diferentes regiões dentro da mesma nação acabaram a implementar políticas distintas. De resto, e mesmo nos dias de hoje, nem todos os países aplicam a DST de forma uniforme, com casos práticos nos EUA, Canadá, México, Chile e Austrália.
Aliás, só mesmo com a crise energética dos anos 70 é que a mudança da hora passou a ser aceite de forma mais universal e standardizada, com governos de todo o mundo a assumirem novamente que esta poderia ser uma boa oportunidade de poupar no consumo de combustível. Curiosamente, esta crise foi causada precisamente pelo conflito entre Israel e o mundo Árabe e pela Revolução Islâmica no Irão – o que acaba por encontrar paralelo nos dias de hoje. Seja como for, foi mais ou menos neste período que muitos países formalizaram adopção da DST de forma legislativa! A maioria das nações Europeias – incluindo Portugal – alteram os seus relógios no final de Março e no final de Outubro, enquanto que na América do Norte a prática tem lugar no segundo Domingo de Março e no primeiro Domingo de Novembro.
Se dermos então um salto de algumas décadas e olharmos para a actualidade, a mudança da hora continua a ser adoptada por muitos países, mas agora longe de ser uma realidade universal. Pelo contrário, tem existido uma tendência cada vez maior para abolir ou abandonar a DST, com mais de 30 países e territórios a fazê-lo desde a virada do milénio (2000). Analisando o mapa acima, vemos que é no chamado “Mundo Ocidental” que a mudança da hora continua a ser aplicada, particularmente na Europa, na América do Norte e na Oceânia. As únicas excepções são o Egipto, o Chile (parcialmente), Israel/Palestina, Líbano e algumas nações das Caraíbas.

Posto, existem muitas regiões mundiais onde o fenómeno não se verifica. No caso dos países situados perto da Linha do Equador, as horas de luz solar são constantes durante praticamente todo o ano, pelo que a alteração não faria qualquer sentido. Esta é a razão pela qual nunca existiu sequer DST na maioria dos países da África Central, África Oriental e Sudeste Asiático. Outros países localizados nas imediações da linha, nomeadamente na América do Sul (como Equador, Colômbia, Brasil e Peru), chegaram a adoptar a política, mas decidiram abandoná-la mais tarde. As únicas excepções neste continente são Venezuela e Panamá, que nunca adoptaram; e o Chile, onde o sistema ainda vigora de forma parcial.
A par dos países da Linha do Equador e/ou da América Central e do Sul (que já abordámos), muitos outros optaram por não implementar a mudança da hora ou por sair do sistema, maioritariamente por desafios logísticos ou por chegarem à conclusão que os benefícios eram inexistentes ou residuais. Neste lote, enquadram-se nações como China, Rússia, Coreia do Sul, Japão e África do Sul, bem como regiões inteiras que incluem a Ásia Central, Ásia do Sul (inc. Índia), Norte de África, África Ocidental e quase todo o Médio Oriente.
Ainda faz sentido adoptar a mudança da hora?

Face a tudo aquilo que analisamos até agora, vale a pena fazer a pergunta que invariavelmente surge bianualmente: será que ainda faz sentido adoptar a mudança da hora?
Olhando ao argumento original da poupança de energia, muitos dos estudos modernos (como este, da Universidade de Stanford) mostram que os benefícios energéticos são mínimos. Aliás, alguns apontam até para efeitos negativos em casos específicos, já que embora a DST resulte num menor consumo de electricidade durante a noite, o efeito acaba por ser contrabalançado com a necessidade de aquecimento pela manhã nos meses de Inverno. Adicionalmente, a invenção e democratização de lâmpadas, sistemas e dispositivos com alta eficiência energética já acabam por contribuir para um menor consumo de energia sem a necessidade de mudar a hora.
Seja como for, e para além das considerações energéticas, há ainda que levar em conta os efeitos económicos e sociais. Do lado dos que defendem a mudança da hora, argumenta-se que períodos nocturnos com maior exposição solar acabaram por encorajar actividades exteriores, promover o turismo e aumentar o consumo, nomeadamente nos sectores da hotelaria e restauração, retalho e serviços. Para além disso, dias mais longos contribuem para uma redução em certos tipos de crime e menos sinistralidade rodoviária, embora estes efeitos não sejam consensuais e mostrem uma grande variabilidade de acordo com a localização e enquadramento.

Pelo lado contrário, critica-se os efeitos negativos da mudança de hora na saúde e bem-estar, com a transição a ser frequentemente associada a disrupções nos padrões de sono, cansaço acumulado e até mesmo a um aumento temporário e sazonal de ataques cardíacos e acidentes no local de trabalho. Isto é particularmente aplicável à mudança de hora que tem lugar em Março, e que afecta de forma desproporcional o ritmo circadiano.
Naturalmente, com o advento das redes sociais, o debate entre ambas as partes tem vindo a intensificar-se, obrigando as próprias autoridades nacionais e continentais a tomar uma posição. Exemplo disso foi o inquérito online feito pelo Parlamento Europeu em 2018, no qual a vasta maioria dos inquiridos (>80%) se revelou a favor de acabar com a mudança da hora. Ainda que apenas 0.85% dos cidadãos da UE tenha respondido, a verdade é que foi suficiente para o PE e a CE proporem oficialmente o final da mudança da hora. No entanto, a implementação tem vindo a ser consecutivamente adiada devido à dificuldade de coordenação entre os países da união e os seus diferentes fusos horários.

Assim sendo, e ainda que as estatísticas apontem para uma preferência da maioria pela adopção de um sistema sem mudança de hora, está visto que este processo será longo e arrastado. Para além da dificuldade em coordenar a logística e estimar as consequências a nível energético, económico e de saúde pública, é ainda necessário escolher qual será efectivamente a hora que se tornará permanente. Se se optar pela permanência do horário de Verão, as horas de luz solar serão mais longas durante todo o ano, mas as manhãs mais escuras; se escolhermos o horário de Inverno, o alinhamento com os ciclos naturais da exposição solar será mais acertado, mas as noites serão extremamente escuras durante certas estações.
Decisions, Decisions!
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