Ryanair rejeita bloquear o assento do meio como medida de contenção da COVID-19. “Não terá qualquer efeito positivo”

  • 17.04.2020 17:01
  • João

Depois das restrições de viagem serem levantadas é provável que, durante algum tempo, as companhias voem com todos os assentos do meio bloqueados. A possibilidade está a ser discutida e, até agora, encontrou a oposição de apenas uma companhia – a Ryanair.

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Michael O’Leary, o CEO da Ryanair, é conhecido pelas suas posições controversas. A maioria dos peritos prevê uma subida de preços nos bilhetes? O’Leary aponta para a possibilidade de bilhetes quase gratuitos. A IATA defende a necessidade de se estudar o bloqueio dos assentos do meio? O CEO da low-cost irlandesa defende que a medida não faz sentido.

Recentemente, a IATA iniciou uma discussão, centrada na possibilidade de minimização da transmissão do novo coronavírus a bordo, através do aumento da distância entre passageiros. Para isso, recorrer-se ia ao bloqueio de todos os assentos do meio, resultando numa redução do número de lugares disponíveis em um terço.

A maior parte das companhias parece estar de acordo. Mesmo as low-costs Wizz Air e easyJet, anunciaram a possível introdução da medida. No entanto, a Ryanair parece muito mais relutante. Michael O’Leary, numa entrevista à Reuters, afirma, mesmo, que seria “pouco ou nada eficiente”

Estamos em diálogo com os reguladores, que estão sentados nos seus escritórios a criar restrições como a de bloquear o assento do meio, o que é um disparate. Não vai ter qualquer efeito positivo.

De acordo com o CEO, mesmo bloqueando o assento do meio, a distância entre os passageiros seria ainda bastante inferior aos dois metros recomendados. Para além disso, essa distância será também impossível de manter, em outras situações relacionadas

As pessoas vêm para o aeroporto de comboio, onde é impossível manter o distanciamento social. O mesmo acontece no aeroporto, quer nas áreas de check-in, como nas de segurança, como nos restaurantes ou lojas. Isto é admitido pelos próprios aeroportos.

O’Leary defende que o modelo seguido na Ásia é o mais acertado e que se deve recorrer a controlos de temperatura e uso obrigatório de máscara, para reduzir a transmissão do novo coronavírus.

Com um modelo de negócio, onde a necessidade de encher as aeronaves é ainda mais fundamental (a Ryanair tem uma taxa de ocupação média de 95% nos meses de verão), seria normal atribuir esta reação do CEO da companhia, a razões económicas. Os Boeing 737-800, operados pela low-cost irlandesa, têm uma capacidade de 189 passageiros. Bloqueando todos os assentos do meio, essa capacidade seria reduzida para 123.

No entanto, Michael O’Leary justifica que, devido à sua grande capacidade de gerar lucro, a Ryanair não será muito afetada, caso a medida seja implementada. No entanto, aponta que o mesmo não acontecerá com as companhias aéreas “tradicionais”.

A maior parte delas vão perder dinheiro, mesmo não bloqueando o assento do meio.

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